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Um é pouco, dois é bom, três é ótimo

O presidente Lula diz que não quer, mas pode ter certeza de que, como o gordo que recusa repetir o prato, basta insistir um pouco que aceita


Carlos Brickmann

03/05/2009 | 00:00


O presidente Lula diz que não quer, mas pode ter certeza de que, como o gordo que recusa repetir o prato, basta insistir um pouco que aceita. E há gente em volta de Lula que nem perde tempo em dizer que não quer: quer, sim, quer muito, acha que não há alternativa, e está trabalhando duro por um terceiro mandato.

É um golpe, um escândalo; mas também foi um golpe, um escândalo, a mudança da Constituição para permitir a reeleição do então presidente Fernando Henrique, e o eleitorado aceitou bem a manobra, elegendo-o no primeiro turno.

E não acredite nessa história de que o presidente Lula gostaria de ver eleito o candidato do PSDB, para que ele volte daí a quatro anos. Essas coisas não dão certo: Juscelino Kubitschek achava que, eleito aquele sujeito esquisito pela oposição, voltaria fácil quatro anos depois. Não conseguiu. Carlos Lacerda acreditava que o Exército derrubaria o presidente João Goulart e convocaria eleições, das quais ele seria vitorioso - só que os generais gostaram do poder e as eleições não vieram. Fernando Henrique passou o poder ao oposicionista Lula com todas as mesuras, pensando em voltar na crista da crise. Lula evitou a crise e ele ficou fora. É preciso combinar com gente demais, e sempre alguém muda de lado.

E quem disse que os companheiros do presidente querem ficar quatro anos sem emprego? Não: querem disputar as eleições para ganhar. E o candidato viável é um só, o próprio Lula. Ainda falta muito tempo e eles vão dar um jeito.

ÓI ELE AÍ TRA VEIZ
O ex-presidente Itamar Franco, hoje sem partido, deve filiar-se ao PPS mineiro. Segundo o bem-informado colunista Aziz Ahmed, do Jornal do Commercio, Itamar pretende sair para o Senado; mas o PPS gostaria de lançá-lo como vice de Serra. Aliás, Itamar também já acreditou em engenharia política: entrou no PMDB para ser candidato à sucessão de Fernando Henrique, e ficou sem nada.

A PAZ DO CASTELÃO
O deputado Edmar Moreira, aquele do castelo, está sendo julgado pelo Conselho de Ética. O relator é o deputado Sérgio Moraes, do PTB gaúcho - que ficou famoso pelas vitoriosas manobras que fez em defesa do deputado Paulinho da Força, do PDT paulista, ameaçado de cassação pelas acusações da Operação Santa Tereza, da Polícia Federal. Edmar também pode ficar tranquilo.

PENÚRIA FARDADA
A ordem é do Ministério da Defesa: as Forças Armadas têm de cortar 40% do orçamento. O problema é descobrir onde cortar: até o recrutamento foi reduzido ao mínimo, para poupar o dinheiro da comida e treinamento. Falta munição. Boa parte do equipamento é de segunda mão, como os caças Skyhawk comprados do Kuwait, ou o porta-aviões francês Foch, que iria para o desmonte mas veio para o Brasil como São Paulo. Uma história curiosa: o presidente Lula queria ir ao campo de Tupi, em alto-mar, para o início da extração de petróleo do pré-sal. Como o mar estava agitado, seria preciso usar o São Paulo. Mas o porta-aviões está quebrado. Lula teve de ficar em terra, festejando à distância, sem show.

ORANDO PELA ESCURIDÃO
Um grupo de saudosistas mandou rezar missa pelos 30 anos de morte do delegado Sérgio Fleury, expoente máximo dos grupos de tortura e extermínio que atuaram a serviço dos governos militares. Diz o texto do convite: "Uma homenagem póstuma a este profissional que deu tudo de si para impedir a tomada do Brasil pelos terroristas brasileiros comandados por Cuba e UUSS" (talvez seja URSS). Local: igreja Nossa Senhora de Fátima, av. Dr. Arnaldo, 1338, São Paulo, às 19h do dia 6 de maio. Uma boa biografia do delegado Fleury é Autópsia do Medo, de Percival de Souza. Conta (e documenta) histórias de arrepiar.

CLARO, CLARO
Lembra de João Carlos Zoghbi, aquele diretor do Senado que usou a babá velhinha como testa de ferro para abrir uma empresa que concedia crédito consignado aos funcionários da Casa? Pois é: descobriu-se que a empresa, a Contact, representava os quatro maiores bancos do País - mesmo sendo, conforme seus documentos, de propriedade de uma senhora idosa, sem outro patrimônio. Alguém acredita que Zoghbi agia sozinho, só com a ajuda de parentes e da babá, sem conhecimento e apoio de gente influente e com mandato no Senado? É difícil, né? Mas este colunista, imitando Barbara Gancia, aposta uma pizza virtual em Zoghbi. As coisas vão, as coisas voltam, e tudo terminará na santa paz.



