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O futebol que atua em outro campo


Marco Borba
Do Diário do Grande ABC

16/04/2006 | 10:39


Criar uma ONG (Organização Não-Governamental) para atuar em outro campo: o social. Esse é o sonho do ex-preparador de goleiros da categoria sub-15 da Portuguesa de Desportos, Sérgio dos Santos, 34 anos, que há sete desenvolve trabalho voluntário como professor de futebol no Esporte Clube Rio Pequeno, em Rio Grande da Serra. Apesar do nome, o clube não tem razão social. O nome foi apenas uma maneira encontrada para dar identidade à escolinha, que atende cerca de 60 crianças carentes com idades entre 6 e 13 anos. As aulas ocorrem às sextas – nos períodos manhã e tarde – e aos sábados, das 14h às 17h, em um terreno de chão batido, situado em área pública, no Parque América. São os dois únicos dias disponíveis de Santos, que tira o sustento da família como técnico na Escolinha do Corinthians, em Ribeirão Pires.

Segundo o treinador, a idéia de ampliar o serviço voluntário surgiu de duas necessidades – a constatação da carência material dos jovens atletas e as exigências do Cref (Conselho Regional de Educação Física). “É muita burocracia. Para dar aulas, o Cref exige que a pessoa seja formada em Educação Física, faça cursos específicos para estar apto a ser professor, e constitua uma ONG, para desenvolver não só as aulas de futebol, mas também um trabalho social.”

Sem recursos para continuar os estudos, Santos não teve a oportunidade em sentar em uma cadeira na universidade. Fez cursos específicos exigidos pelo Cref na Fefisa, em Santo André, e na Federação Paulista de Futebol. “É difícil fazer trabalho voluntário no Brasil. Não consigo entender como no país do futebol ainda temos tantas dificuldades para conseguir uma parceria efetiva. É tão simples. Com apenas algumas horas de dedicação e duas bolas doadas, conseguimos fazer 60 crianças felizes.”

A falta de parceiros pode colocar o trabalho voluntário em risco. A escolinha conta apenas com as duas desgastadas bolas de futebol. O único uniforme de treino da meninada já apresenta os sinais do tempo. Alguns alunos estão indo a campo com a camisa do time predileto. Ao menos ali, corintianos, palmeirenses e são-paulinos ficam lado a lado em harmonia. “São filhos de gente humilde. Alguns meninos vêm treinar com a chuteira já desgastada. Nosso município não tem recursos. Creio que com um trabalho social, se tivéssemos apoio de empresas e outras entidades, garantiríamos a permanência desses meninos na escolinha.”

Ao discorrer sobre seus planos, é como se Santos se visse diante de um espelho. A exemplo dos meninos sob seu comando, tinha o sonho de se tornar jogador profissional. “Parei nas categorias de base. Joguei no Santo André e no Grêmio Mauaense, mas aos 17 anos tive de encerrar meus planos para trabalhar e ajudar a família.”

Apesar das dificuldades, o jovem professor busca no fôlego da garotada o ânimo para não “entregar o jogo” e, assim, continuar rabiscando planos futuros. A prioridade agora é inscrever os meninos na Copa Mercosul, que acontece em Itararé, no interior do Estado, de 16 a 23 de julho. O torneio vai reunir equipes ligadas a clubes amadores e profissionais, escolas e empresas.

As inscrições por clube custam R$ 1,4 mil. Segundo Santos, podem ser inscritas três equipes, nas categorias fraldinha, pré-mirim e mirim. “Vamos precisar de um patrocinador. Queremos levar as três categorias, mas as famílias não têm como bancar. Daria cerca de R$ 60 cada um. Pode parecer pouco, mas é muito pesado para a realidade das famílias desse meninos.”

Enquanto dribla as adversidades, Santos tenta levantar o moral da garotada com elogios e citando exemplos dos que já tiraram os pés do “barro” do campinho do Parque América. “Esse aqui (Jefferson Jesus da Silva, 11 anos) foi eleito pela Federação Paulista de Futsal, em 2005, o melhor jogador na categoria sub-11 e ganhou o troféu Tênis de Ouro. Se algum desses meninos seguir carreira um dia, também me sentirei realizado.”



