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Maurinho cansado de portas fechadas

Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC
21/08/2011 | 07:51
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Em uma seleção de emprego o diferencial entre os candidatos é o currículo. Quanto mais experiências e proficiências, maior a vantagem em relação aos concorrentes à vaga. Checar os antecedentes é normal para ver se não houve problemas nos trabalhos anteriores, mas apostar em alguém que já provou ser bom pode ser grata surpresa. E é exatamente isso que o lateral-direito Maurinho busca: oportunidade para voltar a ser um grande jogador.

Em 2001, foi campeão do Brasileiro da Série C pelo Etti Jundiaí (atual Paulista). No ano seguinte, levou o Brasileirão pelo Santos, feito repetido em 2003 no Cruzeiro (no qual venceu naquela temporada o Mineiro e a Copa do Brasil, conquistado a tríplice coroa).

Naquele mesmo ano, chegou à Seleção Brasileira do então técnico Carlos Alberto Parreira, no fiasco da Copa das Confederações, na França. Despertou até o interesse de clubes da Europa como o Sporting (Portugal) e o Espanyol (Espanha). Vivia o melhor momento da carreira, mas em junho de 2004 sofreu a primeira das cinco lesões no joelho direito que, segundo ele, foram "cruciais" em sua vida.

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Entre 2004 e 2006 foram cinco cirurgias no joelho. Eu me recuperava e machucava de novo. Fiquei mais tempo me recuperando, na fisioterapia, do que qualquer outra coisa. Ainda bem que tive a família e minha mulher ao lado", contou o jogador, que desde segunda-feira mantém a forma física no Santo André.

Depois de recuperar-se da última lesão no Reffis do São Paulo, "o melhor do País" na opinião do lateral, Maurinho via chances de brilhar com a camisa do Tricolor, clube que defendia na época, e voltar à Seleção, mas perdeu espaço. Foi para o Goiás, voltou para o Cruzeiro e depois de seis meses de briga com o clube mineiro, acabou com o passe na mão, mas sem destino.

Teve chances no Pelotas-RS e no Uberaba-MG, pouco para alguém que foi eleito o melhor lateral-direito do Campeonato Brasileiro por duas vezes (2002 e 2003). "Falta quem abra a porta. Ficam aquelas lembranças de contusão. O que mais pega não é a questão da qualidade, mas da lesão. Ficam com o pé atrás de fazer investimento e não corresponder. Mas me recuperei plenamente, estou totalmente apto. No Uberaba, disputei quase todos os jogos do Campeonato Mineiro e os três da Copa do Brasil", afirmou.

Apesar dos 32 anos, o paulista de Fernandópolis não pensa em parar. "Não. Tanto que estou mantendo a forma esperando que apareça alguma coisa boa. Tenho condições. Se não estivesse em bom nível, não forçaria", disse Maurinho que, após tanto tempo fora do campo, aprendeu a ser paciente e não se desesperar na busca por um clube. "Estou trabalhando e me esforço para quando surgir a oportunidade estar preparado", emendou.

‘Lesão veio no melhor momento da carreira'

"No futebol você vai do céu ao inferno em 90 minutos." Essa é a análise de Maurinho. Segundo ele, o esporte é instável, assim como foi sua carreira em razão das lesões. Justamente quando estava no auge, defendendo o Cruzeiro - principal time do País na ocasião - e defendia a Seleção Brasileira com planos de ir à Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, sofreu a primeira lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito.

"Foi algo crucial na minha carreira, no melhor momento dela. Uma lesão que se estende por dois, três anos, atrapalha demais", disse ele.

Nos quase três anos de recuperação, Maurinho procurou não se abater, apesar de sofrer outros quatro problemas no mesmo local. A decepção veio depois. "Eu esperava mais. Poderia ter sequência boa no São Paulo e voltar à Seleção, mas não aconteceu", lamentou.

Apesar do que aconteceu desde a recuperação até o momento, o lateral não considera-se esquecido. "Isso não. Por isso estou trabalhando para fazer bons campeonatos onde estiver", afirmou.

Por outro lado, também considera o futebol um esporte "injusto". "Não existe memória. Pode tirar por base o Santos de agora. Ganhou tudo no primeiro semestre, mas agora está mal e esqueceram tudo. É momento. O que vale são os 90 minutos. Mas tenho muito o que agradecer ao futebol", afirmou. Ainda assim, disse ter amigos que, por vezes, tentam colocá-lo em algumas equipes.

A torcida do Santo André que vê o lateral treinar diariamente no Bruno Daniel que não se anime: o clube já disse não ter dinheiro nem espaço para contratá-lo.

 




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