Economia Titulo Casa própria

Queixa contra construtoras cresce 5%

Na região, foram 158 reclamações no primeiro semestre, segundo associação dos mutuários

Renato GerbelliEspecial para o Diário
07/08/2014 | 07:11
Compartilhar notícia
 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O número de reclamações de mutuários no Grande ABC cresceu 5% no primeiro semestre de 2014, em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são da AMSPA (Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências). De janeiro a junho, a entidade recebeu 158 queixas da região, sendo 33% referentes a atrasos nas obras, 30% a taxas Sati (Serviço de Assessoria Técnica Imobiliária) e de corretagem, e 20% a dificuldades no distrato (rescisão do contrato) da compra da casa própria.

“Esse número é reflexo da grande quantidade de lançamentos das construtoras. Muitas vezes elas dão prazos de entrega ilusórios para vender rápido. A falta de planejamento também é muito grande e elas não conseguem cumprir os prazos”, afirmou o presidente da AMSPA, Marco Aurélio Luz.

“Com certeza o número de reclamações é muito maior. Muita gente não se queixa formalmente, pois tem medo de entrar em conflito diretamente com a construtora”, acrescentou o presidente da associação.

Já para a diretora adjunta do SindusCon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) no Grande ABC, Rosana Carnevalli, o grande número de lançamentos de imóveis nos últimos anos aliado à falta de mão de obra para atender a alta demanda contribuem para o aumento das queixas. “Em 2011 e 2012 houve um boom imobiliário e o mercado estava ótimo. As construtoras lançaram muitos empreendimentos, mas não tinham mão de obra nem material suficiente para atender a demanda. Mas isso está se normalizando agora, o mercado está estabilizado. A tendência é que as reclamações, principalmente de atrasos, diminuam”, disse.

Outro fator citado por Rosana com relação à demora na entrega da obra é a burocracia. “Nem sempre as construtoras são as vilãs. Há grande dificuldade no tempo de aprovação de projeto e liberação do Habite-se. Os órgãos públicos travam o andamento da construção. Os atrasos são alheios à vontade da construtora e a burocracia acaba influenciando no cronograma da obra”, declarou.

Na hora de comprar imóvel na planta também é comum entre as construtoras cláusula que permite atraso de 180 dias na entrega da obra, por conta de eventuais imprevistos ao longo da construção.

Em caso de problemas relacionados com construtoras, o diretor do Departamento de Assistência Judiciária e Defesa do Consumidor do Procon de Santo André,  Marco Aurélio  Ferreira dos Anjos, orienta os clientes a procurar primeiro o órgão municipal. “Entrar na Justiça é uma opção do consumidor. O Procon é um órgão respeitado. Grande parte das demandas é resolvida. A vantagem é que não tem custo e é rápido. No Judiciário não é assim. O processo tem data para começar, mas não para terminar”, indicou. 

DGABC



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;