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Bancos elevam juros até
19 vezes mais que a Selic

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Entre as seis maiores instituições financeiras que
atendem as famílias, as públicas cobram menos


Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

30/09/2013 | 07:15


Treze dias após o BC (Banco Central) elevar a taxa básica de juros nacional de 8,5% ao ano para 9%, os seis maiores bancos subiram seus empréstimos pessoais bem mais do que o 0,5 ponto percentual da Selic. A diferença chegou a até 9,84 pontos percentuais, aumento que supera em 19 vezes o da Selic. Foram considerados para a análise a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e HSBC.
A Selic é a referência do custo de crédito. Por isso, os juros bancários acompanham os movimentos de alta ou queda da taxa. É a ferramenta que o governo federal tem para segurar ou afrouxar a oferta de empréstimos no País.

O pesquisador do Instituto Assaf Fabiano Guasti Lima, que ministra aulas na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, avaliou que a Selic é como a bandeirada do táxi. “Toda vez que sobe, todos os outros juros, como o custo da corrida, tendem a aumentar.”

Outro ponto que explica o maior aumento é a individualidade. “Os bancos fazem uma espécie de análise do histórico do cliente, o chamado rating, e se ele estiver com muitas dívidas ou até com registros de inadimplência, provavelmente os juros serão maiores.”

O BC deixa claro como descrição de seu levantamento que, “em uma mesma modalidade, as taxas de juros podem diferir entre clientes de uma mesma instituição financeira. Taxas de juros variam de acordo com fatores diversos, tais como o valor e a qualidade das garantias apresentadas na operação, a proporção do pagamento de entrada da operação, o histórico e a situação cadastral de cada cliente e o prazo da operação, entre outros”.

Conforme as informações do BC, o Bradesco teve a maior elevação de juros nos 13 dias, com alta de 9,84 pontos percentuais. A instituição financeira cobrou, entre os dias 5 e 11, em média, 81,14% ao ano, o mesmo que 5,08% ao mês, por seus empréstimos pessoais, excluindo os consignados. Na semana anterior à decisão de engorda da Selic, o banco taxou a operação em 71,3% ao ano, ou 4,59% ao mês.

Por sinal, a instituição também aparece na última pesquisa do Procon-SP, coletada no dia 3, com os maiores juros nos empréstimos pessoais. Segundo o levantamento, a média era de 107,46%. Este estudo considera prazo para liquidação de 12 meses, taxas máximas pré-fixadas para clientes não-preferenciais e independente do canal de contratação. O Bradesco não quis se manifestar sobre o assunto.

A Caixa, na outra ponta, apresentava a menor taxa de juros na listagem do BC. A instituição financeira pública cobrou de seus clientes, pelo empréstimo pessoal não consignado, em média 43,26% ao ano na semana encerrada no dia 11 (o banco reduziu seus juros em 0,26 ponto percentual). Gerente regional da Caixa, Edvaldo Contin pontua que “essa ação visa manter o banco com as menores tarifas do mercado, atrair novos clientes e valorizar os atuais.”

O professor de Finanças Mário Amigo, que ministra aulas na Saint Paul Escola de Negócios, Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e FIA (Fundação Instituto de Administração), avalia que as diferenças de juros dos bancos públicos, ante os privados, é estratégica. “É uma forma de o governo estimular o consumo.” Do ponto de vista de disputa de mercado, a disparidade entre os bancos tende a gerar melhores condições aos clientes, destacou o acadêmico.

GREVE - Em meio ao cenário de alta de juros aos empréstimos pessoais, os bancários entram hoje no 12º dia de greve pela campanha salarial. Até sexta-feira, 200 agências da região, 44% do total, estavam fechadas, com 2.430 trabalhadores de braços cruzados (33%). Apenas os atendimentos por canais eletrônicos estão disponíveis.

A paralisação, que já supera a do ano passado (com duração de nove dias), pleiteia aumento de 11,93%. Os bancos, entretanto, oferecem 6,1%. Hoje, a categoria realiza assembleia para definir os rumos da greve.
 



