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Grande ABC abriga hoje mais de 300 galpões ociosos

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Levantamento aponta que cenário é fruto da desindustrialização e falta de políticas públicas


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

14/02/2021 | 00:28


Resultado de décadas de desindustrialização, o Grande ABC coleciona galpões ociosos. Nas sete cidades, existem 308 espaços vazios, entre 5.000 m² (metros quadrados) e 1 milhão de m², que anteriormente abrigavam linhas de produção e centenas de trabalhadores. E este cenário pode se agravar ainda mais com a pandemia do novo coronavírus, devido ao avanço do uso da tecnologia, e da implantação da indústria 4.0.

O levantamento integra a dissertação de mestrado da economista Gisele Yamauchi, defendido pela Universidade São Judas Tadeu. A cidade que concentra maior parcela dos 308 depósitos sem utilização é São Bernardo, com 127 ou 41,2% do total (veja mais na arte abaixo). Segundo Gisele, o município sofreu mais por causa do tamanho e também por ser “o que mais detém a atividade industrial da região e, consequentemente, é a cidade que mais possui áreas industriais ociosas.”

Apesar disso, toda a região sofre com o mesmo problema, fruto do processo de desindustrialização enfrentado desde, pelo menos, 1989. Consolidado como um dos principais polos industriais do Estado, principalmente do setor automotivo, o Grande ABC vem assistindo à evasão ou encerramento de grandes empresas nas últimas décadas, entre elas: Nordon Indústrias Metalúrgicas, em Santo André, na década de 1990; Indústrias Matarazzo, de São Caetano, que fecharam em 1987; Porcelanas Schimidt, em Mauá, em 2012; Federal Mogul, de Diadema, em 2015; metalúrgica Mardell de Ribeirão Pires, em 2016; a Crioserv, especializada em manutenção industrial em Rio Grande da Serra, em 2018; e, o exemplo mais recente, a fábrica de caminhões da Ford de São Bernardo, em 2019.

Embora os galpões sejam privados, o ônus fica para a cidade, e essa que é a parte mais complicada quando se fala em gestão pública. Além de algumas estarem com impostos atrasados e nenhuma gerar mais atividade produtiva, trata-se de situação que virou questão urbana. Esses prédios podem ser palco de invasão e problemas sanitários”, afirmou Gisele. “Será que vamos ter que esperar outra montadora querer sair do Grande ABC para falar sobre este assunto urgente?”, questionou.

O levantamento da economista levou cerca de dois anos para ser concluído, com base em intensa pesquisa imobiliária e checagem in loco. Todo o trabalho foi orientado pela professora do programa de pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Judas Tadeu, Andréa de Oliveira Tourinho.

“É importante que isso seja tema de política pública dos municípios e de toda a região. A gente tem percebido que, apesar de o assunto restruturação produtiva estar batendo na porta, esta pauta não está presente na agenda regional como esteve em outros momentos”, assinalou. “O Grande ABC tem uma história tão bonita junto com a indústria. Não podemos olhar daqui a 50 anos e pensar no que poderia ter sido feito e não foi. É possível reverter essa situação com união para se discutir o problema. É fundamental a criação de um fórum e de um censo industrial.”

Consórcio já recebeu trabalho da economista sobre o assunto

O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, questionado sobre o assunto, afirmou que recebeu apresentação sobre os desafios atuais da indústria na região realizada pela economista Gisele Yamauchi, também turismóloga e mestre em Arquitetura e Urbanismo. “A pesquisadora expôs seu trabalho de pesquisa sobre as transformações econômicas nos territórios das sete cidades nos últimos 30 anos com o objetivo de identificar e dimensionar as áreas industriais ociosas atualmente disponíveis”, informou a entidade.

O Consórcio afirmou que atua para reforçar o diálogo entre poder público, universidades e setor privado. “A entidade regional conta com o Grupo de Trabalho Desenvolvimento Econômico, formado por representantes indicados pelos prefeitos dos municípios consorciados, e com o Grupo Técnico Universidades, que reúne instituições de ensino superior, tanto públicas quanto privadas, com o objetivo de ampliar o debate sobre temas que envolvem questões das sete cidades nas mais diferentes áreas”, assinalou, em nota.  



