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'Luiz Marinho é o meu candidato preferido', afirma Lula


Rita Donato
Do Diário do Grande ABC

05/10/2008 | 07:00


Com a atenção voltada à eleição em São Bernardo, seu berço político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contrariou todas as especulações que atrelavam sua obsessão em reconquistar o Paço apenas à projeção da sigla. Em entrevista exclusiva ao Diário, o chefe da Nação esclareceu que seu empenho em eleger o "companheiro" Luiz Marinho (PT) está ligado ao "relacionamento pessoal" com o prefeiturável - que já comandou os ministérios da Previdência e do Trabalho. "Marinho é meu candidato preferido. Minha relação com ele extrapola os interesses eleitorais. Ele é como se fosse um filho."

O presidente recebeu a reportagem na tarde de ontem, após carreata que finalizou a campanha de Marinho. Em ambiente descontraído, durante almoço na casa do candidato a vice, Frank Aguiar (PTB), Lula evitou comentar o cenário na Capital paulista, onde Marta Suplicy oscilou negativamente e terá de enfrentar segundo turno, mas garantiu que seu interesse nas grandes metrópoles é inteiramente "político".

Embora não tenha dito literalmente que Marinho é o nome da legenda para disputar o governo do Estado, em 2010, o presidente afirmou que a cidade é "trampolim" para o futuro. "A partir de São Bernardo, tem um mundo aberto para as pessoas disputarem outros cargos. Mas nossa mente agora deve se fixar na Prefeitura."

O presidente se emocionou ao relembrar o rompimento com o ex-prefeito Maurício Soares - em 1992 - e comentar seu retorno à legenda, neste ano, para coordenar a campanha de Marinho. "Maurício é como um pai. Por bobagens internas e aprendizado na nossa convivência com a democracia ele saiu do PT e tivemos alguns anos de divergências, mas é com carinho imenso que o vejo de volta."

Sem poupar críticas à gestão do prefeito William Dib (PSB), o líder nacional do partido enfatizou a necessidade de investimento na periferia e prometeu trabalhar em sintonia com Marinho. "O que eu não pude fazer com o atual prefeito, que não gostava de ter relações com o governo federal para não ficar devendo favor, terei com o próximo governo para ver a melhora de São Bernardo."

Ao comentar o índice histórico de sua popularidade, Lula usou a constante metáfora entre política e futebol. "Um jogador que acaba de ser aplaudido porque fez um gol de bicicleta, passados 40 minutos pode ser vaiado se fizer uma burrice. Há momentos que você está bem e outros que você está mal."

DIÁRIO - Qual a importância em recuperar o poder em São Bernardo após 20 anos fora do comando?
LULA - As eleições de 2008 são importantes para o PT do Grande ABC, sobretudo em São Bernardo, que volta a ter um candidato que é a cara do povo. Quando elegemos Maurício, em 1988, era nossa primeira experiência eleitoral e foi proveitosa porque ele foi um grande prefeito. Depois, por incompreensões e disputas internas do PT, não foi possível fazer o sucessor do Maurício. Ele saiu do PT e passamos todos esses anos à procura de um candidato que tivesse a cara e a capacidade de fazer alianças boas. Demoramos todos esses anos (para encontrar o prefeiturável ideal), Maurício foi reeleito outras duas vezes por outros partidos, fizemos aliança com ele e depois não quisemos participar do governo. Mas agora, Marinho é a volta do PT ao poder com uma aliança competente. A figura dele e do Frank dá a cara da modernidade, da juventude e da experiência de São Bernardo.

DIÁRIO - O PT se mobilizou e cresceu na região mostrando chances reais de conquistar quatro prefeituras. Qual foi a mudança estratégica?
LULA - Organização e otimismo. Manter o comando em Diadema e Santo André e reconquistar Mauá são extremamente importantes, mas ganhar em São Bernardo é extraordinário. Por isso, estou otimista no governo de Marinho. Disse que tinha muita dúvida de ele sair do ministério (da Previdência), mas ele tinha compromissos aqui, com as pessoas e partidos. Quando ele me disse que conseguiria fazer a aliança e trazer o Frank de vice, foi extraordinário, além disso, conseguiu uma proeza fantástica de trazer o Maurício de volta.

DIÁRIO - Porque o retorno de Maurício Soares é essencial à sigla? O sr. acredita que o ex-prefeito foi predominante para a ascensão do PT nesta eleição?
LULA - É motivo de orgulho seu retorno, porque Maurício é como um pai para mim. O primeiro discurso que fiz na vida foi Maurício quem escreveu, as primeiras aulas sobre sindicalismo quem me deu foi o Maurício, eu sempre o tive como um companheiro de apreço extraordinário. Por bobagens internas e aprendizado na nossa convivência com a democracia o Maurício saiu do PT e tivemos alguns anos de divergências, mas é com carinho imenso que vejo Marinho o trazer de volta.

