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Copo sujo

Essa, sem dúvida, é daquelas expressões que dão nó na cabeça...


Carlos Ferrari

20/06/2012 | 00:00


Essa, sem dúvida, é daquelas expressões que dão nó na cabeça de qualquer gringo bem esforçado que venha tentar aprender o português. Isso porque traz consigo a descrição de um comércio longe dos padrões de limpeza e qualidade. Contudo, remete também para muitos a ideia de um lugar simples, agradável, enfim, um lugar bom de se ir.

Convenhamos que esse paradoxo linguístico funciona bem melhor pelos lados da boa conversa. Na prática, independentemente do gosto mais simples ou refinado, as pessoas buscam sempre padrão mínimo de higiene para as refeições, happy hours, ou quaisquer outros derivativos de caráter ‘butecológicos'. 

Neologismos à parte, como bom amante dos simpáticos copos sujos espalhados pelo País, escolhi esse exemplo para trazer para essa conversa um assunto bem mais complexo, porém, não menos instigante. A propósito, daria um bom bate-papo de mesa de bar discutir os avanços das políticas públicas na regulação das relações entre Estado e sociedade. Calma, calma, que não bebi, e rapidamente você vai perceber o que esse belo tema tem a ver com os deliciosos torresminhos e cervejas geladas, vendidas aos montes nos espaços que cederam o nome para nossa coluna semanal.

Com maior ou menor grau de conhecimento sobre a relação entre Estado e sociedade, independentemente do viés ideológico, qualquer cidadão brasileiro hoje consegue perceber onde a regulação estatal chega. É claro que a limpeza, o capricho, a cara do negócio, ou seja, toda essa formatação que se dá, independentemente do ramo de atividade, depende de uma série de concepções e convicções de seus fundadores proprietários.

Contudo, a Vigilância Sanitária, as fiscalizações organizadas a partir do município, a regulação das coisas e do jeito de fazer, cada vez têm sido um fenômeno mais presente na vida das empresas e das pessoas.

Infelizmente no Brasil muito dessa estrutura cresceu desacreditada, em virtude de um comportamento recorrente de comerciantes e fiscais que, por muitas vezes, substituiu um avanço civilizatório pactuado por arranjos com propinas e favores ilícitos. Como podem perceber, não aponto aqui culpados para os acidentes éticos que vivenciamos até aqui. Para que avancemos na construção de uma sociedade com valores éticos mais republicanos, é necessário que essa seja uma escolha, ou melhor um opção das massas, que em síntese são organismos que dão vida ao País.

Com o ‘copo sujo pela metade', sendo visto pelos otimistas como quase cheio e pelos pessimistas como ‘praticamente vazio', o fato concreto é que hoje não se fuma mais em lugares cobertos, seja na periferia ou nos Jardins. Se encontramos um cabelo, ou mesmo não estamos satisfeitos com determinada comida, não é necessário brigar, podemos reclamar, pois já internalizamos isso como direito. 

Enfim, os nossos queridos ‘copos sujos' seguem cada vez mais caminhando para ascenderem o status de patrimônio de nossa história e cultura, porém a sujeira, antiga, inimiga da Saúde pública, cada vez mais vai se transformando em um velho e simpático adereço de decoração simbólica e semântica.



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Copo sujo

Essa, sem dúvida, é daquelas expressões que dão nó na cabeça...

Carlos Ferrari

20/06/2012 | 00:00


Essa, sem dúvida, é daquelas expressões que dão nó na cabeça de qualquer gringo bem esforçado que venha tentar aprender o português. Isso porque traz consigo a descrição de um comércio longe dos padrões de limpeza e qualidade. Contudo, remete também para muitos a ideia de um lugar simples, agradável, enfim, um lugar bom de se ir.

Convenhamos que esse paradoxo linguístico funciona bem melhor pelos lados da boa conversa. Na prática, independentemente do gosto mais simples ou refinado, as pessoas buscam sempre padrão mínimo de higiene para as refeições, happy hours, ou quaisquer outros derivativos de caráter ‘butecológicos'. 

Neologismos à parte, como bom amante dos simpáticos copos sujos espalhados pelo País, escolhi esse exemplo para trazer para essa conversa um assunto bem mais complexo, porém, não menos instigante. A propósito, daria um bom bate-papo de mesa de bar discutir os avanços das políticas públicas na regulação das relações entre Estado e sociedade. Calma, calma, que não bebi, e rapidamente você vai perceber o que esse belo tema tem a ver com os deliciosos torresminhos e cervejas geladas, vendidas aos montes nos espaços que cederam o nome para nossa coluna semanal.

Com maior ou menor grau de conhecimento sobre a relação entre Estado e sociedade, independentemente do viés ideológico, qualquer cidadão brasileiro hoje consegue perceber onde a regulação estatal chega. É claro que a limpeza, o capricho, a cara do negócio, ou seja, toda essa formatação que se dá, independentemente do ramo de atividade, depende de uma série de concepções e convicções de seus fundadores proprietários.

Contudo, a Vigilância Sanitária, as fiscalizações organizadas a partir do município, a regulação das coisas e do jeito de fazer, cada vez têm sido um fenômeno mais presente na vida das empresas e das pessoas.

Infelizmente no Brasil muito dessa estrutura cresceu desacreditada, em virtude de um comportamento recorrente de comerciantes e fiscais que, por muitas vezes, substituiu um avanço civilizatório pactuado por arranjos com propinas e favores ilícitos. Como podem perceber, não aponto aqui culpados para os acidentes éticos que vivenciamos até aqui. Para que avancemos na construção de uma sociedade com valores éticos mais republicanos, é necessário que essa seja uma escolha, ou melhor um opção das massas, que em síntese são organismos que dão vida ao País.

Com o ‘copo sujo pela metade', sendo visto pelos otimistas como quase cheio e pelos pessimistas como ‘praticamente vazio', o fato concreto é que hoje não se fuma mais em lugares cobertos, seja na periferia ou nos Jardins. Se encontramos um cabelo, ou mesmo não estamos satisfeitos com determinada comida, não é necessário brigar, podemos reclamar, pois já internalizamos isso como direito. 

Enfim, os nossos queridos ‘copos sujos' seguem cada vez mais caminhando para ascenderem o status de patrimônio de nossa história e cultura, porém a sujeira, antiga, inimiga da Saúde pública, cada vez mais vai se transformando em um velho e simpático adereço de decoração simbólica e semântica.

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