Fechar
Publicidade

Quinta-Feira, 22 de Agosto

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

soraiapedrozo@dgabc.com.br | 4435-8057

Indústria faz maior demissão da história

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ministério do Trabalho aponta que setor encerrou
15.093 postos no Grande ABC só no ano passado


Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

24/01/2015 | 07:10


O setor automotivo da região viveu seu pior ano em 2014. Crédito mais restrito, Argentina com barreiras comercias fechadas e economia em desaceleração. Fatores que geraram resultados inferiores aos períodos anteriores e, naturalmente, impactaram no emprego de toda a indústria do Grande ABC, que reduziu em 15.093 o número de vagas.

Este é o pior resultado desde o início da série histórica do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), em 2003. E contribuiu ainda, em grande parte, para que o saldo de empregos da região encerrasse o ano passado negativo em 11.230 – igualmente o menor saldo de vagas, ou seja, contratações menos demissões com carteira assinada. Em 2009, quando a crise financeira mundial começou a interferir na economia brasileira, os industriais cortaram 9.661 postos de trabalho, antigo maior índice da série. Em 2012, atualmente terceiro pior resultado, foram 6.937 dispensas.

Por serem negativos, os montantes significam que as empresas dispensaram bem mais do que empregaram. A pesquisa leva em consideração todos os empregadores localizados na região, portanto, nem todos trabalhadores são moradores do Grande ABC. O MTE publicou os dados ontem.

“Já era de se esperar esse resultado, até em razão do histórico do ano. O setor automobilístico sofreu muito. A exportação para a Argentina (um dos principais compradores de veículos da região) teve uma drástica redução”, analisou o coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, Sandro Maskio.

O especialista destacou que o resultado fica mais acentuado porque, como as montadoras e os sistemistas compõem forte braço da indústria da região, todo o segmento de autopeças sofreu e impactou em outros ramos. “Isso puxa outros setores para baixo, caso de serviços. Aquele que faz transporte de cargas, como o cegonheiro, tem menos demanda, e também vai afetando quem depende desses negócios, caso de comércio e serviços em geral”, explicou Maskio.

As ondas proporcionadas pela maré vermelha do setor automotivo são nitidamente justificadas pela queda no faturamento das concessionárias da região. Conforme pesquisa exclusiva ao Diário da Fecomercio-SP, essas lojas tiveram receita, entre janeiro e outubro, 13,3% menor do que no mesmo período de 2013. “Em preços de novembro, o faturamento atingiu R$ 4,095 bilhões. Fora o fato de que em 2013 o consumo estava alto devido aos incentivos fiscais”, destacou o assessor econômico da entidade, Altamiro Carvalho.

As ramificações da crise na indústria, e das incertezas causadas pelas demissões durante o ano, geraram recuo de 7,7% na receita total do comércio varejista, atingindo, no acumulado dos dez primeiros meses de 2014, R$ 24,299 bilhões. “No resumo, os consumidores se sentiram desconfortáveis (com a crise)”, observou Carvalho, principalmente no que diz respeito ao comprometimento da renda futura, o crédito.

TOTAL - O ano passado encerrou com saldo negativo de 11.230 vagas, contra 9.530 positivas em 2013. Na mesma comparação, a indústria apresentou menos 15.093 postos, contra decréscimo de 1.687.

Com redução no faturamento, a tendência não era tão positiva para o comércio, que aumentou a folha de pagamento, no ano passado, em 1.330 vagas, contra alta de 2.850 em 2013 – ou seja, mais que o dobro. O mesmo ocorreu com as companhias de serviços, que empregaram 62% a menos, passando de 9.044 registros a mais em carteira em 2013 para 3.395 no ano passado. O mercado de construção, após desaceleração da demanda por imóveis em 2014, também teve resultado inferior, cortando 681 empregos, contra alta de 372 no ano anterior.

Apenas em dezembro, a região perdeu 8.489 postos de trabalho, tendo em vista que a indústria teve saldo negativo de 3.340, o comércio, 453, o setor de serviços, 3.215, e a construção, 1.299.


Associadas do Ciesp apontam resultado em linha com Caged

O resultado apresentado pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) está em linha com as informações de pesquisa do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) com suas associadas instaladas no Grande ABC. O levantamento apontou que essas companhias diminuíram o quadro de funcionários em 20.550 postos em 2014, formais e informais.

Conforme o Ciesp, foi o pior resultado de emprego de suas associadas, pelo menos, desde 2008. Desse ano até o fim de 2014, foram 37.742 cortes.

Segundo os dados do Caged, São Bernardo foi a cidade que mais reduziu o quadro de funcionários da indústria, com saldo negativo de 5.699 empregos. Em seguida aparece Diadema, com menos 4.244, e Mauá, com corte de 1.990 trabalhadores. 



