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Menor é melhor

Reduzir o número de parlamentares é essencial: não dá para trabalhar com 513 deputados federais e 81


Carlos Brickmann

02/10/2011 | 00:00


Reduzir o número de parlamentares é essencial: não dá para trabalhar com 513 deputados federais e 81 senadores (e isso enquanto não se criam novos Estados com novos cabides de empregos). O ganho de eficiência, sem perda de nenhum pedacinho de democracia, deveria se estender a todo o país, com a redução de pelo menos metade do número de deputados estaduais e vereadores.

Mas como fazer a reforma, se quem mexe na Constituição é exatamente o parlamentar interessado na maior quantidade possível de cadeiras, para facilitar sua reeleição? A criação do PSD, partido liderado pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab, abre campo para isso: a primeira proposta da nova legenda é uma Constituinte exclusiva, funcionando ao lado do Congresso, com a atribuição única de reformar a Constituição, formada apenas por quem não tem mandato político, e que não poderá candidatar-se nas eleições seguintes. Abre-se aí a possibilidade de, com pessoas que não tenham militância eleitoral, dar economicidade ao Congresso, às Assembléias e às mais de cinco mil câmaras de vereadores do país.

Não é só uma questão de economia (embora cada parlamentar a menos, com carros, secretárias, motoristas, assessores, 15 salários por ano, verbas para guarda-roupa, moradia, gasolina, passagens aéreas, telefonemas, um inacreditável volume de cópias xerox, novos edifícios que abriguem escritórios mais amplos e luxuosos, para manter equipes cada vez mais caras nas bases eleitorais, signifique uma boa poupança).

É questão de eficiência: menos gente, menos trombadas.

Ideologia poderzista

Muitos dos integrantes do novo PSD estão sendo acusados de não ter ideologia. Não têm. Mas César Maia, que foi secretário de Leonel Brizola e é hoje um dos caciques do DEM, é de esquerda ou direita? E Delfim Netto, que começou como imperador da economia no regime militar e virou conselheiro próximo do presidente Lula, qual sua ideologia? O próprio Lula, que se aliou a Paulo Maluf, dando a seu partido até um ministério, qual sua posição no espectro político?

O fim dos "inhos"

Com todos os defeitos que tenha e possa vir a ter, o PSD, ao esvaziar o DEM, provoca um bom efeito colateral: vai por pra trabalhar gente que nunca trabalhou. Muita gente não gostava do senador Antônio Carlos Magalhães, do ex-governador César Maia, do ex-presidente Tancredo Neves. Mas todos fizeram política com luz própria. Filhos e netos tentaram (sem muito êxito) viver do que sobrou dessa luz. O máximo que um deles conseguiu foi o apelido de Junior Baiano. O arrastão pessedista vai mostrar quem, dos herdeiros, pode voar sozinho.

A senhora de Santana

Há quase 50 anos, houve no Brasil um forte movimento moralista, que ficou conhecido como "senhoras de Santana". As referidas senhoras inspecionavam publicações, filmes, peças, músicas, para queixar-se de obscenidades - algumas das quais só elas viam. Foram responsáveis por frases históricas (como, pedindo o fim da minissaia, "ninguém levantará a saia da mulher mineira") e por incríveis regulamentações, como a que proibia revistas masculinas de publicar nus em que aparecessem os dois seios. Só podia um, sabe-se lá por que. Mas, através de uma camiseta molhada, transparente, podiam aparecer os dois.

Faz tanto tempo! Este colunista,veja só, lembra das Senhoras de Santana sempre que a secretária de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, tenta proibir o anúncio em que Giselle Bündchen aparece, comportadíssima, de calcinha e sutiã, com muito mais pano que boa parte dos biquínis à venda no país.

Separados ao nascer

O cartunista Laerte, da Folha, há algum tempo se veste de mulher. Veja em http://marligo.wordpress.com/2011/09/30/ministra-iriny-lopes-a-esquerda-e-o-querido-laerte-a-direita Parece irmão gêmeo da secretária Iriny Lopes.

Mas não faz mal, amigo Laerte: o importante é ter saúde.

Amigos irreconciliáveis

A fraterna disputa por legendas nas eleições do ano que vem acontece em todo o país. Ganha quem cravar mais fundo o punhal nas costas do melhor amigo. São Paulo é o grande espelho da guerra entre irmãos: no PT, o ministro Fernando Haddad e o ex-presidente Lula fazem o possível para derrubar Marta Suplicy, sua antiga aliada; no PMDB, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, já teve de ser advertido por Michel Temer de que é para suspender suas articulações, já que o candidato a prefeito será Gabriel Chalita. No PSDB, todos se uniram para dinamitar Bruno Covas (que ajudou muito, fazendo o que não devia: abriu a boca) e guerreiam entre si, mesmo sabendo que o candidato de verdade do governador Alckmin não será o do PSDB, mas o supostamente adversário Chalita.

Mas a luta era subterrânea. Agora o senador Aloysio Nunes resolveu reagir às punhaladas desferidas pelos aliados: acusou o PSDB de ignorá-lo no programa eleitoral gratuito. "Resolvi passar recibo publicamente porque sequer fui consultado a esse respeito. A propaganda do PSDB ignora também o líder político com a trajetória e o prestígio popular de José Serra. Vamos bem, assim..."

Claro que Serra também passou anos fingindo que nem sabia quem era Fernando Henrique.



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