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Santo André abriga feira
do Teatro do Oprimido

Caio Arruda/Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sexta edição do evento reúne
espetáculos e bate-papos a partir do dia 29


Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

11/05/2014 | 07:05


A conexão de Santo André com o Teatro do Oprimido promete ser retomada. O município se tornou referência na linguagem entre o fim dos anos 1990 e o início dos 2000, quando concebeu programa de formação de servidores e de grupos populares em atores (veja mais no texto ao lado). Tentando resgatar essa história, a cidade foi escolhida para receber a 6ª Feira Paulista de Teatro do Oprimido, que começa no dia 29.

“Não queremos apenas dar um caráter festivo para o encontro. O Teatro do Oprimido está em mais de 60 países e não nos basta somente o encontro. Nosso desejo é chegar na sociedade de alguma forma efetiva”, explica Armindo Rodrigues Pinto, um dos articuladores do evento e atual diretor do Coletivo Pagú Prá Ver, de São Paulo.

Os espaços públicos andreenses serviram de palco para a feira em 2008. No ano passado, as atividades ocorreram no Guarujá e, em 2011 e 2012, em Hortolândia, no Interior. Segundo Armindo, “estamos de mudança porque nas últimas edições não conseguimos trabalhar muito com as comunidades por onde passamos. Aproveitamos a história de Santo André para reacender essa chama. Esse tipo de iniciativa significa espalharmos multiplicadores de ideias pela cidade”.

As inscrições para a edição deste ano já estão abertas e seguem até quinta-feira. Até o momento, cerca de 170 pessoas já demonstraram interesse. Quem quiser se inscrever gratuitamente deve preencher ficha cadastral na internet. Mais informações e a agenda completa estão na página da Feira Paulista no Facebook (www.facebook.com/feirapaulistato). Agora, a organização está de olho em talentos regionais para chegar até o número de 200 interessados. Toda a organização é feita em parceria com a Prefeitura, que irá disponibilizar alojamento e refeições para visitantes de fora de Santo André.

Entre as companhias que já confirmaram presença estão o Grupo Monte das Oliveiras (Minas Gerais), Movimento de Dramaturgia Rural (Santana de Parnaíba) e a formação Putz! Vai Dar M... (São Paulo), além dos convidados Arlequín Arte y Teatro (Bolívia) e Teatro Palabrota (Chile).

No dia 29, os interessados cadastrados deverão ir até a Concha Acústica, na Praça do Carmo, Centro, para escolher as oficinas. As aulas irão abordar temas como Teatro do Oprimido e o Método Laban de Dança, Iniciação às técnicas do Teatro do Oprimido e Teatro Jornal. Outro ponto forte da programação são as rodas de debate sobre as possibilidades do gênero. “Os bate-papos aparecem para fortalecer nosso cenário. Tem gente que acha que o Teatro do Oprimido foi algo que ficou nos anos 1960, mas é uma grande bobagem. Muito do que foi feito naquela época ainda é visto em peças realizadas hoje em dia”, afirma Armindo. Destaque para a troca de ideias Rastros de Opressão, Estilhaços Poéticos, que trata do papel da arte como resistência pela experiência dos diretores Dulce Muniz e César Vieira e do crítico Valmir Santos. Para as mesas, não é preciso fazer inscrição.

RENASCIMENTO

O retorno da Feira Paulista de Teatro do Oprimido a Santo André também marca a volta das atividades do Grupo Revolução Teatral, na região do Cata Preta, bairro de periferia andreense. Os integrantes eram comandados nos anos 2000 por Armindo Rodrigues Pinto, então seu diretor, e mostraram seu talento em viagem por Itália, Uruguai e Argentina, se tornando uma das companhias mais respeitadas entre os latino-americanos. Desde 2009, quando chegou ao fim o apoio que recebiam da Paço Municipal, pouco sobrou da ações dos jovens.

“A molecada cresceu, foi ao mercado de trabalho e tudo parou depois de muita resistência. Eles são o símbolo de um legado e seu retorno tem de ser festejado de uma maneira bem bacana. Temos uma história potente que mostra ainda ter vida. É motivo de orgulho ver esse mesmo pessoal ter sobrevida”, comenta Armindo.

Esse reencontro poderá ser visto no dia 1º, às 12h, na sessão pré-agendada do espetáculo Pedras, Sonhos e Nuvens, que retrata a história da integrante Jane Vieira, nascida no sertão de Pernambuco e que veio na infância para São Paulo atrás de melhores oportunidades. O local da apresentação ainda não foi definido, assim como todos os endereços da programação geral. Mais informações devem ser reveladas nos próximos dias na página do evento na internet.

O dom transformador das artes cênicas

Acabar com a chamada quarta parede e fazer do público elemento atuante. Esse é o objetivo do Teatro do Oprimido, desenvolvido a partir da década de 1960 pelo carioca Augusto Boal (1931-2009) quando ele estava à frente do Teatro de Arena de São Paulo.

O dramaturgo pregava a democratização do estudo cênico, fazendo com que qualquer pessoa sinta que seja possível se tornar um ator e ampliar seu papel de cidadão com mais consciência social. De olho nesse tipo de transformação, ele incentivou que as comunidades das periferias mostrassem seus talentos com a organização de centenas de grupos populares.

Na região, Boal foi figura chave em projeto de formação que marcou época durante o governo do prefeito de Santo André Celso Daniel (1951-2002). A cidade chegou a ter oito companhias independentes na época. “O município se tornou referência no Brasil e no mundo devido a esse boom. Gente da Itália e da Escócia esteve na cidade para ver de perto o que estava acontecendo”, conta Armindo Rodrigues Pinto, responsável pela direção do Grupo Revolução Teatral, da região do Cata Preta.

Apesar do reconhecido trabalho do dramaturgo, tanto artístico quanto social, parte da comunidade teatral ainda questiona seus argumentos para o incentivo do talento livre. Seguindo Armindo, “ainda há pessoas que parecem não entender a importância de Boal para a dramaturgia nacional e para toda a história do teatro brasileiro. Ele sempre quis a provocação de que qualquer um pode fazer teatro.”

O legado de Boal será tema em uma das mesas da 6ª Feira Paulista de Teatro do Oprimido, que ocorre em Santo André entre os dias 29 de maio e 1º de junho.



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