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Indústria faz maior demissão da história

Ministério do Trabalho aponta que setor encerrou
15.093 postos no Grande ABC só no ano passado

Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

24/01/2015 | 07:10


O setor automotivo da região viveu seu pior ano em 2014. Crédito mais restrito, Argentina com barreiras comercias fechadas e economia em desaceleração. Fatores que geraram resultados inferiores aos períodos anteriores e, naturalmente, impactaram no emprego de toda a indústria do Grande ABC, que reduziu em 15.093 o número de vagas.

Este é o pior resultado desde o início da série histórica do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), em 2003. E contribuiu ainda, em grande parte, para que o saldo de empregos da região encerrasse o ano passado negativo em 11.230 – igualmente o menor saldo de vagas, ou seja, contratações menos demissões com carteira assinada. Em 2009, quando a crise financeira mundial começou a interferir na economia brasileira, os industriais cortaram 9.661 postos de trabalho, antigo maior índice da série. Em 2012, atualmente terceiro pior resultado, foram 6.937 dispensas.

Por serem negativos, os montantes significam que as empresas dispensaram bem mais do que empregaram. A pesquisa leva em consideração todos os empregadores localizados na região, portanto, nem todos trabalhadores são moradores do Grande ABC. O MTE publicou os dados ontem.

“Já era de se esperar esse resultado, até em razão do histórico do ano. O setor automobilístico sofreu muito. A exportação para a Argentina (um dos principais compradores de veículos da região) teve uma drástica redução”, analisou o coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, Sandro Maskio.

O especialista destacou que o resultado fica mais acentuado porque, como as montadoras e os sistemistas compõem forte braço da indústria da região, todo o segmento de autopeças sofreu e impactou em outros ramos. “Isso puxa outros setores para baixo, caso de serviços. Aquele que faz transporte de cargas, como o cegonheiro, tem menos demanda, e também vai afetando quem depende desses negócios, caso de comércio e serviços em geral”, explicou Maskio.

As ondas proporcionadas pela maré vermelha do setor automotivo são nitidamente justificadas pela queda no faturamento das concessionárias da região. Conforme pesquisa exclusiva ao Diário da Fecomercio-SP, essas lojas tiveram receita, entre janeiro e outubro, 13,3% menor do que no mesmo período de 2013. “Em preços de novembro, o faturamento atingiu R$ 4,095 bilhões. Fora o fato de que em 2013 o consumo estava alto devido aos incentivos fiscais”, destacou o assessor econômico da entidade, Altamiro Carvalho.

As ramificações da crise na indústria, e das incertezas causadas pelas demissões durante o ano, geraram recuo de 7,7% na receita total do comércio varejista, atingindo, no acumulado dos dez primeiros meses de 2014, R$ 24,299 bilhões. “No resumo, os consumidores se sentiram desconfortáveis (com a crise)”, observou Carvalho, principalmente no que diz respeito ao comprometimento da renda futura, o crédito.

TOTAL - O ano passado encerrou com saldo negativo de 11.230 vagas, contra 9.530 positivas em 2013. Na mesma comparação, a indústria apresentou menos 15.093 postos, contra decréscimo de 1.687.

Com redução no faturamento, a tendência não era tão positiva para o comércio, que aumentou a folha de pagamento, no ano passado, em 1.330 vagas, contra alta de 2.850 em 2013 – ou seja, mais que o dobro. O mesmo ocorreu com as companhias de serviços, que empregaram 62% a menos, passando de 9.044 registros a mais em carteira em 2013 para 3.395 no ano passado. O mercado de construção, após desaceleração da demanda por imóveis em 2014, também teve resultado inferior, cortando 681 empregos, contra alta de 372 no ano anterior.

Apenas em dezembro, a região perdeu 8.489 postos de trabalho, tendo em vista que a indústria teve saldo negativo de 3.340, o comércio, 453, o setor de serviços, 3.215, e a construção, 1.299.


Associadas do Ciesp apontam resultado em linha com Caged

O resultado apresentado pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) está em linha com as informações de pesquisa do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) com suas associadas instaladas no Grande ABC. O levantamento apontou que essas companhias diminuíram o quadro de funcionários em 20.550 postos em 2014, formais e informais.

Conforme o Ciesp, foi o pior resultado de emprego de suas associadas, pelo menos, desde 2008. Desse ano até o fim de 2014, foram 37.742 cortes.

Segundo os dados do Caged, São Bernardo foi a cidade que mais reduziu o quadro de funcionários da indústria, com saldo negativo de 5.699 empregos. Em seguida aparece Diadema, com menos 4.244, e Mauá, com corte de 1.990 trabalhadores. 

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;