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Previsível, estréia 'O Chamado 2'


Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

24/03/2005 | 12:10


Não precisava ser Mãe Dinah para prever que O Chamado (2002) impulsionaria uma continuação, tamanha a repercussão que o filmete de terror – o diminutivo nada tem a ver com a duração da obra – encontrou nas bilheterias, arrecadando nos Estados Unidos o triplo de seu custo. Levou somente três anos para tal, como pode conferir o espectador a partir desta quinta-feira com as pré-estréias na região de O Chamado 2 – lançado oficialmente na sexta. Pode apostar seus cobres na previsibilidade da seqüência, porque ela é previsível, sim, em todos os sentidos.

Para assumir o número dois da série, que liderou as bilheterias norte-americanas na semana passada com arrecadação de US$ 36 milhões, veio Hideo Nakata, diretor japonês responsável por Ringu, o longa que deu origem à franquia norte-americana. O cineasta entra no balaio do que se tem considerado a renovação do terror em Hollywood, com a importação de enredos e profissionais japoneses, como Takashi Shimizu (de O Grito) e o próprio Nakata, também autor do Dark Water ora refilmado pelo brasileiro Walter Salles. Há quem vá xingar os ancestrais do crítico, pois O Chamado tem a seu favor um grande número de fãs, mas em nada resultou a troca de direção.

O problema não parece estar com o autor, mas com a insistência em parecer importante enquanto mistura de terror e de análise psicológica, erro comum a Nakata no segundo filme tanto quanto a Gore Verbinsky, responsável pelo original.

A jornalista Rachel Keller (Naomi Watts) reaparece como protagonista, ao lado do filho, Aidan (David Dorfman). Em O Chamado 2, abandonam a Seattle dos eventos anteriores em troca da pacata cidade de Astoria e lá, já nos informa a seqüência de abertura, algum desavisado assistiu a uma cópia da temida fita de vídeo que libera o fantasma de Samara (Kelly Stables). Rachel, evidentemente, se enredará com a assombração da menina que foi morta pela mãe e cuja figura tenebrosa, embalada por um emaranhado de cabelos da cor do breu, a credenciaria a ingressar na nova formação do Iron Maiden.

Nakata implanta aí uma prótese psicológica: Samara, carente, volta do além em busca de uma figura materna. Outra não poderia ser sua mãe postiça senão Rachel e, para cumprir seu intento, a assombração inicia a possessão do filho da jornalista. Para exorcizar sua cria, a protagonista promove uma pesquisa até chegar em Evelyn (Sissy Spacek, em participação especial), a mãe natural de Samara.

O cineasta renuncia aos elementos iconográficos em O Chamado 2 para tentar se aprofundar nessa relação entre uma mãe que não reconhece o filho com quem conviveu a vida toda; afinal, ele está possuído. Supõe-se aí uma dosagem entre os aspectos psicológicos da trama e a agilidade solicitada por um enredo construído sobre a investigação de Rachel acerca das causas do mal. Tal qual o primeiro O Chamado, não ocorre uma coisa nem outra. E, a persistirem os sintomas, o bom senso deveria ser consultado; ou seja, que arrumem uma boa razão – criativa, estética ou narrativa – para cometerem um possível O Chamado 3.



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Previsível, estréia 'O Chamado 2'

Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

24/03/2005 | 12:10


Não precisava ser Mãe Dinah para prever que O Chamado (2002) impulsionaria uma continuação, tamanha a repercussão que o filmete de terror – o diminutivo nada tem a ver com a duração da obra – encontrou nas bilheterias, arrecadando nos Estados Unidos o triplo de seu custo. Levou somente três anos para tal, como pode conferir o espectador a partir desta quinta-feira com as pré-estréias na região de O Chamado 2 – lançado oficialmente na sexta. Pode apostar seus cobres na previsibilidade da seqüência, porque ela é previsível, sim, em todos os sentidos.

Para assumir o número dois da série, que liderou as bilheterias norte-americanas na semana passada com arrecadação de US$ 36 milhões, veio Hideo Nakata, diretor japonês responsável por Ringu, o longa que deu origem à franquia norte-americana. O cineasta entra no balaio do que se tem considerado a renovação do terror em Hollywood, com a importação de enredos e profissionais japoneses, como Takashi Shimizu (de O Grito) e o próprio Nakata, também autor do Dark Water ora refilmado pelo brasileiro Walter Salles. Há quem vá xingar os ancestrais do crítico, pois O Chamado tem a seu favor um grande número de fãs, mas em nada resultou a troca de direção.

O problema não parece estar com o autor, mas com a insistência em parecer importante enquanto mistura de terror e de análise psicológica, erro comum a Nakata no segundo filme tanto quanto a Gore Verbinsky, responsável pelo original.

A jornalista Rachel Keller (Naomi Watts) reaparece como protagonista, ao lado do filho, Aidan (David Dorfman). Em O Chamado 2, abandonam a Seattle dos eventos anteriores em troca da pacata cidade de Astoria e lá, já nos informa a seqüência de abertura, algum desavisado assistiu a uma cópia da temida fita de vídeo que libera o fantasma de Samara (Kelly Stables). Rachel, evidentemente, se enredará com a assombração da menina que foi morta pela mãe e cuja figura tenebrosa, embalada por um emaranhado de cabelos da cor do breu, a credenciaria a ingressar na nova formação do Iron Maiden.

Nakata implanta aí uma prótese psicológica: Samara, carente, volta do além em busca de uma figura materna. Outra não poderia ser sua mãe postiça senão Rachel e, para cumprir seu intento, a assombração inicia a possessão do filho da jornalista. Para exorcizar sua cria, a protagonista promove uma pesquisa até chegar em Evelyn (Sissy Spacek, em participação especial), a mãe natural de Samara.

O cineasta renuncia aos elementos iconográficos em O Chamado 2 para tentar se aprofundar nessa relação entre uma mãe que não reconhece o filho com quem conviveu a vida toda; afinal, ele está possuído. Supõe-se aí uma dosagem entre os aspectos psicológicos da trama e a agilidade solicitada por um enredo construído sobre a investigação de Rachel acerca das causas do mal. Tal qual o primeiro O Chamado, não ocorre uma coisa nem outra. E, a persistirem os sintomas, o bom senso deveria ser consultado; ou seja, que arrumem uma boa razão – criativa, estética ou narrativa – para cometerem um possível O Chamado 3.

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