Política

Entrega do Piscinão do Paço corresponde a fim de uma novela


Terça-feira deve ser o capítulo final de uma das maiores novelas de obras públicas de São Bernardo. Está prevista para esse dia a entrega do Piscinão do Paço, classificado como maior intervenção antienchente do Brasil e que passou por atrasos, demissão de funcionários, auditoria e delações no âmbito da Operação Lava Jato.

O Piscinão do Paço foi anunciado pelo ex-prefeito Luiz Marinho (PT) no início de 2013 dentro de pacote de obras de combate às cheias denominado Drenar. Ele colocou o então secretário de Serviços Urbanos, Tarcisio Secoli (PT), como responsável pelo programa. O objetivo era impulsionar sua imagem para que ele fosse o candidato do governo à Prefeitura em 2016.

O Drenar consumiria R$ 636 milhões, sendo R$ 296 milhões destinados ao Piscinão do Paço. Boa parte do recurso viria do governo federal, que, no primeiro mandato de Marinho, desaguou verba na cidade. Marinho é afilhado político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, entre 2009 e 2010, houve coincidências de mandato.

Com Dilma Rousseff (PT) na Presidência, a relação da União com São Bernardo não foi mais a mesma. Em 2014, a crise econômica atingiu em cheio o País. O dinheiro outrora abundante rareou. Afetou o Piscinão do Paço. 

O ritmo das obras, que era acelerado, reduziu. Quando Marinho anunciou o projeto, houve resistência porque haveria destruição de um dos maiores patrimônios políticos de São Bernardo, a esplanada do Paço, que foi palco de protestos históricos contra a ditadura militar. O andamento da intervenção e a promessa de acabar com as enchentes da região central apaziguaram os críticos. A morosidade reascendeu a polêmica.

Em 2015, a OAS, responsável pelo Drenar, começou a demitir funcionários. Cerca de 200 foram dispensados. A alegação era a falta de recursos federais. A obra, que era para ser entregue em 2016, ano de eleição, ficaria para a próxima gestão. Além da rejeição ao petismo, Tarcisio sentiu na pele e nas ruas ter sido o padrinho de uma obra que não saiu do papel.

Orlando Morando (PSDB) assumiu a Prefeitura em 1º de janeiro de 2017. Determinou auditoria no contrato antes de retomar a intervenção. Ao mesmo tempo, o TCU (Tribunal de Contas da União) avançou em investigação dos gastos públicos. Em 2019, o órgão apontou sobrepreço de R$ 101 milhões nas despesas. O MPF (Ministério Público Federal) recebeu acusação formal contra os agentes públicos.

Um ano antes do relatório do TCU, o ex-presidente da OAS, o empresário Léo Pinheiro, delatou que, em troca de propinas pagas ao PT, negociou com Lula e Marinho vencer a licitação do piscinão. Os petistas negam as acusações.

A Prefeitura retomou as obras com verba da CAF (Confederação Andina de Fomento). Segundo o governo, foram utilizados 2,5 milhões de quilos de aço e 29 mil metros cúbicos de concreto. O piscinão terá capacidade para armazenar 220 milhões de litros de água. A nova esplanada, que será palco de shows na terça-feira, terá 24 mil metros quadrados.

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