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O futebol que atua em outro campo

Marco Borba
Do Diário do Grande ABC

16/04/2006 | 10:39


Criar uma ONG (Organização Não-Governamental) para atuar em outro campo: o social. Esse é o sonho do ex-preparador de goleiros da categoria sub-15 da Portuguesa de Desportos, Sérgio dos Santos, 34 anos, que há sete desenvolve trabalho voluntário como professor de futebol no Esporte Clube Rio Pequeno, em Rio Grande da Serra. Apesar do nome, o clube não tem razão social. O nome foi apenas uma maneira encontrada para dar identidade à escolinha, que atende cerca de 60 crianças carentes com idades entre 6 e 13 anos. As aulas ocorrem às sextas – nos períodos manhã e tarde – e aos sábados, das 14h às 17h, em um terreno de chão batido, situado em área pública, no Parque América. São os dois únicos dias disponíveis de Santos, que tira o sustento da família como técnico na Escolinha do Corinthians, em Ribeirão Pires.

Segundo o treinador, a idéia de ampliar o serviço voluntário surgiu de duas necessidades – a constatação da carência material dos jovens atletas e as exigências do Cref (Conselho Regional de Educação Física). “É muita burocracia. Para dar aulas, o Cref exige que a pessoa seja formada em Educação Física, faça cursos específicos para estar apto a ser professor, e constitua uma ONG, para desenvolver não só as aulas de futebol, mas também um trabalho social.”

Sem recursos para continuar os estudos, Santos não teve a oportunidade em sentar em uma cadeira na universidade. Fez cursos específicos exigidos pelo Cref na Fefisa, em Santo André, e na Federação Paulista de Futebol. “É difícil fazer trabalho voluntário no Brasil. Não consigo entender como no país do futebol ainda temos tantas dificuldades para conseguir uma parceria efetiva. É tão simples. Com apenas algumas horas de dedicação e duas bolas doadas, conseguimos fazer 60 crianças felizes.”

A falta de parceiros pode colocar o trabalho voluntário em risco. A escolinha conta apenas com as duas desgastadas bolas de futebol. O único uniforme de treino da meninada já apresenta os sinais do tempo. Alguns alunos estão indo a campo com a camisa do time predileto. Ao menos ali, corintianos, palmeirenses e são-paulinos ficam lado a lado em harmonia. “São filhos de gente humilde. Alguns meninos vêm treinar com a chuteira já desgastada. Nosso município não tem recursos. Creio que com um trabalho social, se tivéssemos apoio de empresas e outras entidades, garantiríamos a permanência desses meninos na escolinha.”

Ao discorrer sobre seus planos, é como se Santos se visse diante de um espelho. A exemplo dos meninos sob seu comando, tinha o sonho de se tornar jogador profissional. “Parei nas categorias de base. Joguei no Santo André e no Grêmio Mauaense, mas aos 17 anos tive de encerrar meus planos para trabalhar e ajudar a família.”

Apesar das dificuldades, o jovem professor busca no fôlego da garotada o ânimo para não “entregar o jogo” e, assim, continuar rabiscando planos futuros. A prioridade agora é inscrever os meninos na Copa Mercosul, que acontece em Itararé, no interior do Estado, de 16 a 23 de julho. O torneio vai reunir equipes ligadas a clubes amadores e profissionais, escolas e empresas.

As inscrições por clube custam R$ 1,4 mil. Segundo Santos, podem ser inscritas três equipes, nas categorias fraldinha, pré-mirim e mirim. “Vamos precisar de um patrocinador. Queremos levar as três categorias, mas as famílias não têm como bancar. Daria cerca de R$ 60 cada um. Pode parecer pouco, mas é muito pesado para a realidade das famílias desse meninos.”

Enquanto dribla as adversidades, Santos tenta levantar o moral da garotada com elogios e citando exemplos dos que já tiraram os pés do “barro” do campinho do Parque América. “Esse aqui (Jefferson Jesus da Silva, 11 anos) foi eleito pela Federação Paulista de Futsal, em 2005, o melhor jogador na categoria sub-11 e ganhou o troféu Tênis de Ouro. Se algum desses meninos seguir carreira um dia, também me sentirei realizado.”

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