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Um é pouco, dois é bom, três é ótimo

O presidente Lula diz que não quer, mas pode ter certeza de que, como o gordo que recusa repetir o prato, basta insistir um pouco que aceita

Carlos Brickmann

03/05/2009 | 00:00


O presidente Lula diz que não quer, mas pode ter certeza de que, como o gordo que recusa repetir o prato, basta insistir um pouco que aceita. E há gente em volta de Lula que nem perde tempo em dizer que não quer: quer, sim, quer muito, acha que não há alternativa, e está trabalhando duro por um terceiro mandato.

É um golpe, um escândalo; mas também foi um golpe, um escândalo, a mudança da Constituição para permitir a reeleição do então presidente Fernando Henrique, e o eleitorado aceitou bem a manobra, elegendo-o no primeiro turno.

E não acredite nessa história de que o presidente Lula gostaria de ver eleito o candidato do PSDB, para que ele volte daí a quatro anos. Essas coisas não dão certo: Juscelino Kubitschek achava que, eleito aquele sujeito esquisito pela oposição, voltaria fácil quatro anos depois. Não conseguiu. Carlos Lacerda acreditava que o Exército derrubaria o presidente João Goulart e convocaria eleições, das quais ele seria vitorioso - só que os generais gostaram do poder e as eleições não vieram. Fernando Henrique passou o poder ao oposicionista Lula com todas as mesuras, pensando em voltar na crista da crise. Lula evitou a crise e ele ficou fora. É preciso combinar com gente demais, e sempre alguém muda de lado.

E quem disse que os companheiros do presidente querem ficar quatro anos sem emprego? Não: querem disputar as eleições para ganhar. E o candidato viável é um só, o próprio Lula. Ainda falta muito tempo e eles vão dar um jeito.

ÓI ELE AÍ TRA VEIZ
O ex-presidente Itamar Franco, hoje sem partido, deve filiar-se ao PPS mineiro. Segundo o bem-informado colunista Aziz Ahmed, do Jornal do Commercio, Itamar pretende sair para o Senado; mas o PPS gostaria de lançá-lo como vice de Serra. Aliás, Itamar também já acreditou em engenharia política: entrou no PMDB para ser candidato à sucessão de Fernando Henrique, e ficou sem nada.

A PAZ DO CASTELÃO
O deputado Edmar Moreira, aquele do castelo, está sendo julgado pelo Conselho de Ética. O relator é o deputado Sérgio Moraes, do PTB gaúcho - que ficou famoso pelas vitoriosas manobras que fez em defesa do deputado Paulinho da Força, do PDT paulista, ameaçado de cassação pelas acusações da Operação Santa Tereza, da Polícia Federal. Edmar também pode ficar tranquilo.

PENÚRIA FARDADA
A ordem é do Ministério da Defesa: as Forças Armadas têm de cortar 40% do orçamento. O problema é descobrir onde cortar: até o recrutamento foi reduzido ao mínimo, para poupar o dinheiro da comida e treinamento. Falta munição. Boa parte do equipamento é de segunda mão, como os caças Skyhawk comprados do Kuwait, ou o porta-aviões francês Foch, que iria para o desmonte mas veio para o Brasil como São Paulo. Uma história curiosa: o presidente Lula queria ir ao campo de Tupi, em alto-mar, para o início da extração de petróleo do pré-sal. Como o mar estava agitado, seria preciso usar o São Paulo. Mas o porta-aviões está quebrado. Lula teve de ficar em terra, festejando à distância, sem show.

ORANDO PELA ESCURIDÃO
Um grupo de saudosistas mandou rezar missa pelos 30 anos de morte do delegado Sérgio Fleury, expoente máximo dos grupos de tortura e extermínio que atuaram a serviço dos governos militares. Diz o texto do convite: "Uma homenagem póstuma a este profissional que deu tudo de si para impedir a tomada do Brasil pelos terroristas brasileiros comandados por Cuba e UUSS" (talvez seja URSS). Local: igreja Nossa Senhora de Fátima, av. Dr. Arnaldo, 1338, São Paulo, às 19h do dia 6 de maio. Uma boa biografia do delegado Fleury é Autópsia do Medo, de Percival de Souza. Conta (e documenta) histórias de arrepiar.

CLARO, CLARO
Lembra de João Carlos Zoghbi, aquele diretor do Senado que usou a babá velhinha como testa de ferro para abrir uma empresa que concedia crédito consignado aos funcionários da Casa? Pois é: descobriu-se que a empresa, a Contact, representava os quatro maiores bancos do País - mesmo sendo, conforme seus documentos, de propriedade de uma senhora idosa, sem outro patrimônio. Alguém acredita que Zoghbi agia sozinho, só com a ajuda de parentes e da babá, sem conhecimento e apoio de gente influente e com mandato no Senado? É difícil, né? Mas este colunista, imitando Barbara Gancia, aposta uma pizza virtual em Zoghbi. As coisas vão, as coisas voltam, e tudo terminará na santa paz.

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