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Brasil enfrenta entraves no cultivo de alimentos transgênicos


Do Diário do Grande ABC

29/11/2000 | 14:43


O Brasil, que exporta 80% de sua produçao de soja para a Europa, castigada no momento pela crise da ''Vaca Louca'', está tentado a cultivar transgênicos, mas enfrenta a resistência dos consumidores e ecologistas.

Para o ministro da Agricultura, Vinicius Pratini de Moraes, o Brasil, que deseja se tornar o maior fornecedor mundial de produtos agrícolas nos próximos dez anos, é suficientemente grande para ter plantaçoes comuns e de transgênicos.

''Oficialmente agora nao há plantios de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) no Brasil, entretanto, é difícil saber a porcentagem exata de plantios ilegais de soja no país'', declarou Mariana Paoli, representante do Greenpeace-Brasil.

No Rio Grande do Sul, dos quatro mil testes de controle de soja realizados em 1999 pelas autoridades locais, só 3,5% apresentaram contaminaçao transgênica, segundo Greenpeace.

Segundo a Secretaria de Agricultura do Estado, que nao quer a presença de transgênicos, estes graos modificados foram importados ilegalmente da Argentina, o único país da América Latina que permite o consumo de transgênicos.

A maioria dos outros testes realizados no Mato Grosso e Paraná, respectivamente o primeiro e segundo produtor de soja antes do Rio Grande do Sul, deram resultados negativos, segundo estudo do Greenpeace.

''Se instalou uma verdadeira moratória branca no Brasil contra os transgênicos'' , afirmou uma das responsáveis pela Comissao Técnica Nacional de Biosegurança (CTNBio), Simone Scholce.

Criada em 1995, a CTNBio possui 36 integrantes, incluindo pesquisadores, representantes do governo e da sociedade civil. A comissao está encarregada de fazer a análise científica dos transgênicos.

Entretanto, só o Ministério da Agricultura está habilitado a dar autorizaçao final para produçao comercial dos OGMs. Até agora, apenas as sementes de soja Round Up Ready, do grupo norte-americano Monsanto, e o milho para raçao animal (Novartis) receberam esta autorizaçao do ministério, segundo Sholce.

No entanto, Greenpeace e o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) entraram com uma açao na Justiça contra o plantio comercial de soja Round UP, alegando que nao se conhece os efeitos deste produto a longo prazo sobre a saúde e o meio ambiente. ''A discussao se situa agora a nível jurídico'', disse Sholce.

''A tendência é que o Brasil - segundo produtor mundial de soja - mantenha-se como um país livre de transgênicos, porque a Europa nao quer soja geneticamente modificada'', avalia a representante do Greenpeace.

Os ecologistas brasileiros apostam na preocupaçao dos consumidores europeus, sensibilizados pela crise da ''Vaca Louca'', para frear o lobby a favor dos transgênicos no país.

Um relatório feito pelo deputado Fernando Ferro (PT-PE) e ONGs, entre elas o Greenpeace, denuncia que ''o Brasil está se tornando um grande campo de experiência a ceú aberto do grupo Monsanto''.

De acordo com o relatório, há transgênicos plantados para fins experimentais em cerca de 792 hectares no Brasil. Deste total, 91,8% dos plantios sao da Monsanto (726,9 ha), segundo a mesma fonte.

Além disso, a Monsanto recebeu do governo federal cerca de 50% dos recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste, em torno de 289 milhoes de reais, para construir uma imensa fábrica de agrotóxicos em Salvador, caso que vem sendo estudado há alguns meses por uma comissao parlamentar de investigaçao.



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Brasil enfrenta entraves no cultivo de alimentos transgênicos

Do Diário do Grande ABC

29/11/2000 | 14:43


O Brasil, que exporta 80% de sua produçao de soja para a Europa, castigada no momento pela crise da ''Vaca Louca'', está tentado a cultivar transgênicos, mas enfrenta a resistência dos consumidores e ecologistas.

Para o ministro da Agricultura, Vinicius Pratini de Moraes, o Brasil, que deseja se tornar o maior fornecedor mundial de produtos agrícolas nos próximos dez anos, é suficientemente grande para ter plantaçoes comuns e de transgênicos.

''Oficialmente agora nao há plantios de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) no Brasil, entretanto, é difícil saber a porcentagem exata de plantios ilegais de soja no país'', declarou Mariana Paoli, representante do Greenpeace-Brasil.

No Rio Grande do Sul, dos quatro mil testes de controle de soja realizados em 1999 pelas autoridades locais, só 3,5% apresentaram contaminaçao transgênica, segundo Greenpeace.

Segundo a Secretaria de Agricultura do Estado, que nao quer a presença de transgênicos, estes graos modificados foram importados ilegalmente da Argentina, o único país da América Latina que permite o consumo de transgênicos.

A maioria dos outros testes realizados no Mato Grosso e Paraná, respectivamente o primeiro e segundo produtor de soja antes do Rio Grande do Sul, deram resultados negativos, segundo estudo do Greenpeace.

''Se instalou uma verdadeira moratória branca no Brasil contra os transgênicos'' , afirmou uma das responsáveis pela Comissao Técnica Nacional de Biosegurança (CTNBio), Simone Scholce.

Criada em 1995, a CTNBio possui 36 integrantes, incluindo pesquisadores, representantes do governo e da sociedade civil. A comissao está encarregada de fazer a análise científica dos transgênicos.

Entretanto, só o Ministério da Agricultura está habilitado a dar autorizaçao final para produçao comercial dos OGMs. Até agora, apenas as sementes de soja Round Up Ready, do grupo norte-americano Monsanto, e o milho para raçao animal (Novartis) receberam esta autorizaçao do ministério, segundo Sholce.

No entanto, Greenpeace e o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) entraram com uma açao na Justiça contra o plantio comercial de soja Round UP, alegando que nao se conhece os efeitos deste produto a longo prazo sobre a saúde e o meio ambiente. ''A discussao se situa agora a nível jurídico'', disse Sholce.

''A tendência é que o Brasil - segundo produtor mundial de soja - mantenha-se como um país livre de transgênicos, porque a Europa nao quer soja geneticamente modificada'', avalia a representante do Greenpeace.

Os ecologistas brasileiros apostam na preocupaçao dos consumidores europeus, sensibilizados pela crise da ''Vaca Louca'', para frear o lobby a favor dos transgênicos no país.

Um relatório feito pelo deputado Fernando Ferro (PT-PE) e ONGs, entre elas o Greenpeace, denuncia que ''o Brasil está se tornando um grande campo de experiência a ceú aberto do grupo Monsanto''.

De acordo com o relatório, há transgênicos plantados para fins experimentais em cerca de 792 hectares no Brasil. Deste total, 91,8% dos plantios sao da Monsanto (726,9 ha), segundo a mesma fonte.

Além disso, a Monsanto recebeu do governo federal cerca de 50% dos recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste, em torno de 289 milhoes de reais, para construir uma imensa fábrica de agrotóxicos em Salvador, caso que vem sendo estudado há alguns meses por uma comissao parlamentar de investigaçao.

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