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Violência impede reconstrução de mausoléu xiita no Iraque


Da AFP

21/05/2007 | 12:54


Os trabalhos de reconstrução do mausoléu xiita de Samarra estão paralisados por falta de segurança. Há mais de um ano, o ataque ao templo provocou uma explosão de violência religiosa entre sunitas e xiitas iraquianos.

Coberta por ouro, a enorme cúpula da mesquita de Samarra abriga os túmulos de Ali al-Madi e de Hassan al-Askari, 10º e 11º primeiro imãs xiitas. O templo serve também como lugar de peregrinação e veneração para os fiéis desta ramificação do islã, numa cidade majoritariamente sunita, 120 km ao norte de Bagdá.

Desde que foi dinamitada em fevereiro de 2006, a cúpula está em ruínas. As cerâmicas azuis cobertas com caligrafias árabes são agora inacessíveis ao público, atrás das pesadas portas de madeira da mesquita.

"Os xiitas sempre vieram aqui. Vinham aos nossos lugares de peregrinação e nós íamos aos seus. Éramos os mesmos, todos filhos de Adão", lembrou Abu Mahmud, morador da região.

"Nunca houve tantos peregrinos como depois da invasão (americana em 2003), mas depois da explosão, já não há mais", lamentou.

Os americanos e as autoridades iraquianas atribuem o atentado a Haitham al-Badri, um homem da região afiliado, segundo eles, ao braço iraquiano da Al Qaeda. Para alguns habitantes da cidade, no entanto, a destruição teria sido obra de estrangeiros.

"É um trabalho profissional. Só podem ter sido os americanos ou os iranianos", afirmou Abu Abdalah, ex-funcionário do governo que atribui responsabilidade também ao governo iraquiano.

"Eu acredito que queriam provocar um conflito entre sunitas e xiitas", acrescentou.

Ainda que o governo tenha prometido reconstruir o santuário, precisaria antes restabelecer a ordem em uma cidade que vive constantemente sob a ameaça dos rebeldes.

Há alguns meses, o governo e os xeques locais pediram ajuda às Nações Unidas para a reconstrução. Um consórcio turco foi designado para começar os trabalhos, afirmou Mohamed Djelid, diretor m da Unesco no Iraque.

"Mas os turcos também pensam que é muito perigoso trabalhar aqui", revela um funcionário do governo iraquiano que pediu para não ser identificado.

"Há ameaças contra as pessoas que trabalham no projeto e têm muitos dentro e fora da cidade que não querem que a obra seja concluída", acrescentou a fonte.

"Queremos reconstruir a mesquita e as pessoas aqui precisam trabalhar, mas a situação quanto à segurança é cada dia pior", destacou Abu Mahmud.

O consórcio escolhido para a reconstrução deverá ainda garantir a segurança do lugar, enquanto o governo se ocuparia da cidade e da estrada principal que leva a Bagdá.

Porém, garantir a segurança de Samarra exigiria uma brigada policial adicional ou reforços de soldados, segundo um funcionário do governo iraquiano.

Os policiais em Samarra ameaçam deixar a capital porque são alvos freqüentes dos ataques rebeldes. A Al Qaeda, por sua vez, não se privaria de atacar todo o esforço de reconstrução.

Atualmente, a única força na cidade é a dos pára-quedistas americanos da 82º divisão de transporte aéreo, para quem os ricos portais e os balcões de madeira talhada de Samarra não são mais do que possíveis refúgios para franco-atiradores.


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Violência impede reconstrução de mausoléu xiita no Iraque

Da AFP

21/05/2007 | 12:54


Os trabalhos de reconstrução do mausoléu xiita de Samarra estão paralisados por falta de segurança. Há mais de um ano, o ataque ao templo provocou uma explosão de violência religiosa entre sunitas e xiitas iraquianos.

Coberta por ouro, a enorme cúpula da mesquita de Samarra abriga os túmulos de Ali al-Madi e de Hassan al-Askari, 10º e 11º primeiro imãs xiitas. O templo serve também como lugar de peregrinação e veneração para os fiéis desta ramificação do islã, numa cidade majoritariamente sunita, 120 km ao norte de Bagdá.

Desde que foi dinamitada em fevereiro de 2006, a cúpula está em ruínas. As cerâmicas azuis cobertas com caligrafias árabes são agora inacessíveis ao público, atrás das pesadas portas de madeira da mesquita.

"Os xiitas sempre vieram aqui. Vinham aos nossos lugares de peregrinação e nós íamos aos seus. Éramos os mesmos, todos filhos de Adão", lembrou Abu Mahmud, morador da região.

"Nunca houve tantos peregrinos como depois da invasão (americana em 2003), mas depois da explosão, já não há mais", lamentou.

Os americanos e as autoridades iraquianas atribuem o atentado a Haitham al-Badri, um homem da região afiliado, segundo eles, ao braço iraquiano da Al Qaeda. Para alguns habitantes da cidade, no entanto, a destruição teria sido obra de estrangeiros.

"É um trabalho profissional. Só podem ter sido os americanos ou os iranianos", afirmou Abu Abdalah, ex-funcionário do governo que atribui responsabilidade também ao governo iraquiano.

"Eu acredito que queriam provocar um conflito entre sunitas e xiitas", acrescentou.

Ainda que o governo tenha prometido reconstruir o santuário, precisaria antes restabelecer a ordem em uma cidade que vive constantemente sob a ameaça dos rebeldes.

Há alguns meses, o governo e os xeques locais pediram ajuda às Nações Unidas para a reconstrução. Um consórcio turco foi designado para começar os trabalhos, afirmou Mohamed Djelid, diretor m da Unesco no Iraque.

"Mas os turcos também pensam que é muito perigoso trabalhar aqui", revela um funcionário do governo iraquiano que pediu para não ser identificado.

"Há ameaças contra as pessoas que trabalham no projeto e têm muitos dentro e fora da cidade que não querem que a obra seja concluída", acrescentou a fonte.

"Queremos reconstruir a mesquita e as pessoas aqui precisam trabalhar, mas a situação quanto à segurança é cada dia pior", destacou Abu Mahmud.

O consórcio escolhido para a reconstrução deverá ainda garantir a segurança do lugar, enquanto o governo se ocuparia da cidade e da estrada principal que leva a Bagdá.

Porém, garantir a segurança de Samarra exigiria uma brigada policial adicional ou reforços de soldados, segundo um funcionário do governo iraquiano.

Os policiais em Samarra ameaçam deixar a capital porque são alvos freqüentes dos ataques rebeldes. A Al Qaeda, por sua vez, não se privaria de atacar todo o esforço de reconstrução.

Atualmente, a única força na cidade é a dos pára-quedistas americanos da 82º divisão de transporte aéreo, para quem os ricos portais e os balcões de madeira talhada de Samarra não são mais do que possíveis refúgios para franco-atiradores.

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