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CCSP engrossa coro antibélico com mostra


Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

23/03/2003 | 17:55


O ideal do Centro Cultural São Paulo ao programar a mostra Não à Guerra é engrossar a “corrente antiamericana”, como expressa o texto de apresentação do evento. Esse antiamericanismo é efeito da agressão disfarçada de guerra que os Estados Unidos impõem ao Iraque. A reflexão que o CCSP pretende fomentar deve ser menos efêmera do que a mostra, somente nesta segunda-feira, com entrada franca.

São sete filmes, curiosamente nenhum direta ou indiretamente sobre a primeira Guerra do Golfo. É fato que a produção disponível não ajuda, são pouquíssimas obras a se deter sobre o ataque de 1991. Duas delas são o drama de tribunal Coragem sob Fogo (1996), de Edward Zwick, e Três Reis (1999), comédia de David O. Russell que escarafuncha o cinismo capitalista.

A mostra descentraliza o discurso antibélico da Segunda Guerra ou do Vietnã, conflitos que atraíram o cinema mais do que qualquer outro. Sobre o embate causado pelas forças nazistas há duas fitas. Paisà (1946) representa o neo-realismo italiano, a perspectiva social em sua essência. Roberto Rossellini desfibra as conseqüências humanas da guerra, tira a importância da ação e a transplanta para a destruição e ruína da Itália pós-Mussolini. Outro sobre a Segunda Guerra é Além da Linha Vermelha (1998), de Terrence Malick. A matéria é a desgraça moral de soldados norte-americanos na tomada de Guadalcanal, no Oceano Pacífico.

O Vietnã, fraqueza histórica dos Estados Unidos, é a base sobre a qual Francis Ford Coppola faz o retrato da insanidade humana com Apocalypse Now Redux, reedição do revolucionário filme de 1979. Um coronel (Marlon Brando) se refugia no Camboja para criar uma sociedade alternativa e um capitão (Martin Sheen) é enviado para dar cabo dele. Coppola se sustenta em Joseph Conrad para firmar a oposição das utopias capitalista e anarquista. Há ainda Falcão Negro em Perigo (2001), em que Ridley Scott levanta as causas de uma fracassada missão norte-americana na Somália em 1993.

Correspondendo a Erich Maria Remarque – que em Nada de Novo no Front dizia que guerra se resume a comida e conversas de latrina –, estão programadas as comédias M.A.S.H. (1970), com Robert Altman carregando no humor negro o falar da Guerra da Coréia, e Dr. Fantástico (1964), paródia da paranóia da Guerra Fria via Stanley Kubrick. Para apertar o nó na garganta, Johnny Vai à Guerra (1971), sobre soldado que perdeu os membros na Primeira Guerra. Dalton Trumbo teria feito cinema do absurdo não fosse o esquartejamento em combate tão real.



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CCSP engrossa coro antibélico com mostra

Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

23/03/2003 | 17:55


O ideal do Centro Cultural São Paulo ao programar a mostra Não à Guerra é engrossar a “corrente antiamericana”, como expressa o texto de apresentação do evento. Esse antiamericanismo é efeito da agressão disfarçada de guerra que os Estados Unidos impõem ao Iraque. A reflexão que o CCSP pretende fomentar deve ser menos efêmera do que a mostra, somente nesta segunda-feira, com entrada franca.

São sete filmes, curiosamente nenhum direta ou indiretamente sobre a primeira Guerra do Golfo. É fato que a produção disponível não ajuda, são pouquíssimas obras a se deter sobre o ataque de 1991. Duas delas são o drama de tribunal Coragem sob Fogo (1996), de Edward Zwick, e Três Reis (1999), comédia de David O. Russell que escarafuncha o cinismo capitalista.

A mostra descentraliza o discurso antibélico da Segunda Guerra ou do Vietnã, conflitos que atraíram o cinema mais do que qualquer outro. Sobre o embate causado pelas forças nazistas há duas fitas. Paisà (1946) representa o neo-realismo italiano, a perspectiva social em sua essência. Roberto Rossellini desfibra as conseqüências humanas da guerra, tira a importância da ação e a transplanta para a destruição e ruína da Itália pós-Mussolini. Outro sobre a Segunda Guerra é Além da Linha Vermelha (1998), de Terrence Malick. A matéria é a desgraça moral de soldados norte-americanos na tomada de Guadalcanal, no Oceano Pacífico.

O Vietnã, fraqueza histórica dos Estados Unidos, é a base sobre a qual Francis Ford Coppola faz o retrato da insanidade humana com Apocalypse Now Redux, reedição do revolucionário filme de 1979. Um coronel (Marlon Brando) se refugia no Camboja para criar uma sociedade alternativa e um capitão (Martin Sheen) é enviado para dar cabo dele. Coppola se sustenta em Joseph Conrad para firmar a oposição das utopias capitalista e anarquista. Há ainda Falcão Negro em Perigo (2001), em que Ridley Scott levanta as causas de uma fracassada missão norte-americana na Somália em 1993.

Correspondendo a Erich Maria Remarque – que em Nada de Novo no Front dizia que guerra se resume a comida e conversas de latrina –, estão programadas as comédias M.A.S.H. (1970), com Robert Altman carregando no humor negro o falar da Guerra da Coréia, e Dr. Fantástico (1964), paródia da paranóia da Guerra Fria via Stanley Kubrick. Para apertar o nó na garganta, Johnny Vai à Guerra (1971), sobre soldado que perdeu os membros na Primeira Guerra. Dalton Trumbo teria feito cinema do absurdo não fosse o esquartejamento em combate tão real.

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