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Maioria dos obesos mórbidos que fazem fila por cirurgia tem hérnia


Leandro Calixto
Do Diário do Grande ABC

29/10/2005 | 08:26


A maioria das pessoas que estão na fila para fazer gratuitamente cirurgia para redução do estômago possui também hérnias. Quem garante é o presidente da Faculdade de Medicina da Fundação ABC, o médico Homero Neopomuceno Duarte. Foi devido ao fato de apresentar esse quadro, segundo argumenta a Secretaria Municipal de Saúde, que o motorista do prefeito de Santo André, João Avamileno (PT), acabou sendo operado no Centro Hospitalar Municipal sem precisar enfrentar uma fila de quase seis mil pessoas. Por causa do precedente aberto ao motorista José Roberto dos Santos, o Zezinho, a direção da unidade pública, que havia suspendido este tipo de operação desde o início do ano, informou que irá atender a partir de agora quem apresentar quadro clínico parecido com o do motorista.

"Como médico, posso garantir que a maioria das pessoas que apresenta um problema de obesidade, acaba desenvolvendo este quadro de hérnia. Então, geralmente quem faz operação de redução do estômago é por algum problema apresentado no surgimento de hérnia. Mas em muitos casos o paciente pode conviver com a hérnia a vida inteira", declarou o presidente da Fundação.

Embora prefira não detalhar minuciosamente o caso do motorista do prefeito por questão ética, o presidente da Fundação lembra que cada caso tem seu diagnóstico específico. "Depende se a patologia do paciente pode colocá-lo em algum riso. Por isso, toda cirurgia é uma decisão médica. Fica difícil comentar um caso que não conheço detalhadamente. Mas se houve um privilégio, o caso precisa ser apurado", completou o médico e presidente da Fundação.

Como a direção do Centro Hospitalar irá a partir de agora atender pessoas com o mesmo quadro do motorista do prefeito, o médico Homero Neupomuceno acredita que a partir do próximo ano, quando a Fundação abrirá novas matrículas para os interessados em fazer a cirurgia de redução de estômago, a espera será menor. Mas ele não soube precisar a porcentagem desta provável redução.

"Acredito que terá uma redução, sim. Além daqui (Fundação), o paciente irá se matricular lá (Centro Hospitalar) também. Onde sair primeiro a consulta, o paciente irá fazer a cirurgia. A população é que irá ganhar com esta nova opção", completou. Atualmente, o Hospital Anchieta faz em média seis cirurgias para redução de estômago por mês. O paciente enfrenta uma fila que pode durar até dois anos e meio.

A reportagem tentou falar com a Prefeitura de Santo André para comentar as declarações do presidente da Fundação e para saber se o Centro Hospitalar terá estrutura suficiente para atender a demanda. Mas como sexta-feira foi dia do Funcionário Público, ninguém foi localizado. O Diário também esteve no Centro Hospitalar, mas o clínico geral Remo Randi, responsável pelas cirurgias de hérnia, não foi encontrado.

Quase um mês após ter realizado a cirurgia para redução de estômago, o motorista José Roberto dos Santos continua afastado da Prefeitura de Santo André. A expectativa é que ele volte ao trabalho ainda na primeira quinzena de novembro. Sexta-feira, ele foi flagrado pela reportagem na sacada de sua casa, em Santo André. O Diário tentou, mais uma vez, falar com ele, mas ninguém atendeu ao telefone.



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