Entrevista da semana
FOTO: Andre Henriques/DGABC

Com muito trabalho nas últimas semanas, principalmente com a Enel, após o apagão registrado no dia 3 de novembro, que afetou 556 mil imóveis no Grande ABC, Bruno Valim fala ao Diário sobre também olhar para os problemas futuros.
Valim é coordenador do GT (Grupo de Trabalho) Procon Regional, do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, grupo criado para fortalecer e integrar os Procons municipais da região.
Ainda com a Enel no radar, já que a empresa pediu 30 dias para esclarecimentos, o líder do GT já discute ações para proteger o consumidor durante o Natal, e ainda dá dicas para clientes contra fraudes.
Nome: Bruno Ferreira Valim
Idade: 26 anos
Local de nascimento: Santo André
Formação: Direito
Hobby: Corrida de rua
Local predileto: Roma, Itália
Livro que recomenda: A Metamorfose, de Franz Kafka
Personalidade que marcou sua vida: Ada Pellegrini Grinover
Profissão: Advogado
Onde trabalha: Procon Municipal de Mauá, Associação Procons Paulistas e Consórcio Intermunicipal do Grande ABC
Na relação com bancos, os moradores são clientes/consumidores. É possível notar certa culpabilidade destes clientes nesta relação, como em caso de fraudes, por exemplo, como o GT analisa essa relação?
É fato que as fraudes bancárias são consumadas a partir de processos complexos, que envolvem uma série de etapas e múltiplos agentes em conluio para o fim criminoso. Em que pese não ser cabível imputar qualquer espécie de culpa concorrente à vítima por tais golpes, é indispensável que o consumidor adote cautelas antes de realizar pagamentos, contratações e outras transações bancárias. Tendo-se em vista o papel fundamental da educação para o consumo, o GT Procon Regional, do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, para além de visitar o tema em suas reuniões, realiza eventos informativos regulares para o fim de instruir a população sobre seus direitos e como proceder diante de situações adversas envolvendo o tema.
Quais as orientações para os consumidores evitarem fraudes eventuais relacionadas a serviços bancários?
Podemos citar algumas delas, como, por exemplo: não informe suas senhas bancárias a terceiros, seja do aplicativo ou do cartão; caso receba uma ligação suspeita, desligue e entre em contato com a central de atendimento da instituição através dos canais indicados no site do banco ou no verso do cartão; desconfie de mensagens de texto ou e-mails solicitando confirmação ou dados pessoais/bancários; faça downloads e instale programas apenas de sites que você conheça; só solicite a segunda via de um boleto ou fatura pelo site oficial da instituição responsável pela emissão do documento; confira os dados do beneficiário antes de finalizar o pagamento ou a transação bancária; nas agências, apenas aceite ajuda de funcionários uniformizados e identificados por crachá da instituição.
As compras de Natal estão chegando. Quais as principais orientações do GT Procon aos consumidores?
Temos algumas orientações a dar. Como, por exemplo: analise pormenorizadamente as condições de pagamento oferecidas, as taxas de juros cobradas e os prazos para quitação; calcule se a compra de determinado item não irá comprometer o orçamento; pesquise se o fornecedor possui boa reputação; desconfie de preços muito baixos ou promoções relâmpagos, pois os criminosos se valem de gatilhos para induzir o consumidor a erro; dê preferência a fornecedores que tenham sites e plataformas com informações sobre o CNPJ, canais de atendimento e endereço físico.
Haverá operações especiais de fiscalização e monitoramento de preços?
Sim. Para além do roteiro de cada um dos órgãos integrantes do GT Procon, do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, a região contará com operações especiais nos municípios conduzidas pela Fundação Procon-SP. As operações acontecem in loco, nos comércios distribuídos nas cidades que integram o Consórcio. As datas serão mantidas em sigilo para que se garanta a rigidez da operação, e o objeto principal são as lojas que se preparam para atender essa alta do volume de vendas em decorrência do Natal.
A Black Friday registrou vendas em queda pelo segundo ano consecutivo. É possível fazer um balanço sobre as principais reclamações referentes ao evento?
A partir da análise dos dados disponíveis até o presente, as principais reclamações se referem ao atraso na entrega ou não recebimento do produto; maquiagem do desconto; mudança de preço ao finalizar a compra; pedido cancelado após a finalização da compra; e produto recebido diverso do pedido, incompleto ou danificado.
A imagem da Black Friday ainda pode melhorar? Como o Procon orienta as empresas?
Sempre é possível melhorar. Com relação às orientações, podemos listar a realização de treinamentos das equipes e aperfeiçoamento dos procedimentos para esses períodos de grande volume de vendas; veiculação de ofertas com informações claras; conferência prévia do estoque e das condições dos produtos anunciados; oferecimento de um ambiente virtual seguro para compras; ampliação do quadro de empregados para o atendimento das demandas oriundas do pós-venda. Isso tudo pode garantir uma melhor experiência ao consumidor.
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