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Faltam caixas d’água na região

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Crise hídrica eleva vendas do reservatório e deixa estoques esgotados; Anamaco aponta 48% de alta da demanda no Sudeste, recorde em 3 anos


Marina Teodoro
Especial para o Diário

08/02/2015 | 07:29


O morador da região que pretende trocar a caixa d’água por outra de litragem maior vai encontrar dificuldade. Em janeiro, de acordo com a Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), devido à crise hídrica, as vendas do produto foram as maiores dos últimos três anos. E o Grande ABC já sente o impacto dessa demanda aquecida: caixas d’água de 1.000 e 2.000 litros estão em falta nos comércios das sete cidades.

O monitor técnico andreense Gilberto Machado, 49 anos, está há duas semanas procurando reservatório maior para sua casa, mas ainda não encontrou o produto à pronta entrega. “Fui várias vezes procurar modelo de 2.000 litros, mas está em falta. Muitas lojas oferecem a encomenda do produto, mas isso leva prazo de, no mínimo, 30 dias. E eu não queria esperar tudo isso”, contou.

Machado, que possui em sua casa caixa d’água de 750 litros, já tinha intenção de, um dia, trocar por uma maior, mas não pretendia fazer isso agora. “Mudei de ideia por conta da crise. Somos em cinco pessoas aqui em casa, e como já estamos enfrentando racionamento, ficamos com medo de ser pegos desprevenidos.”

De acordo com pesquisa realizada pelo Diário enquanto consumidor, as caixas d’água de 1.000 a 2.000 litros na Dicico estavam em falta em todo o estoque da região, e não somente na loja de Santo André, com apenas dois modelos para entrega prevista em 3 de abril. A unidade da Leroy Merlin em São Caetano também oferecia poucos modelos, mas somente sob encomenda, e para março. Já a central de vendas da Telhanorte informou que o estoque estava esgotado. A Copafer, de Santo André, declarou apenas não ter as litragens solicitadas.

O OUTRO LADO - Procurados pela reportagem, a empresa Telhanorte não concedeu entrevista. Já a Leroy Merlin informou que tem recebido cargas periódicas de caixas d’água. E devido à maior procura, os estoques estão sendo renovados semanalmente.

A Dicico também respondeu que continua sendo abastecida e, no caso de estoque esgotado, o cliente poderá encomendar o produto com entrega “em alguns dias”.

O diretor da distribuidora de materiais de construção andreense Copafer, Allan Bonucci,disse desconhecer a informação dita pelo vendedor e afirma que, “mesmo com a demanda absurda, o produto não chegou a faltar no estoque”.

Bonucci também comentou que, neste mês, a procura subiu dez vezes em relação ao mesmo período do ano passado. “Sentimos a alta nas vendas quando ouviu-se falar de possível racionamento de cinco por dois”, lembrou, referindo-se à declaração feita pelo diretor da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Paulo Massato Yoshimoto, em 27 de janeiro, quando comentou que poderia haver rodízio de cinco dias sem água por semana nas regiões abastecidas pela companhia.

O diretor de varejo da fabricante de reservatórios hídricos Acqualimp, Vinicius Ramos, que fornece caixas d’água para lojas da região, reconheceu que a demanda inesperada prejudicou a produção do material. “O crescimento extra das vendas surtiu efeito na indústria, que pode demorar um pouco para se ajustar aos pedidos”, justificou Ramos, que prevê normalização do abastecimento do item no mercado nos próximos 30 dias.

Segundo o presidente da Anamaco, Cláudio Conz, o setor de caixas d’água e telhas de fibrocimento teve aumento 48% na região Sudeste, sendo fortemente influenciado pelo risco de racionamento de água. “Trata-se do maior percentual de lojistas com aumento de vendas desses produtos no mês de janeiro, se compararmos os últimos três anos.”

INFLAÇÃO - O preço do produto também aumentou. De acordo com a assistente administrativa de Santo André Vera Lucia de Ávila, 53, que está à procura de caixa d’água de 1.500 a 2.000 litros, há algumas semanas ela chegou a encontrar o item por cerca de R$ 650 mas, agora, o valor aumentou. “No site da mesma loja vi por R$ 1.460”.

Vera, que mora com a família composta por quatro pessoas, quer ampliar a litragem por medo de não ter estoque para os dias de racionamento. “A gente sabe que, se tiver rodízio, não serão só os dias previstos. Até normalizar a distribuição, pode demorar.”

O professor de Engenharia Mecânica da FEI e mestre em hidráulica, Jorge Giroldo, alertou que é preciso ter cuidado com os exageros. “Em situação normal, uma pessoa consumia 180 litros de água por dia. Com a falta, esse número reduziu para 120 litros. Portanto, uma família de quatro pessoas não precisa comprar reservatório maior que 1.000 litros, que é suficiente para dois dias de seca.”


Água da chuva vira opção para economizar

Com o medo do rodízios de abastecimento de água na região, os moradores começam a estocar o líquido para não ficarem sem alternativa, caso o racionamento dure mais do que o previsto.

De acordo com o professor de Engenharia Mecânica da FEI, Jorge Giroldo, é preciso ter cuidado na hora de estocar. “Não faz sentido reservar a água que vem direto da rede de distribuição. Se todos pensarem assim, a crise hídrica pode se tornar ainda maior.”

O professor aconselha que, para armazenamento, o ideal é coletar água da chuva ou de reúso em baldes ou tambores.

A vendedora Betina Guimarães, 48, de São Bernardo, diz estar preocupada com o possível rodízio. “Ficamos desesperados porque vemos que a situação só tende a piorar”.

Betina usa caixa d’água de 1.000 litros, como reservatório para água da chuva. “Coloco também a água que sobra da máquina. Depois, uso para lavar o chão de casa.”

Giroldo comenta que o consumidor que adotar essas medidas pode perceber economia de até 30% no consumo.

Esse foi o principal motivo pelo qual o analista de telecom andreense Alexandre Valter Baptista, 39, se interessou e criou sistema de reserva de água da chuva que coleta o líquido direto do telhado.

“Comprei calha, tubulação, barril, suporte para ele e tela de proteção para evitar mosquitos, como o da dengue, além de outras impurezas. Então adaptei projeto à minha casa, de acordo com o que tinha pesquisado na internet.”

O barril suporta 220 litros e, de acordo com Baptista, seu custo foi cerca de R$ 130. “Já percebi economia de 10% no total do consumo na minha casa, e de acordo com as minhas contas, faltam dois ciclos (quando o reservatório enche) para que o investimento ‘se pague’.”

A água armazenada é utilizada nas tarefas domésticas, como lavar o quintal, aguar as plantas e lavar o carro. 



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