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Com reciclagem, tudo
pode virar música

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Dá para fazer música com instrumentos, corpo,
voz e material encontrado no lixo; o importante é criar


Caroline Ropero
Do Diário do Grande ABC

27/10/2013 | 07:00


Latas, garrafas, canos, embalagens de produtos de limpeza, cabo de vassoura e bacias velhas podem ter destino muito melhor do que as lixeiras. Com o projeto Reciclar É Show, cerca de 350 alunos de dez escolas municipais de São Bernardo descobriram que dá para transformar esses materiais em potentes ‘fazedores de som’.

Após produzir os instrumentos musicais, de escrever uma canção e de ensaiar bastante, cada grupo gravou um vídeo para a competição da Tang. Três escolas de São Bernardo estão entre os finalistas (Professor Cassiano Faria, Kazue Fuzinaka e Otílio de Oliveira). O vencedor participará de um concerto regido pelo maestro João Carlos Martins no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo.  

“No começo, quando ouvimos sobre fazer música com materiais recicláveis, achamos estranho. Para a gente, era só lixo”, conta Wellington de Lima, 10 anos, do 5º A da Emeb Otílio de Oliveira.  Ele e seus amigos aprenderam a fazer tamborafa (mistura de tamborim com garrafa PET), ganzá (tipo de chocalho) – aprenda a produzi-los no blog do Diarinho – bexigofone e beliscofone (cano de PVC com bexiga na ponta), tambor (duas bacias e cabo de vassoura), clava (cano que faz barulho ao bater no chão) e coquinho.

 Ao participar do projeto, a turma descobriu que todo o processo exige dedicação e paciência. “Ensaiamos por várias semanas. Tivemos de treinar muito e aprender a entrar no ritmo”, afirma Vivian Galvão, 10. “Tocar em grupo é ainda mais difícil do que sozinho, pois todos precisam ficar em sincronia para sair um som legal”, diz Lucas Gabriel do Nascimento, 10, que tocou junto com os 27 alunos da classe.

O grupo curtiu tanto a brincadeira que levou a ideia para casa. “Tenho três bexigofones que fiz sozinho”, conta Pedro Ferreira, 10, que adorou montar uma banda com os amigos. “Deu até vontade de ser músico. Quero tocar guitarra e violão.”

A Natureza Comemora

Antes de jogar algo no lixo, pense se não teria outra utilidade. Depois de fazer instrumentos com PET, Lucas do Nascimento, 10 anos, teve ideias diferentes para aproveitar o material. “Criei um binóculo, mas dá para fazer vaso de plantas, porta-lápis e brinquedos.” Quem transforma lixo em outros objetos ajuda o meio ambiente, já que os materiais levam anos para se decompor. O plástico, por exemplo, demora 100, enquanto que tampa de garrafa precisa de 150 e lata de 10.

Pensando em ajudar a natureza, empresa parceira do projeto Reciclar é Show encontrou uma maneira de transformar embalagens de suco em pó, barras de cereal e sopas – feitas de plástico e alumínio – em flautas, tamborins, surdos, entre outros instrumentos profissionais. Para participar, leve as embalagens para escolas participantes. Veja quais são no www.esquadraoverde.com.br. Aproveite a visita para ver e votar nos vídeos dos finalistas.

Todos podem, é só começar

Quem assistiu ao espetáculo Tum Pá do Barbatuques sabe que não é necessário comprar instrumento musical para formar banda. Com o corpo é possível criar diferentes canções e brincadeiras ao bater pé, mãos, boca e estalar os dedos. Dá para tocar em qualquer lugar e com quem quiser. Além de ser muito divertido, fazer música com o corpo ajuda a aprender ritmo, altura e duração do som, e adquirir percepção e sensibilidade musical, autoconfiança e concentração. Também desenvolve o raciocínio lógico, melhora a autoestima e a autodisciplina. Dá para aprender a batucar com vídeos do grupo no YouTube. Depois de ficar craque, que tal ensinar os amigos e montar uma banda?  

Para ser profissional, é preciso treinar muito

Tem também quem escolha aprender a fazer música com aulas e instrumentos profissionais. É o caso de Beatriz Sousa, 9 anos, de São Caetano. Ela sonha ser pianista profissional, então, presta atenção nas aulas e ensaia em casa. “Com o tempo fica mais fácil.” 

Gustavo Buso, 10, por sua vez, é fã de violino. “Sempre vi shows do André Rieu (violinista dos Países Baixos) com meus pais, por isso quis aprender”, diz o garoto, que curte as aulas de musicalização, em que aprende a ler partitura e a perceber, escutar e analisar diferentes sons. “Sem a teoria ficaria difícil tocar qualquer instrumento”, afirma Luiz Felipe Pigarelli, 8, que faz aulas de piano e bateria. 

Cantar é como Gabriela Caceres, 8, mais gosta de fazer música. “Sempre achei bonito ver os cantores na TV. Quero ser profissional”, conta a menina, que também aprende bateria e participou do musical Os Saltimbancos, do Espaço Cultural de Artes, de São Caetano, junto com Beatriz, Gustavo e Luiz Felipe. Para os alunos, o mais legal foi estar no palco. “Conseguimos mostrar às nossas famílias o que aprendemos”, diz Gabriela. 

** Consultoria de Victor Perez, coordenador do projeto Reciclar É Show, André Hosoi, do grupo Barbatuques, Tânia Bertassoli, do Espaço Cultural de Artes, e Guilherme Brammer, co-fundador da empresa Wise Waste. 



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