DIÁRIO - É notório que há empenho especial do sr. e da cúpula petista para reconquistar o Paço de São Bernardo. Há um motivo especial para isso?
LULA - Vou dizer o motivo especial da minha loucura pela eleição do Marinho: o conheci há 30 anos como peão da Volkswagen, quando eu era presidente do sindicato (dos Metalúrgicos), depois o conheci na presidência do sindicato, depois na CUT (Central Única dos Trabalhadores), depois como ministro, depois como pessoa. Eu até achei que ele ia se ofender quando eu disse que ele talvez fosse o presidente do sindicato com menos capacidade de oratória na porta de fábrica, mas o mais competente para organizar as pessoas e o trabalho. Ele provou exatamente isso, conseguiu construir a diretoria no sindicato e, no momento de crise, ele viajava para Alemanha, Estados Unidos para tentar conversar com as matrizes.

DIÁRIO - A vitória em São Bernardo está atrelada aos planos da sigla para 2010, tanto com relação à sucessão do Estado quanto da Presidência?
LULA - Na política, as coisas não acontecem assim. Quando as coisas acontecem repentinamente vira um desastre, como foi com o Fernando Collor (ex-presidente). São Bernardo é um trampolim extraordinário para que Marinho e Frank provem que têm capacidade de governar e recuperar essa cidade. Obviamente que quatro anos de mandato é um tempo muito curto para executar esse programa, mas eu tenho certeza que ele será reeleito prefeito. A partir de São Bernardo, tem um mundo aberto para as pessoas disputarem outros cargos. Mas nossa mente agora deve se fixar na Prefeitura.

DIÁRIO - A candidatura de Marta Suplicy, na Capital paulista, não seria mais estratégica do que a de Marinho? Por que o partido não intensificou o apoio agora e arriscou segundo turno na principal cidade do Estado?
LULA - Marinho é meu candidato preferido. Minha relação com Marinho não é política, é de família, extrapola os interesses eleitorais. Candidato você tem um monte, mas ter um companheiro como Marinho significa ter alguém ao lado em todos os momentos. Ele aceitou ser ministro no momento em que estávamos em crise política profunda. Minha preferência por São Paulo, Osasco, Guarulhos, Diadema, Santo André, Mauá é diferente, tem apenas importância política. Mas Marinho é como se fosse um filho, o pai gosta de todos, mas tem alguns extraordinários, e ele tem capacidade inigualável.

DIÁRIO - O empenho em garantir vitória no primeiro turno em São Bernardo e outras cidades da região significa que o presidente e a cúpula estarão livres para apoiar Marta no segundo turno?
LULA - Vai liberar todo mundo. Penso que São Bernardo estava precisando de um governo petista e meu desejo é ajudar a cidade nos dois anos que ainda terei (na Presidência). O que não pude fazer com o atual prefeito, que não gostava de ter relações com o governo federal para não ficar devendo favor, terei com o próximo governo para ver a melhora de São Bernardo. Aqui é onde nasceu meu filho, meus netos e bisnetos, tenho de cuidar com carinho, como cuido da minha casa. Entre a vitória e a posse, ele preparará os bons projetos e não precisará nem marcar audiência em Brasília, pode ir ao meu apartamento (na cidade) e me entregar para que eu possa dar a São Bernardo o apoio total que ela merece.

DIÁRIO - Pela primeira vez na história, o partido conseguiu agregar 11 siglas na aliança à sucessão da cidade. Com tantos aliados, sobrará espaço para todos atuarem no eventual governo?
LULA - Quando se faz uma campanha de coalizão, todos os partidos têm de estar no governo porque estabelece harmonia na cidade.

DIÁRIO - Na sua avaliação como morador, qual área necessita de mais atenção?
LULA - São Bernardo não merecia ter a periferia empobrecida que tem com o alto poder aquisitivo da cidade (orçamento de R$ 2,2 bilhões). Acontece que ao mesmo tempo em que a cidade, em 1980, transformou-se no auge da procura de empregos, esse povo teve piora na qualidade de vida e partiu para periferia. São Bernardo precisa de um programa para acabar com as favelas e transformá-las em bairros, com escolas, áreas de lazer, atenção profissional, fazer com que as pessoas se sintam dignas. Assim estamos fazendo com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Rio de Janeiro, São Paulo e no Nordeste. Acabaremos com o banditismo e crime organizado quando o Estado estiver presente nos bairros pobres, não com a polícia, mas com escola, emprego, cultura, espaço, lazer e dando dignidade às pessoas.

DIÁRIO - Na última pesquisa Diário/Ibope, seu governo é apontado por 72% da população são-bernardense como ótimo e bom. Como o sr. explica seu índice de popularidade?
LULA - Comparo muito política com futebol. Um jogador que acaba de ser aplaudido porque fez um gol de bicicleta, passados 40 minutos pode ser vaiado se fizer uma burrice. Política é a mesma coisa, há momentos que você está bem e outros que você está mal.

DIÁRIO - Qual avaliação o sr. faria do seu próprio governo?
LULA - Eu nunca conquistei nada de graça. Tudo que conquistei na política foi às custas de muito sacrifício, suor e lágrimas. Os pobres aprenderam que têm direito e que é possível conquistá-lo e o governo aprendeu a governar.



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