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Febre amarela torna refúgio de hippies cidade-fantasma


Do Diário do Grande ABC

22/01/2000 | 13:35


O lugar que foi escolhido por 3 mil turistas, em agosto do ano passado, como cenário do fim do mundo, virou uma cidade-fantasma. Cinco meses depois, Alto Paraíso, a 222 quilômetros de Brasília - um antigo refúgio de esotéricos e hippies, em busca da paz e do contato com a natureza - está paralisada. A confirmaçao do surto de febre amarela na regiao irritou os moradores e assustou os turistas de outros estados.

O inferno começou no dia 4, quando o estudante Allesson da Costa Neres, 19 anos, morreu após acampar na cidade. A irma dele, Andreya Neres, também foi contaminada pelo vírus, mas sobreviveu. Outras três pessoas (duas de Sao Paulo e uma do Rio) também adoeceram ali oito foram contaminadas fora da regiao.

O vazio é nítido, em todos os cantos da cidade e também no vilarejo vizinho, Sao Jorge, a 40 quilômetros de Alto Paraíso: comércio fechado, restaurantes e pousadas silenciosas e guias turísticos sem trabalho. As queixas vêm de toda parte, inclusive do guarda responsável pela cachoeira de Sao Bento, que recebe R$ 3 por visitante. O prefeito Jair Pereira Barbosa (PTB) calcula um prejuízo de R$ 200 mil, somente este mês. ''A cidade vive em funçao do turismo. O prejuízo é total.``

O estigma de ser um dos principais focos da doença atinge os pequenos comerciantes. ''Antes, eu vendia 25 almoços por dia. Agora, sao quatro ou cinco``, lamenta Justa Inácio, dona do principal restaurante de Sao Jorge, apontando as mesas vazias. Mas os moradores negam que haja qualquer foco do mosquito Haemagogus janthinomys, transmissor do vírus, nas matas da regiao. ''Nao acredito nessa história de febre amarela. Se existisse, eu estaria doente, porque moro aqui há 36 anos``, reage o ex-garimpeiro Corino Miranda, 76, que veio de Minas Gerais em busca de riqueza.

Os especialistas explicam que os moradores nao se contaminam porque 98% da populaçao está imunizada. A campanha contra a febre amarela incluiu visitas a todas as casas e exigência do cartao de vacinaçao. Houve campanha em 1996 e reforço neste início de 2000. ''Acho engraçado esse negócio de dizerem que a doença veio daqui. Parece que só pega nos de fora``, ironiza Raimundo Ferreira Silva, de 39 anos. O filho Henrique, um estudante de 12, também nao acredita: ''Ando tudo isso aqui e nada me acontece.``

Até o secretário municipal de Saúde, Antônio Ferreira da Silva, rechaça a informaçao sobre o surto, da Fundaçao Nacional de Saúde. ''O que existe é uma imputaçao da idéia de que a doença surgiu aqui``, afirma. Pressionado pelo Ministério da Saúde, porém, ele passou a prestar esclarecimentos sobre a febre amarela no programa diário da rádio comunitária.

Já o chefe do Departamento de Vigilância Sanitária de Alto Paraíso, Irapuan Dutra, lidera a campanha de vacinaçao. ''É um trabalho constante. Mas, aos poucos, as pessoas acabam aceitando a idéia de tomar a vacina...``



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Febre amarela torna refúgio de hippies cidade-fantasma

Do Diário do Grande ABC

22/01/2000 | 13:35


O lugar que foi escolhido por 3 mil turistas, em agosto do ano passado, como cenário do fim do mundo, virou uma cidade-fantasma. Cinco meses depois, Alto Paraíso, a 222 quilômetros de Brasília - um antigo refúgio de esotéricos e hippies, em busca da paz e do contato com a natureza - está paralisada. A confirmaçao do surto de febre amarela na regiao irritou os moradores e assustou os turistas de outros estados.

O inferno começou no dia 4, quando o estudante Allesson da Costa Neres, 19 anos, morreu após acampar na cidade. A irma dele, Andreya Neres, também foi contaminada pelo vírus, mas sobreviveu. Outras três pessoas (duas de Sao Paulo e uma do Rio) também adoeceram ali oito foram contaminadas fora da regiao.

O vazio é nítido, em todos os cantos da cidade e também no vilarejo vizinho, Sao Jorge, a 40 quilômetros de Alto Paraíso: comércio fechado, restaurantes e pousadas silenciosas e guias turísticos sem trabalho. As queixas vêm de toda parte, inclusive do guarda responsável pela cachoeira de Sao Bento, que recebe R$ 3 por visitante. O prefeito Jair Pereira Barbosa (PTB) calcula um prejuízo de R$ 200 mil, somente este mês. ''A cidade vive em funçao do turismo. O prejuízo é total.``

O estigma de ser um dos principais focos da doença atinge os pequenos comerciantes. ''Antes, eu vendia 25 almoços por dia. Agora, sao quatro ou cinco``, lamenta Justa Inácio, dona do principal restaurante de Sao Jorge, apontando as mesas vazias. Mas os moradores negam que haja qualquer foco do mosquito Haemagogus janthinomys, transmissor do vírus, nas matas da regiao. ''Nao acredito nessa história de febre amarela. Se existisse, eu estaria doente, porque moro aqui há 36 anos``, reage o ex-garimpeiro Corino Miranda, 76, que veio de Minas Gerais em busca de riqueza.

Os especialistas explicam que os moradores nao se contaminam porque 98% da populaçao está imunizada. A campanha contra a febre amarela incluiu visitas a todas as casas e exigência do cartao de vacinaçao. Houve campanha em 1996 e reforço neste início de 2000. ''Acho engraçado esse negócio de dizerem que a doença veio daqui. Parece que só pega nos de fora``, ironiza Raimundo Ferreira Silva, de 39 anos. O filho Henrique, um estudante de 12, também nao acredita: ''Ando tudo isso aqui e nada me acontece.``

Até o secretário municipal de Saúde, Antônio Ferreira da Silva, rechaça a informaçao sobre o surto, da Fundaçao Nacional de Saúde. ''O que existe é uma imputaçao da idéia de que a doença surgiu aqui``, afirma. Pressionado pelo Ministério da Saúde, porém, ele passou a prestar esclarecimentos sobre a febre amarela no programa diário da rádio comunitária.

Já o chefe do Departamento de Vigilância Sanitária de Alto Paraíso, Irapuan Dutra, lidera a campanha de vacinaçao. ''É um trabalho constante. Mas, aos poucos, as pessoas acabam aceitando a idéia de tomar a vacina...``

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