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História de pescador fala sobre ‘monstro’ na Billings

Claudinei Plaza 1/6/2003 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Criatura estranha teria aparecido nas águas da represa na região do Rio Pequeno, em dezembro de 1975


Wilson Moço

21/01/2018 | 07:11


A Represa Billings, de 127 quilômetros quadrados, provavelmente é conhecida por toda a população do Grande ABC, mesmo por aquela parte que jamais esteve perto do reservatório. Também não resta a menor dúvida de que apenas uma minoria, principalmente moradores no entorno da represa – e ainda assim os mais antigos –, um dia ouviu falar sobre o aparecimento de um ‘monstro’ naquela imensidão de água, ou de outro que ficava às margens e emitia um som alto, estranho, que deixava a todos assustados (descobriu-se, depois de um tempo, que era apenas um sapo-boi). Ou ainda de uma bola de fogo que subia e estourava às margens de uma área conhecida como Perequê, por sinal, bem próxima de onde existia um cemitério antes da formação da Billings. Ou seja, por ali tem, sim, histórias de pescadores. Podem não ser muitas, mas existem.

A mais famosa é, de longe, a que conta sobre o aparecimento de um ‘monstro’ na área conhecida como Rio Pequeno e que ganhou páginas de jornais como o sensacionalista NP (o já extinto Notícias Populares), que na edição do dia 5 de dezembro de 1975 estampava a seguinte manchete: ‘Pescadores dizem que há um monstro na Billings’. A história passou a fazer parte de rodas de conversa, ganhou corpo e passou a assustar pescadores e frequentadores da represa.

Segundo a reportagem, o pescador e barqueiro Assendino Adão de Souza e seu ajudante José Silva foram os primeiros a ter contato com o ‘monstro’. Como prova, mostrou sua rede de dez metros de comprimento com enorme rombo, que teria sido causado pelo bicho estranho, de dorso prateado e com a pata parecida com “a mão de um jacaré”. A partir daí, foram várias reportagens recheadas de histórias cada vez mais cheias de detalhes. Mas, assim como surgiu, desapareceu. Pelo menos até 1980, quando a história ressurgiu em outra manchete do jornal, com o título ‘Monstro verde aterroriza pescadores da Billings’.

Verdade ou apenas história de pescador? Cláudio e seu irmão Rubens Antoniassi, que à época eram donos de bar flutuante localizado no km 35,5 da Estrada Velha do Mar, conhecem bem a história do ‘monstro’. Logo que perguntado, Cláudio ri e responde: “Pura história de pescador. Foi um funcionário nosso, o Assendino, quem inventou”, diz o hoje proprietário de farmácia e morador do bairro Terra Nova 2, em São Bernardo.

Rubens, que há 12 anos mora em Juruaia, pequena cidade no Sul de Minas Gerais, a princípio acha que o telefonema da equipe de reportagem é um trote, armado pelo irmão. Convencido de que se tratava de uma entrevista para esclarecer a história do ‘monstro’, emenda: “Acho que foi mesmo o Assendino. Deve ter tomado umas (cachaças) com cambuci e saiu com essa, que depois se espalhou e virou uma confusão, porque muitos pescadores começaram a contar a história e aumentar, ainda mais depois de umas cachaças. História de pescador, meu amigo”, diz Rubens, que morou 42 anos no Riacho Grande. 

ILHA NINHAL

A história que envolve a ilha conhecida como Ninhal bem que poderia ser história de pescador. Mas não é. Localizada no lado direito da Balsa João Basso, no sentido que vai do Riacho Grande para os bairros Tatetos e Santa Cruz, aquela porção de terra coberta de vegetação, boa parte árvores nativas da Mata Atlântica, foi escolhida por centenas de biguás como moradia. Ali faziam seus ninhos (daí o nome). Segundo se conta, para entrar na ilha só com guarda-chuva e capa, que serviam como proteção contra a enorme quantidade de fezes que as aves faziam despencar árvores abaixo.

A presidente da Colônia de Pescadores, Vanderléia Rochumback Dias, a Léa, que mora vizinha à ilha, lembra que as aves ficaram ali até que a vegetação foi dizimada. “Vieram de outra ilha, e já faz muitos anos que sumiram. Foram para alguma outra depois que as plantas acabaram. Acho que de tanto cocô que fizeram”, arrisca, rindo. E aponta para a Ilha Ninhal, que aos poucos volta a abrigar exuberante vegetação e onde é possível ouvir o canto de pássaros que ali encontram refúgio e alimento. 



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