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FUABC admite privilégios no caso fura-fila da vacina

Entidade cita necessidade de imunizar advogados, mas deixou de fora uma dezena de profissionais do mesmo setor

Junior Carvalho
Raphael Rocha
do Diário do Grande ABC
10/05/2021 | 07:00
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Banco de Dados/DGABC


A FUABC (Fundação do ABC) admitiu ao Diário ter privilegiado advogados quando encaminhou profissionais para vacinação contra a Covid-19 sem figurarem na lista de prioridades. A entidade sustenta a necessidade de imunizar trabalhadores de setores burocráticos, mas deixou de fora mais de uma dezena deles. A prática enfraquece o discurso de que a organização não promoveu fura-filas em benefício de aliados da presidente, Adriana Berringer Stephan.

No mês passado, o Diário revelou em primeira mão que oito funcionários de setores administrativos da FUABC, entre eles advogados que atuam na diretoria executiva jurídica, foram encaminhados para vacinação em lista que incluía profissionais da saúde que atuam em ambulatórios gerenciados pela instituição. Na ocasião, a entidade negou que tenha viabilizado fura-fila da vacina e sustentou que os apadrinhados foram imunizados por frequentarem ambientes contaminados, como hospitais de campanha.

Ocorre que, mesmo integrando o mesmo setor, pelo menos 11 profissionais da diretoria executiva jurídica da FUABC não foram incluídos na lista de vacinados enviada à FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), responsável pela organização da vacinação dos profissionais ligados à FUABC.

Dos 17 funcionários da diretoria, apenas seis foram vacinados, segundo a própria FUABC. Entre eles está o advogado Sandro Tavares, 44 anos, que tomou duas doses da Coronavac mesmo sem atuar na linha de frente do combate à pandemia nem integrar nenhum dos atuais grupos prioritários que estão sendo imunizados contra a Covid no Estado. Como já mostrou o Diário, Tavares já é pivô de investigação no Ministério Público por suposta prática de nepotismo, já que vários parentes do advogado também atuam direta ou indiretamente na FUABC – duas delas, inclusive, trabalham no mesmo setor.

O escândalo tem sido apurado por sindicâncias por parte das Prefeituras de Santo André e São Caetano, duas das mantenedoras da FUABC.

Ao Diário, a FUABC voltou a negar a prática de fura-fila de vacinas e explicou que a imunização dos advogados respeita critérios do Ministério da Saúde, que recomenda textualmente a aplicação das doses em profissionais que fazem parte do universo classificado como “trabalhadores da gestão”. “A FUABC reitera a total lisura da campanha de vacinação realizada no complexo de saúde do campus universitário e ratifica que seus profissionais integram o grupo de trabalhadores da saúde, tendo direito à vacinação prioritária”.
 




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