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Bruno Daniel agoniza
e envergonha a região


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

15/04/2011 | 07:05


Os problemas são conhecidos, mas no jogo entre Santo André e Palmeiras, na noite de quarta-feira, ficou evidenciado ainda mais o descaso ao qual está entregue o Estádio Bruno Daniel. Gramado em péssimas condições, cadeiras cobertas interditadas em razão do estado de conservação da marquise, poucos lugares para imprensa e muita, mas muita improvisação.

Esse foi o triste e vexatório cenário transmitido ao vivo para todo o Brasil, que envergonha esportistas, torcedores e munícipes. Mas não a Prefeitura, que segue calada - procurada ontem pelo Diário, mais uma vez não respondeu. E o vexame terá posseguimento no domingo, quando o rebaixado Ramalhão enfrenta o Corinthians, na última rodada da fase de classificação do Campeonato Paulista.

Inaugurado em 1969, o estádio sofre com a ação do tempo. Medidas preventivas que poderiam ser tomadas, são apenas paliativas e nenhuma obra, de fato, jamais foi realizada estruturalmente. Tanto que alagamentos nas partes baixas como vestiários e administração ainda ocorrem em dias de chuvas volumosas.

Além disso, em razão da má conservação da marquise sobre as cadeiras cobertas o Ministério Público interditou o estádio no início deste ano, prejudicando o Santo André em duas rodadas do Paulistão. A liberação parcial veio apenas em fevereiro e limitou à capacidade, de quase 15 mil lugares, para apenas 8.000.

O próprio gramado passou pela última grande intervenção para a Copa Libertadores de 2005. Desde lá, ficou sob cuidados especiais de empresas especializadas, mas o contrato com a última encerrou-se no fim do ano.

Desde então, funcionários da Prefeitura, que não têm conhecimento, preparo ou material voltado para o esporte, fazem o serviço.

"Na minha época o campo não era assim. Ontem (quarta-feira), as laterais estavam péssimas, com muita lama. A perna ficava três vezes mais pesada", disse o ex-andreense Cicinho, hoje no Palmeiras.

"Quando reclamo, me chamam de chato, mas vocês todos estão vendo, todo dia noticiando, eles não querem mudar porcaria nenhuma. Entretanto vamos esperar o que um dia vai acontecer. O Corinthians vai jogar aqui domingo, aí gostaria que perguntassem isso a eles", exclamou o técnico Luiz Felipe Scolari.

Diretor do Ramalhão durante 16 anos, o gerente de futebol do Verdão, Sérgio do Prado, lamentou as condições do Bruno Daniel. "O estádio nunca esteve tão ruim, em estado tão deprimente. Está abandonado, o campo em nível de várzea, cheio de irregularidades, areia, toceiras e pragas. Vi com tristeza essa situação. É deprimente para uma cidade como Santo André passar por uma situação vexatória perante imprensa do Brasil todo", disse.

 

Responsáveis correm contra o tempo para que cenas não se repitam

 

As lamentáveis cenas de quarta-feira, no confronto entre Santo André e Palmeiras pela Copa do Brasil, têm tudo para se repetir no domingo, quando o Ramalhão recebe o Corinthians pela última rodada do Campeonato Paulista. O gramado não tem como ser recuperado a tempo, o local de trabalho da imprensa está em estudo para ser realizado de forma diferente, mas a marquise seguirá sem o aval de liberação.

Funcionários da Prefeitura ainda tentaram ontem cobrir ferragens e rachaduras em busca de aprovação por parte do Ministério Público e da FPF (Federação Paulista de Futebol). No entanto, segundo informações passadas pelo vice presidente do departamento de competições da Federação, Coronel Isidro Suita Martinez, ao Santo André, a promotoria de Justiça do Consumidor vai manter a decisão de interdição do setor. "O Coronel Suita nos disse que o promotor (Roberto Senise Lisboa) não voltará atrás. Ele também nos informou que a promotoria não aceita reparos na marquise, somente a reforma total. Mas não sei exatamente qual", afirmou o diretor de futebol do Santo André, Juraci Catarino.

