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Perueiros reivindicam reajuste de 15%

Categoria conquistou 13,5% em 2011; agora sindicato dos
transportadores escolares ameaça greve, se não atingir meta


Vinicius Gorczeski
Do Diário do Grande ABC

13/02/2012 | 06:58


Os perueiros já planejam seus reajustes de salário. Para a data-base, marcada para maio, a expectativa é de conquistar forte aumento, da mesma forma como ocorreu em 2011. Ano em que o avanço atingiu cerca de 13,5% aos transportadores escolares vinculados ao Estado.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Instrutores em Auto Escolas e Empresas de Transporte Escolar da região, Cícero Carlos da Silva, garante que a pauta está em elaboração e deve ser entregue em março à classe patronal. Contudo, ele avisa que, caso não haja diálogos com os patrões, haverá paralisações. "Estamos crescendo, pedimos 15% e equiparação salarial para todos os motoristas, porque o piso é diferente", explica.

Apesar de parte dos 1.350 perueiros que levam crianças aos colégios no Grande ABC serem autônomos, outro grupo - o sindicalista não sabe precisar o volume - tem seus contratos reajustados dessa forma. As escolas também não mantêm contratos com os transportadores. A relação, segundo trabalhadores, é feita como uma "parceria". Os documentos de compromisso são assinados com os pais.

No caso dos autônomos, como a condutora Adriana Sant'ana, há seis anos na profissão, o aumento se dá de outra forma. Ela destaca que os reajustes nas mensalidades ocorrem anualmente com base na alta do combustível e do salário-mínimo, que neste ano cresceu 14,13%. Para não repassar valores altos em um ano e percentuais muito menores no seguinte, Adriana afirma que costuma encarecer a parcela em média de R$ 10 a cada 12 meses.

O piso do profissional depende do veículo que ele dirige. No caso de vans ou microônibus, o menor ganho será de R$ 783. Se o motorista optar por ônibus, o valor sobe a R$ 940. Para monitores e auxiliares, o piso é inferior, R$ 600.

Apesar de a convenção coletiva fixar os rendimentos mensais, os preços variam conforme o número de alunos. O fato de os pais contratarem o serviço de escola pública ou privada não faz tanta diferença no valor final. Isso ocorre porque a distância é o fator determinante na hora de os condutores cobrarem as mensalidades. Os valores também mudam dependendo da região. Mas, na média, flutua entre R$ 100 e R$ 150.

"Não escuto menos do que isso", garante Adriana. Já Marlene Borges Garcia, há 15 anos no ramo, destaca que não há cobrança padrão. "Muitas crianças estudam no centro, mas moram nas periferias da cidade, aí o preço é a combinar", frisa a condutora.

Profissionais da área veem salário recuar ano a ano

Com piso salarial baixo, os perueiros lutam para conquistar melhores salários. A condutora Adriana Sant'ana diz que os rendimentos no trabalho dependem de muitas influências. "Se a taxa de desemprego sobe ou recua, o salário acompanha." Isso ocorre porque o serviço está entre os primeiros eliminados nas despesas da família que está com as contas no vermelho. Ou se a mãe está desempregada, consegujndo levar os filhos na escola.

Há no Grande ABC 1.350 funcionários da categoria, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Instrutores em Auto Escolas e Empresas de Transporte Escolar da região, Cícero Carlos da Silva.

A cidade campeã de transportadores escolares é Santo André. O dirigente calcula que a cidade tenha 500 perueiros. "Mas muitos estão na informalidade porque a Prefeitura tem demorado a agilizar a emissão dos registros." Procurada, a administração andreense disse que as permissões são emitidas apenas para os transportadores escolares privados e autônomos. Os monitores, por sua vez, são subordinados a estes. O cadastro de monitores é livre. O transportador inclui no alvará a quantidade que achar necessária.EM

Outro ponto que atrapalha o profissional é que para substituir assentos individuais de microônibus para bancada maior, comportando mais crianças, o desembolso é pesado - cerca de R$ 7.000.

Adriana pondera que o investimento permitiria a inclusão de mais três crianças em seu carro, que hoje tem capacidade de transportar 14 estudantes. Porém, a motorista ressalva que, mesmo com a renda obtida dos lugares excedentes, o alto custo da alteração não compensaria. "É ainda pior quando se pensa que antes a bancada incluiria 25 alunos, e hoje só 17 crianças, sem contar o monitor e o ajudante do transportador", diz a profissional.

Apesar dos entraves, os perueiros dizem que, com esforço, garantem bons resultados. Marlene Borges Garcia adotou a bancada no veículo, com capacidade para 19 estudantes; com a redução ocorrida em agosto, foi obrigada a dispensar crianças para atingir o limite.



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