Setecidades

Morte na região pode ser 17% maior


A subnotificação nos casos e nas mortes por Covid-19 é realidade em todo o País, principalmente pelo baixo número de testes realizados. No Grande ABC, de acordo com dados da Arpen-SP (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais) levantados a pedido do Diário, entre 1º de março e 29 de abril foram emitidas 187 certidões de óbito cuja causa é infecção pelo novo coronavírus. No mesmo período, no entanto, as sete prefeituras da região contabilizaram 160 vítimas fatais, diferença de 17% de mortes a mais do que o número oficial.

O professor de infectologia da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) Olavo Leite acredita que a diferença está no preenchimento do atestado de óbito para situações de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) que pode ser Covid-19 ou outras doenças. “Aparentemente, de 40% a 50% dos pacientes nesta situação (SRAG) os exames não foram feitos ou foram negativos para Covid-19 e outros vírus, mas com quadro clínico muito característico, ou seja, o diagnóstico foi clínico”, detalhou.

A certidão é emitida com base no atestado de óbito, que muitas vezes é feito antes que fique pronto o resultado do exame comprovando a contaminação. Os casos são apontados como suspeita de Covid-19 e estes documentos podem ser corrigidos posteriormente. As prefeituras, por sua vez, têm divulgado as mortes apenas quando recebem os resultados dos testes realizados.

O clínico geral Roberto Debski afirmou que é sabido que entre os dados notificados e os casos reais há grande diferença. “Muitos pesquisadores estimam que existe subnotificação e que os casos reais sejam, provavelmente, de dez a quinze vezes maiores do que os notificados”, citou. Debski destacou que em relação à certidão de óbito, o médico que assina não pode colocar como causa a Covid-19 a não ser que tenha em mãos os dados de um exame que comprove que o paciente era positivo e tenha morrido em decorrência de complicações devidas à ela. “Se o exame já tinha sido feito, mas ainda não estava disponível na hora do óbito, será feita correção”, esclareceu.

O médico destaca que quanto mais precisas e próximas à realidade forem as informações e notificações, mais preparadas estarão as autoridades sanitárias para lidar com a doença. “Todos que trabalham com a saúde têm feito grandes esforços para conseguir lidar com essa grave crise”, concluiu.

O pedido de retificação da certidão de óbito para inclusão ou retirada da causa por Covid-19 pode ser feita pelos familiares da vitima sem necessidade de ação judicial. A decisão vale para todos os cartórios do Estado, desde 17 de abril, e é preciso apresentar o resultado do exame. Será cobrada taxa para emissão da nova certidão.

RESPOSTAS
As prefeituras do Grande ABC reconhecem que há diferença nos dados de certidões de óbitos por Covid-19 e os números divulgados oficialmente.
Santo André diz que “após os resultados dos exames pendentes, ocorrerá a revisão de protocolos pelo Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde, no sentido de revisar as declarações de óbitos processadas”.

São Bernardo informou que a vigilância epidemiológica faz a investigação e a análise baseadas na declaração de óbito e no sistema de mortalidade e que os dados dos óbitos podem ser alterados. Diadema destacou que a certidão de óbito emitida pelo cartório, por vezes, pode sair antes do resultado do teste. Mauá informou que os dados dos boletins são fornecidos pela vigilância epidemiológica do município.

As outras prefeituras não haviam respondido até fechamento desta edição. 


Região soma mais sete perdas pela doença

O Grande ABC registrou ontem mais sete mortes por causa da Covid-19 comparado ao dia anterior. Santo André, São Bernardo e Diadema computaram dois óbitos cada e a outra perda foi informada por Ribeirão Pires. Assim, a região acumula 185 baixas.

As vítimas fatais em Santo André são uma mulher, 50 anos, e um homem, 86, ambos com comorbidades. A cidade tem agora 57 óbitos. Em São Bernardo, as perdas são de uma mulher, 65, com doença hepática crônica, e um homem, 59, com doença de Chagas. A cidade conta com 58 mortes. Diadema registrou duas baixas, sem dar mais detalhes, e chega a 25 óbitos. Ribeirão Pires acumulou uma perda. Trata-se de idosa, 89, que tinha doença preexistente.


Em São Caetano, o número de infectados pela Covid-19 chegou a 393. Enquanto que em Rio Grande da Serra não houve alterações em relação a sexta-feira, ou seja, o município tem 27 casos e uma morte. 


Assim como aconteceu na sexta-feira, Mauá não havia atualizado os casos até o fechamento desta edição.


Já no Estado, foram computadas mais 75 mortes ontem, com isso já são 2.586 vítimas da doença, que atinge 150 cidades paulistas.

No Brasil, os números seguem assustadores. Apenas ontem foram registrados mais 421 óbitos em conta que já chega a 6.750 perdas. Já o número de casos bate na porta dos 100 mil. Apenas ontem foram computados 4.970 novos infectados e agora já são 96.559 pessoas na luta contra a doença. 

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