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Segundo dia de manifestaçao do MST é marcado com invasao no RS


Do Diário do Grande ABC

22/09/1999 | 12:44


O segundo dia da manifestaçao dos pequenos agricultores que reivindicam a liberaçao de R$ 30 milhoes junto ao Banco do Brasil, foi marcado pelas 400 famílias de sem-terra que invadiram às 5h desta quarta-feira, parte da Granja Agropecuária 3 Pinheiros, em Capao Bonito do Sul (RS). Com a invasao, eles pretendem pressionar o Incra (Instituto Nacional de Colonizaçao e Reforma Agrária) e o governo do estado a cumprirem o acordo de julho, no qual constava o assentamento de 2.500 famílias acampadas.

Segundo um dos líderes estaduais do MST, Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra , Augusto Olson, o acordo nao foi cumprido.

A propriedade, pertencente a Alzira Bonotto Machado, localiza-se a 42 quilômetros do centro da principal cidade da Regiao, Lagoa Vermelha e possui no total 2.600 hectares.

De acordo com Olson, há dois anos nao se planta nada na área ocupada pelos manifestantes, 816 hectares. O líder ainda acrescentou que a granja está penhorada por dívidas ao Banco do Brasil, BRDE e Caixa Econômica Federal, superiores a R$ 12 milhoes. "Os bancos deveriam executar a dívida e com isso seria possível destinar a área para assentamento" afirmou Augusto Olson.

As famílias invasoras, vindas do acampamento de Chiapeta a 250 quilômetros de distância da granja, também visam pressionar o governo federal contra a eventual reduçao dos índices de produtividade do campo, determinantes para a deasapropriaçao ou nao das áreas, a serem oficialmente divulgadas pelo Ministério de Política Fundiária no sábado (25).

``Os fazendeiros querem reduzir o índice de 0,8 cabeças de gado por hectare para 0,4 cabeças. Isso significaria uma cabeça de gado a cada 10 hectares, o que é um absurdo'' declarou Augusto Olsson. Os sem-terra também revogam a liberaçao de recursos de R$ 2 mil para financiamento de safras, para cada uma das 7 mil famílias assentadas no Rio Grande do Sul.

O deputado Luiz Mainardi (PT-RS), propôs ao ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, a divisao da Regiao de Bagé, principal área de confrontos entre fazendeiros e sem-terra no Rio Grande do Sul, em dois módulos: um para financiamento da pecuária de corte de alta tecnologia e outro para intensificar a reforma agrária com assentamentos de mais 4 mil famílias.

A proposta feita pelo deputado consta ainda o assentamento de mais 1.200 famílias a mais das que lá atualmente residem em 20 mil hectares de 35 assentamentos, e que centralizariam suas atividades numa bacia de leite e na fruticultura.

Alegando que os assentamentos na regiao nao sao produtivos, nao dando retorno à sociedade e ainda empobrecendo a regiao de Bagé, o principal líder dos ruralistas da regiao e diretor da comissao de assuntos fundiário da Farsul (Federaçao da Agricultura), Gedeao Pereira, acusa que dos 100 assentamentos no Estado, mantidos com subsídios públicos como o Proceda, apenas três sao auto-suficientes e poderiam ser emancipados.

Bloqueando metade da avenida Alberto Bins e impedindo a saída de dinheiro do Banco Central para a rede bancária da capital gaúcha, 600 pequenos agricultores montaram um acampamento na rua, com colchoes, fogoes e outros pertences, em pleno centro da cidade.



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Segundo dia de manifestaçao do MST é marcado com invasao no RS

Do Diário do Grande ABC

22/09/1999 | 12:44


O segundo dia da manifestaçao dos pequenos agricultores que reivindicam a liberaçao de R$ 30 milhoes junto ao Banco do Brasil, foi marcado pelas 400 famílias de sem-terra que invadiram às 5h desta quarta-feira, parte da Granja Agropecuária 3 Pinheiros, em Capao Bonito do Sul (RS). Com a invasao, eles pretendem pressionar o Incra (Instituto Nacional de Colonizaçao e Reforma Agrária) e o governo do estado a cumprirem o acordo de julho, no qual constava o assentamento de 2.500 famílias acampadas.

Segundo um dos líderes estaduais do MST, Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra , Augusto Olson, o acordo nao foi cumprido.

A propriedade, pertencente a Alzira Bonotto Machado, localiza-se a 42 quilômetros do centro da principal cidade da Regiao, Lagoa Vermelha e possui no total 2.600 hectares.

De acordo com Olson, há dois anos nao se planta nada na área ocupada pelos manifestantes, 816 hectares. O líder ainda acrescentou que a granja está penhorada por dívidas ao Banco do Brasil, BRDE e Caixa Econômica Federal, superiores a R$ 12 milhoes. "Os bancos deveriam executar a dívida e com isso seria possível destinar a área para assentamento" afirmou Augusto Olson.

As famílias invasoras, vindas do acampamento de Chiapeta a 250 quilômetros de distância da granja, também visam pressionar o governo federal contra a eventual reduçao dos índices de produtividade do campo, determinantes para a deasapropriaçao ou nao das áreas, a serem oficialmente divulgadas pelo Ministério de Política Fundiária no sábado (25).

``Os fazendeiros querem reduzir o índice de 0,8 cabeças de gado por hectare para 0,4 cabeças. Isso significaria uma cabeça de gado a cada 10 hectares, o que é um absurdo'' declarou Augusto Olsson. Os sem-terra também revogam a liberaçao de recursos de R$ 2 mil para financiamento de safras, para cada uma das 7 mil famílias assentadas no Rio Grande do Sul.

O deputado Luiz Mainardi (PT-RS), propôs ao ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, a divisao da Regiao de Bagé, principal área de confrontos entre fazendeiros e sem-terra no Rio Grande do Sul, em dois módulos: um para financiamento da pecuária de corte de alta tecnologia e outro para intensificar a reforma agrária com assentamentos de mais 4 mil famílias.

A proposta feita pelo deputado consta ainda o assentamento de mais 1.200 famílias a mais das que lá atualmente residem em 20 mil hectares de 35 assentamentos, e que centralizariam suas atividades numa bacia de leite e na fruticultura.

Alegando que os assentamentos na regiao nao sao produtivos, nao dando retorno à sociedade e ainda empobrecendo a regiao de Bagé, o principal líder dos ruralistas da regiao e diretor da comissao de assuntos fundiário da Farsul (Federaçao da Agricultura), Gedeao Pereira, acusa que dos 100 assentamentos no Estado, mantidos com subsídios públicos como o Proceda, apenas três sao auto-suficientes e poderiam ser emancipados.

Bloqueando metade da avenida Alberto Bins e impedindo a saída de dinheiro do Banco Central para a rede bancária da capital gaúcha, 600 pequenos agricultores montaram um acampamento na rua, com colchoes, fogoes e outros pertences, em pleno centro da cidade.

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