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Grande ABC abriga hoje mais de 300 galpões ociosos

Levantamento aponta que cenário é fruto da desindustrialização e falta de políticas públicas

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

14/02/2021 | 00:28


Resultado de décadas de desindustrialização, o Grande ABC coleciona galpões ociosos. Nas sete cidades, existem 308 espaços vazios, entre 5.000 m² (metros quadrados) e 1 milhão de m², que anteriormente abrigavam linhas de produção e centenas de trabalhadores. E este cenário pode se agravar ainda mais com a pandemia do novo coronavírus, devido ao avanço do uso da tecnologia, e da implantação da indústria 4.0.

O levantamento integra a dissertação de mestrado da economista Gisele Yamauchi, defendido pela Universidade São Judas Tadeu. A cidade que concentra maior parcela dos 308 depósitos sem utilização é São Bernardo, com 127 ou 41,2% do total (veja mais na arte abaixo). Segundo Gisele, o município sofreu mais por causa do tamanho e também por ser “o que mais detém a atividade industrial da região e, consequentemente, é a cidade que mais possui áreas industriais ociosas.”

Apesar disso, toda a região sofre com o mesmo problema, fruto do processo de desindustrialização enfrentado desde, pelo menos, 1989. Consolidado como um dos principais polos industriais do Estado, principalmente do setor automotivo, o Grande ABC vem assistindo à evasão ou encerramento de grandes empresas nas últimas décadas, entre elas: Nordon Indústrias Metalúrgicas, em Santo André, na década de 1990; Indústrias Matarazzo, de São Caetano, que fecharam em 1987; Porcelanas Schimidt, em Mauá, em 2012; Federal Mogul, de Diadema, em 2015; metalúrgica Mardell de Ribeirão Pires, em 2016; a Crioserv, especializada em manutenção industrial em Rio Grande da Serra, em 2018; e, o exemplo mais recente, a fábrica de caminhões da Ford de São Bernardo, em 2019.

Embora os galpões sejam privados, o ônus fica para a cidade, e essa que é a parte mais complicada quando se fala em gestão pública. Além de algumas estarem com impostos atrasados e nenhuma gerar mais atividade produtiva, trata-se de situação que virou questão urbana. Esses prédios podem ser palco de invasão e problemas sanitários”, afirmou Gisele. “Será que vamos ter que esperar outra montadora querer sair do Grande ABC para falar sobre este assunto urgente?”, questionou.

O levantamento da economista levou cerca de dois anos para ser concluído, com base em intensa pesquisa imobiliária e checagem in loco. Todo o trabalho foi orientado pela professora do programa de pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Judas Tadeu, Andréa de Oliveira Tourinho.

“É importante que isso seja tema de política pública dos municípios e de toda a região. A gente tem percebido que, apesar de o assunto restruturação produtiva estar batendo na porta, esta pauta não está presente na agenda regional como esteve em outros momentos”, assinalou. “O Grande ABC tem uma história tão bonita junto com a indústria. Não podemos olhar daqui a 50 anos e pensar no que poderia ter sido feito e não foi. É possível reverter essa situação com união para se discutir o problema. É fundamental a criação de um fórum e de um censo industrial.”

Consórcio já recebeu trabalho da economista sobre o assunto

O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, questionado sobre o assunto, afirmou que recebeu apresentação sobre os desafios atuais da indústria na região realizada pela economista Gisele Yamauchi, também turismóloga e mestre em Arquitetura e Urbanismo. “A pesquisadora expôs seu trabalho de pesquisa sobre as transformações econômicas nos territórios das sete cidades nos últimos 30 anos com o objetivo de identificar e dimensionar as áreas industriais ociosas atualmente disponíveis”, informou a entidade.

O Consórcio afirmou que atua para reforçar o diálogo entre poder público, universidades e setor privado. “A entidade regional conta com o Grupo de Trabalho Desenvolvimento Econômico, formado por representantes indicados pelos prefeitos dos municípios consorciados, e com o Grupo Técnico Universidades, que reúne instituições de ensino superior, tanto públicas quanto privadas, com o objetivo de ampliar o debate sobre temas que envolvem questões das sete cidades nas mais diferentes áreas”, assinalou, em nota.  

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