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Cultura & Lazer

Publicado em sábado, 11 de maio de 2013 às 09:23 Histórico

Artur Rodrigues lança novo livro

O ato de riscar um palito de fósforo. A ação, de uma ponta à outra, é a consumação de algo que vai da vida à morte. Cabe tudo nesse ínterim, o despertar, o lampejo, o calor da vida correndo e o fim. O gesto é uma imagem potente, que persegue ‘O Ato de Riscar Um Palito de Fósforo’ – o livro – do início ao fim. A obra, autoria do jornalista Artur Rodrigues, ex-Diário, é lançada hoje em São Paulo e chega ao mercado pela Editora Patuá, por R$ 30.

São 18 breves contos que habitam 130 páginas. Todos apresentam um flerte descarado com a morte, mas é com a vida, na banalidade do cotidiano ou na surpresa de um acontecimento fantástico, que orbita a densidade narrativa. Tudo está por um fio. Ou à espera do irrevogável – e imprevisível – apagar da chama.

Rodrigues é principalmente repórter policial. Sua lida, ao longo dos anos, poderia passar de brutal para banal, não fosse o rapaz um atento observador, um apanhador de vida no campo da morte. “O importante, para mim, é o que acontece entre o começo e o fim. Sobre a morte a gente já sabe, o como é que vai ser a vida é que é o importante. E tem a relação de intensidade que o tema traz”, conta ele, que inspira a escrita literária há dez anos, mas só agora decidiu desengavetar seu material.

O jornalismo, para ele, é um gatilho de criação. Alguns contos refletem essa relação de maneira mais direta, como, por exemplo, o primeiro texto, que narra um modorrento domingo de plantão de um repórter. Em outro momento, Rodrigues utiliza os jargões policiais que está habituado a ver no dia a dia. Ainda, enxertos de frases tipicamente noticiosas são o recheio de outro dos contos.

“O escritor, na verdade, quer se diferenciar. Escrevendo, ele quer buscar uma coisa que está no que não está escrito. Jornalista tem que ser explícito, contar a verdade diretamente”, revela.

Nas histórias, os personagens às vezes buscam algo que não está nomeado; em outros instantes encaram a cruz já cientes da caldeirinha. “Uns têm uma relação não tão pensada ou consciente com a vida, enquanto outros questionam isso o tempo inteiro. Ninguém contou a eles como seria o jogo, mas meus personagens são pessoas inadaptadas a ele. Acho que todo mundo em algum momento o é”, pensa Rodrigues, cujo plano, parafraseando o escritor argentino Julio Cortázar, é nocautear o leitor.

“A ideia é quebrar um pouco a sensação de continuidade, de conforto, de que está tudo certo. As pessoas não se perguntam mais nada. Toda vez em que li algo que me causou estranheza, mudou algo em mim.”

O Ato de Riscar Um Palito de Fósforo – Lançamento de livro. Hoje, às 19h. No Bar Canto Madalena – Rua Medeiros de Albuquerque, 471. São Paulo. Tel.: 3813-681



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