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Bancos elevam juros até
19 vezes mais que a Selic

Entre as seis maiores instituições financeiras que
atendem as famílias, as públicas cobram menos

Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

30/09/2013 | 07:15


Treze dias após o BC (Banco Central) elevar a taxa básica de juros nacional de 8,5% ao ano para 9%, os seis maiores bancos subiram seus empréstimos pessoais bem mais do que o 0,5 ponto percentual da Selic. A diferença chegou a até 9,84 pontos percentuais, aumento que supera em 19 vezes o da Selic. Foram considerados para a análise a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e HSBC.
A Selic é a referência do custo de crédito. Por isso, os juros bancários acompanham os movimentos de alta ou queda da taxa. É a ferramenta que o governo federal tem para segurar ou afrouxar a oferta de empréstimos no País.

O pesquisador do Instituto Assaf Fabiano Guasti Lima, que ministra aulas na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, avaliou que a Selic é como a bandeirada do táxi. “Toda vez que sobe, todos os outros juros, como o custo da corrida, tendem a aumentar.”

Outro ponto que explica o maior aumento é a individualidade. “Os bancos fazem uma espécie de análise do histórico do cliente, o chamado rating, e se ele estiver com muitas dívidas ou até com registros de inadimplência, provavelmente os juros serão maiores.”

O BC deixa claro como descrição de seu levantamento que, “em uma mesma modalidade, as taxas de juros podem diferir entre clientes de uma mesma instituição financeira. Taxas de juros variam de acordo com fatores diversos, tais como o valor e a qualidade das garantias apresentadas na operação, a proporção do pagamento de entrada da operação, o histórico e a situação cadastral de cada cliente e o prazo da operação, entre outros”.

Conforme as informações do BC, o Bradesco teve a maior elevação de juros nos 13 dias, com alta de 9,84 pontos percentuais. A instituição financeira cobrou, entre os dias 5 e 11, em média, 81,14% ao ano, o mesmo que 5,08% ao mês, por seus empréstimos pessoais, excluindo os consignados. Na semana anterior à decisão de engorda da Selic, o banco taxou a operação em 71,3% ao ano, ou 4,59% ao mês.

Por sinal, a instituição também aparece na última pesquisa do Procon-SP, coletada no dia 3, com os maiores juros nos empréstimos pessoais. Segundo o levantamento, a média era de 107,46%. Este estudo considera prazo para liquidação de 12 meses, taxas máximas pré-fixadas para clientes não-preferenciais e independente do canal de contratação. O Bradesco não quis se manifestar sobre o assunto.

A Caixa, na outra ponta, apresentava a menor taxa de juros na listagem do BC. A instituição financeira pública cobrou de seus clientes, pelo empréstimo pessoal não consignado, em média 43,26% ao ano na semana encerrada no dia 11 (o banco reduziu seus juros em 0,26 ponto percentual). Gerente regional da Caixa, Edvaldo Contin pontua que “essa ação visa manter o banco com as menores tarifas do mercado, atrair novos clientes e valorizar os atuais.”

O professor de Finanças Mário Amigo, que ministra aulas na Saint Paul Escola de Negócios, Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e FIA (Fundação Instituto de Administração), avalia que as diferenças de juros dos bancos públicos, ante os privados, é estratégica. “É uma forma de o governo estimular o consumo.” Do ponto de vista de disputa de mercado, a disparidade entre os bancos tende a gerar melhores condições aos clientes, destacou o acadêmico.

GREVE - Em meio ao cenário de alta de juros aos empréstimos pessoais, os bancários entram hoje no 12º dia de greve pela campanha salarial. Até sexta-feira, 200 agências da região, 44% do total, estavam fechadas, com 2.430 trabalhadores de braços cruzados (33%). Apenas os atendimentos por canais eletrônicos estão disponíveis.

A paralisação, que já supera a do ano passado (com duração de nove dias), pleiteia aumento de 11,93%. Os bancos, entretanto, oferecem 6,1%. Hoje, a categoria realiza assembleia para definir os rumos da greve.
 

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