Na terça-feira, véspera da partida contra o Palmeiras, Roberto Senise já havia se pronunciado e dado parecer semelhante sobre a não liberação do setor de cadeiras cobertas. Aliás, para a partida contra o Corinthians, o local não poderá servir sequer de estacionamento aos carros de jogadores, dirigentes e outros. Diante do Verdão, a imprensa escrita utilizaria das tribunas do local, mas foi retirada antes do apito inicial e transferida para um local inadequado e improvisado atrás de um dos gols por funcionário da FPF, um policial militar e o assessor de comunicação do Ramalhão.

Para a partida do Corinthians, os dirigentes do clube buscam medidas para acomodar todos os veículos de comunicação. "Vamos fazer adequações para corrigir a situação. Foi atípico, afinal era o único jogo em São Paulo e toda a imprensa se deslocou para cá. O Bruno (Daniel) não tem estrutura para receber tantos jornalistas. Mas domingo acredito que será possível acomodar a todos", afirmou Catarino, que desabafou. "Toda vez que recebemos grandes eventos temos esse tipo de crítica. É ruim, mas a realidade é essa", emendou.

Ao duelo de domingo, assim como contra o Palmeiras, 8.000 ingressos estarão à venda. A distribuição será a mesma: 6.000 aos corintianos e 2.000 aos andreenses, com valores a R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). As vendas iniciaram ontem e seguem hoje a partir das 11h nos estádios Bruno Daniel, Canindé, Anacleto Campanella, Pacaembu e Parque São Jorge, além do Ginásio de Barueri.

 

Gaúcho pode poupar atletas contra o Timão

 

O já consumado rebaixamento à Série A-2 do Campeonato Paulista e a crença na classificação às quartas de final da Copa do Brasil podem levar o Santo André a atuar com time misto ou reserva na partida de domingo, contra o Corinthians, no Estádio Bruno Daniel, no duelo válido pela última rodada do Estadual.

O foco do time está no jogo contra o Palmeiras, quinta-feira, no Pacaembu, que decide o destino na Copa do Brasil, e pode levar o técnico Sandro Gaúcho poupar alguns jogadores.

O goleiro Neneca, por exemplo, foi o único que jogou em todos as 23 partidas da temporada. Mesmo assim, nega querer descanso. "A preferência do jogador é sempre atuar. Vamos estudar essa situação com calma e ver a melhor decisão. Minha vontade é estar em campo, ainda mais contra o Corinthians, em jogo que todos querem. Mas vamos decidir com cautela", disse o camisa um andreense.

Pensando no desafio contra o Alviverde, Neneca segue confiante na classificação ramalhina. "É possível e temos de acreditar. Vemos vários casos de superação, de reversão de placar", disse.

Sobre o fato de ter defendido as duas penalidades de Kleber na partida, mas os gols terem saído logo depois, o goleiro se mostrou dividido. "Fico contente pelas duas defesas num jogo tão importante, mas triste por na sequência de ambos levar os gols", afirmou.

Em caso de vitória andreense no segundo jogo por 2 a 1 a decisão vai aos pênaltis e Neneca torce para isso. "Se isso acontecer, quem sabe possa pegar mais dois e a gente se classificar", concluiu.

 

Equipe conhece tabela e adversários da Série C Nacional

 

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) divulgou ontem os grupos e a tabela do Brasileiro da Série C e o Santo André conheceu os adversários na busca pelo acesso. O torneio será disputado entre 20 times divididos em quatro grupos de cinco, e realizado entre 16 de julho e 12 de novembro.

O Ramalhão integra o Grupo D ao lado de Brasil de Pelotas (RS), Caxias (RS), Joinville (SC) e Chapecoense (SC), chave considerada complicada pelo diretor de futebol Juraci Catarino. "Em nosso prognóstico entendi que ficaríamos nesse grupo, por ser regionalizado. São adversários difíceis, que têm a característica do campeonato, o estilo da Série C. Jogam pesado, duro e têm pegada. Mas como o início será em três meses, será importante para termos tempo maior para reformular o grupo com calma e critério."



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