Indústria Para o prefeito, encerramento da unidade, que
significará perda de 170 empregos, não foi surpresa
Denis Maciel/DGABC

O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, já sabia, com antecedência, da decisão da Rolls-Royce de fechar as portas da unidade de manutenção de motores aeroespaciais (de aviões e helicópteros), que estava instalada no município desde 1959. “Não tem surpresa. Eles tinham ficado de fazer esse anúncio em novembro. Nós vínhamos discutindo, buscando alternativa para aquela unidade dentro dos projetos que estão em desenvolvimento neste momento dentro do País, mas o produto da Rolls-Royce findou. Eles faziam manutenção das turbinas de aeronaves anteriores da Embraer, e as novas eles perderam a concorrência para a GE (General Eletric, uma das três maiores do setor no mundo, junto com a Rolls-Royce e a Pratt & Whitney). Deixou de ter trabalho”, comentou o prefeito, ontem pela manhã.
Com a decisão da companhia, 170 empregos, muitos deles de alta qualificação, serão perdidos. Parte dos trabalhadores (em torno de 100) deverão aderir a PDV (Programa de Demissão Voluntária), e outros 70, ficarão até dezembro. A informação foi confirmada pela Rolls-Royce e publicada na edição de ontem do Diário.
A situação da empresa já era acompanhada há alguns meses pela Prefeitura e pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Segundo o secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo, Carlos Alberto Gonçalves, o Krica, a unidade da companhia enfrentava queda na demanda de serviços de manutenção. Ele cita que Rolls-Royce no município só trabalha com reparos de motores dessa marca, e muitos aviões que estavam em operação no País com essas turbinas deixaram de operar.
Por isso, segundo Krica, a administração municipal enviou, há seis meses, ofício ao Alto Comando da Força Aérea Brasileira, na busca de alternativas para trazer mais serviços para suas oficinas.
Ao mesmo tempo em que há queda na demanda por manutenção de turbinas no País, a companhia segue investindo em outras áreas. Neste ano, anunciou que vai aportar R$ 80 milhões em nova unidade marítima, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, onde serão montados e testados grandes propulsores e outros equipamentos de propulsão para plataformas de petróleo semissubmersíveis,navios de perfuração e outras embarcações offshore (de alto mar).
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