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Pinacoteca de São Paulo está pronta para Rodin


Everaldo Fioravante
Do Diário do Grande ABC

29/09/2001 | 15:20


A Pinacoteca do Estado, em São Paulo, expôs obras de Auguste Rodin (1840-1917) em 1995 e agitou o cenário paulistano das artes plásticas. Uma parcela do legado do escultor francês volta a ocupar o museu com a mostra Rodin – A Porta do Inferno, composta sobretudo por peças do acervo do Museu Rodin, em Paris, na França. A abertura para visitação é no próximo domingo (dia 7), com entrada franca.

Entre as 42 esculturas (em bronze, mármore, gesso, terracota e barro cozido), 16 são inéditas no país. Outras nove são da Pinacoteca. Uma é particularmente especial, e também inédita entre nós: A Porta do Inferno, um alto-relevo em gesso. É a grande obra do mestre, na qual ele trabalhou ininterruptamente por dez anos.

Com 6,3m de altura por 3,8m de largura, A Porta do Inferno foi encomendada em 1880. A inspiração para o trabalho é Inferno, a parte mais trágica e romântica do poema Divina Comédia, do florentino Dante Alighieri, datado do século XIV. “A obra de Dante fez muito sucesso na França do século XIX”, afirma Antoinette Le Normand-Romain, conservadora chefe de esculturas do Museu Rodin. O destino do monumento seria um museu de artes decorativas então em projeto em Paris, e que nunca foi construído.

Para a criação da escultura, após a elaboração de maquetes, Rodin montou uma estrutura de madeira na qual inseria um sem-número de figuras humanas (personagens do livro de Dante) elaboradas de forma independente. Em 1900, no entanto, expôs o trabalho em gesso e sem as figuras. “Ele gostava de reduzir as formas escultóricas ao essencial”, diz Antoinette.

Em 1917, ano da morte do escultor, Leónce Bénédite (o primeiro conservador do Museu Rodin) reconstituiu um modelo completo da obra a partir de provas dos moldes feitos por Rodin. Esse trabalho em gesso está no Museu d’Orsay, em Paris. O que está em São Paulo, de 1990, é uma réplica exata dessa versão dita completa. É o gesso de fundição, usado para a reprodução do trabalho em bronze. Em metal, existem hoje sete obras espalhadas pelo mundo.

Rodin sequer viu sua grande obra em bronze. Ele nem terminou o trabalho. Artista nato, modificava a composição a cada dia, em busca da melhor expressão. A Porta do Inferno é a origem de várias das célebres esculturas de Rodin, entre elas O Pensador (a popular figura do homem com o queixo apoiado na mão e cotovelo no joelho que simboliza Dante). Ugolino e Seus Filhos é outra. Segundo Antoinette, A Porta do Inferno resume todo o trabalho de Rodin, e sofreu influências da arquitetura gótica, da escultura antiga e de Michelangelo.

A mostra na Pinacoteca, com curadoria de Jacques Vilain, diretor do Museu Rodin, conta ainda com 25 desenhos (estudos de A Porta do Inferno) e dez fotografias que expressam a relação que o escultor tinha com o monumento. Para Antoinette, “Rodin abriu as vias da escultura do século XX”.



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Pinacoteca de São Paulo está pronta para Rodin

Everaldo Fioravante
Do Diário do Grande ABC

29/09/2001 | 15:20


A Pinacoteca do Estado, em São Paulo, expôs obras de Auguste Rodin (1840-1917) em 1995 e agitou o cenário paulistano das artes plásticas. Uma parcela do legado do escultor francês volta a ocupar o museu com a mostra Rodin – A Porta do Inferno, composta sobretudo por peças do acervo do Museu Rodin, em Paris, na França. A abertura para visitação é no próximo domingo (dia 7), com entrada franca.

Entre as 42 esculturas (em bronze, mármore, gesso, terracota e barro cozido), 16 são inéditas no país. Outras nove são da Pinacoteca. Uma é particularmente especial, e também inédita entre nós: A Porta do Inferno, um alto-relevo em gesso. É a grande obra do mestre, na qual ele trabalhou ininterruptamente por dez anos.

Com 6,3m de altura por 3,8m de largura, A Porta do Inferno foi encomendada em 1880. A inspiração para o trabalho é Inferno, a parte mais trágica e romântica do poema Divina Comédia, do florentino Dante Alighieri, datado do século XIV. “A obra de Dante fez muito sucesso na França do século XIX”, afirma Antoinette Le Normand-Romain, conservadora chefe de esculturas do Museu Rodin. O destino do monumento seria um museu de artes decorativas então em projeto em Paris, e que nunca foi construído.

Para a criação da escultura, após a elaboração de maquetes, Rodin montou uma estrutura de madeira na qual inseria um sem-número de figuras humanas (personagens do livro de Dante) elaboradas de forma independente. Em 1900, no entanto, expôs o trabalho em gesso e sem as figuras. “Ele gostava de reduzir as formas escultóricas ao essencial”, diz Antoinette.

Em 1917, ano da morte do escultor, Leónce Bénédite (o primeiro conservador do Museu Rodin) reconstituiu um modelo completo da obra a partir de provas dos moldes feitos por Rodin. Esse trabalho em gesso está no Museu d’Orsay, em Paris. O que está em São Paulo, de 1990, é uma réplica exata dessa versão dita completa. É o gesso de fundição, usado para a reprodução do trabalho em bronze. Em metal, existem hoje sete obras espalhadas pelo mundo.

Rodin sequer viu sua grande obra em bronze. Ele nem terminou o trabalho. Artista nato, modificava a composição a cada dia, em busca da melhor expressão. A Porta do Inferno é a origem de várias das célebres esculturas de Rodin, entre elas O Pensador (a popular figura do homem com o queixo apoiado na mão e cotovelo no joelho que simboliza Dante). Ugolino e Seus Filhos é outra. Segundo Antoinette, A Porta do Inferno resume todo o trabalho de Rodin, e sofreu influências da arquitetura gótica, da escultura antiga e de Michelangelo.

A mostra na Pinacoteca, com curadoria de Jacques Vilain, diretor do Museu Rodin, conta ainda com 25 desenhos (estudos de A Porta do Inferno) e dez fotografias que expressam a relação que o escultor tinha com o monumento. Para Antoinette, “Rodin abriu as vias da escultura do século XX”.

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