Diarinho

Diversão radical para todas as idades




Não passa um fim de semana sem que o estudante Enzo Dauber, 5 anos, morador de São Bernardo, convoque o pai, o empresário Denis Dauber, 42, para realizar programa radical: fazer manobras sobre duas rodas.

A paixão de Enzo pelo bicicross, ou BMX, como é mais conhecido, nasceu por acaso, em novembro do ano passado. O garoto e o pai estavam passeando de bicicleta pelo Paço Municipal de São Bernardo e tiveram a atenção despertada pela destreza com que dois jovens se exibiam sobre suas bicicletas. A dupla era formada pelos atletas profissionais de BMX Caio Souza, 28, e Kauan Madona, 27, da Geração Freestyle. Foi amor à primeira vista.

O BMX é modalidade esportiva praticada com bicicletas especiais, que surgiu na década de 1950, na Europa. É inspirado no motocross, só que, em vez de motocicletas, utiliza bikes especializadas e já adaptadas para realizar manobras e corridas, inclusive na areia.

Existem duas vertentes no BMX. Uma delas é o freestyle, que permite manobras mais radicais, com ou sem rampas – a modalidade vai, inclusive, estrear como disputa olímpica nos Jogos de Tóquio, que começam na sexta-feira (leia mais abaixo). A outra é a race, de corridas.

Enzo Dauber aprendeu tudo isso com Caio e Kauan. Os profissionais promovem encontros gratuitos semanais com a criançada para levar informações e instruções sobre o esporte.

Os eventos são realizados aos sábados e domingos, por volta das 9h, e são direcionados a crianças de até 12 anos – lembrando que não há idade limite para praticar o esporte. 

Segundo os profissionais, as atividades, que respeitam todos os protocolos de segurança contra a Covid-19, já atenderam a mais de 50 crianças, que, hoje, passaram a acompanhar o esporte.

“Os meninos (Caio e Kauan) passam instruções para as crianças. Totalmente gratuito, de coração, pelo amor ao esporte que praticam. Até eu acabei entrando nessa e comprei uma (bicicleta) BMX para mim no fim do ano passado”, conta o pai de Enzo.

Segundo Denis, Enzo sempre gostou de bike, mas, depois de conhecer o BMX, o pai percebeu uma diferença no desenvolvimento do filho, Apesar da pouca idade, o garoto são-bernardense já consegue praticar os saltos que a modalidade permite, com habilidade e segurança necessárias.

Segundo os responsáveis pelos encontros, Caio e Kauan, o projeto teve início ainda na pandemia, no ano passado, e o principal objetivo é fazer com que o esporte seja cada vez mais conhecido e, claro, praticado pelas crianças. Além de ser divertido, argumenta, os benefícios são inúmeros, como o fortalecimento da musculatura, auxílio na saúde do coração, redução do estresse e também melhoria na respiração.

“O nosso trabalho é expandir os conhecimentos e fazer com que as crianças se divirtam, sempre no limite de cada uma”, comenta Caio. Quem deseja conhecer melhor o trabalho dos atletas pode acessar a página do projeto no Instagram, @geracao_freestyle.

BMX freestyle estreia nos Jogos Olímpicos 

A modalidade do BMX freestyle estreia na Olimpíada de Tóquio, que começa nesta sexta-feira e vai até 8 de agosto. A inclusão da modalidade esportiva foi justificada pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) como tentativa de atrair o público jovem e trazer perfil mais urbano aos Jogos.

Demorou um pouco para o esporte ser notado pelos promotores olímpicos. O BMX freestyle é praticado desde os anos 1970. Foi nessa década, aliás, que o esporte chegou ao Brasil.

A modalidade vem ganhando espaço desde então em território nacional, mas o País não conseguiu classificar nenhum atleta para disputar o BMX freestyle em Tóquio. A expectativa é que a situação melhore já nos Jogos de 2024, que serão em Paris, França. 

Por sua vez, a modalidade do BMX racing fez sua primeira aparição olímpica nos Jogos de Pequim, em 2008, com disputas tanto no masculino quanto no feminino. Na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, foi a terceira vez que o BMX racing distribuiu medalhas. 

A CBC (Confederação Brasileira de Ciclismo) confirmou que os atletas Renato Rezende e Priscilla Stevaux vão representar o Brasil nas duas vagas a que o País tem direito na competição de BMX Racing na Olimpíada do Japão.

Modalidade requer cuidados e proteção para a prática ao ar livre 

Para pode praticar o ciclismo BMX com tranquilidade e segurança nos espaços abertos, é necessário equipamento básico, além da bike adaptada para suportar as manobras.

Ainda é aconselhado o uso de sapatilhas especiais ou um sapato mais confortável, como o tênis. Não se pode esquecer ainda dos demais equipamentos de segurança, como capacete, luvas, joelheiras e cotoveleiras. Também é indicado o protetor de boca. 

As crianças, principalmente, devem sempre praticar o esporte na supervisão de professores, instrutores ou pais. Não dá para abrir mão dos cuidados. De resto, a modalidade requer bastante treinamento e, claro, habilidades individuais.

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