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Jovens mantêm tradição das fanfarras

Projeto de iniciação musical, que completa dez anos, envolve 1.000 estudantes

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC
19/05/2013 | 07:31
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Tradicionalmente observadas em dias de desfiles cívicos, as bandas marciais e fanfarras ainda fazem muita gente parar para apreciar os sons de metais e percussão em tom de marcha. Em São Caetano, o projeto completa dez anos com planos de reestruturação das 20 composições existentes nas escolas municipais.

Além de despertar o interesse de novos alunos, há necessidade de renovação dos instrumentos já antigos e das vestimentas das 15 fanfarras, cinco bandas marciais e grupos coreográficos existentes, explica a coordenadora do projeto, a professora e coreógrafa Renata Rainatto. São cerca de 1.000 estudantes envolvidos. "Temos planos de ampliar as apresentações e vamos fazer um festival em outubro para ganhar maior visibilidade", comenta.

Além do tradicional desfile cívico, no dia 7 de setembro, há expectativa de que as bandas e fanfarras participem de festejos do município e festas escolares. As corporações também participam de concursos. A banda marcial Yolanda Ascencio, por exemplo, recebeu o título de Campeã Estadual de Bandas e Fanfarras em 2012.

O estímulo aos alunos está sendo feito por meio de apresentações nas salas de aula. Foi assim, inclusive, que a estudante Karine Paulino de Novaes, 13 anos, do 7º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Luiz Olinto Tortorello, sentiu vontade de participar da banda marcial desde o início do ano. Os ensaios ocorrem duas vezes por semana no contraturno das aulas. "Sempre gostei de música e queria aprender a tocar o tema da abertura dos 'Simpsons' no trombone", destaca a jovem.

Já o aluno do 9º ano do Ensino Fundamental Victor Neres Rodrigues, 14 anos, seguiu os passos do irmão mais velho, hoje DJ, mas que começou na banda marcial do colégio. "Sempre faço o meu melhor quando estou tocando, mas é difícil decorar as notas", observa o aluno, que chegou a desmontar o instrumento para ver como funciona.

Apontados como "esquisitos" entre os colegas de escola, os jovens são privilegiados por ter iniciação musical, observa Renata. "Geralmente são os alunos mais bagunceiros que participam e, com o tempo, há melhora na disciplina deles", diz.

Bandas marciais já revelaram músicos profissionais, como o caso do trombonista Itacyr Bocato Júnior. O profissional começou na Banda da EE Dr. Baeta Neves, em São Bernardo. Isso porque, durante as aulas de teoria musical, os estudantes aprendem desde a ler partitura e conceitos como ritmo, dinâmica e afinação. Enquanto isso, as meninas do corpo coreográfico têm lições de como desenvolver a coordenação motora e a executar movimentos com e sem os acessórios.    

Melhorias esbarram na falta de recursos, diz pianista

A principal dificuldade para manter e melhorar a estrutura do projeto, segundo outro coordenador, o professor e pianista Eduardo Cerigatto, é a parte financeira, já que os instrumentos e vestimentas são caros.


Para montar uma fanfarra, por exemplo, cujas extensões das notas musicais são mais limitadas, gasta-se em torno de R$ 50 mil, já o investimento inicial de uma banda é de R$ 150 mil. Além disso, há os fardamentos, que custam cerca de R$ 300 cada.

Para a rede municipal de São Caetano, o ideal é que haja 50 instrumentos e 80 fardamentos por cada uma das 20 formações.

Atualmente, a iniciativa conta com 45 instrumentos por escola já castigados pelo tempo - tendo em vista que foram adquiridos em 2003 - e roupas reaproveitadas. "Já estamos em conversa com a administração e temos um retorno positivo, apesar da dificuldade financeira do município", diz Cerigatto.

DGABC



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