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Citando Collor, Silvar pede criação da CPI das Fraudes

12/10/2011 | 07:30
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O vereador de Mauá Silvar Silva Silveira (PV) protocolou ontem na Câmara pedido de abertura de CPI para apurar a responsabilidade pelas fraudes constatadas no governo Leonel Damo (ex PV, atual PMDB), detalhadas pelo Diário domingo. O sumiço de débitos inscritos na dívida ativa, somado a desapropriações ilegais, lesou o erário em R$ 1,9 milhão em 2008.

Apesar da movimentação, a interrupção da sessão, às 15h, para que os parlamentares acompanhassem a missa de corpo presente pela morte do cônego Belisário de Souza (leia mais na página 4 do caderno Setecidades), na Igreja Matriz, prejudicou o debate sobre a instauração do inquérito parlamentar. Assim, o pedido deverá ser levado para votação em plenário na terça-feira - a abertura da investigação exige a adesão de ao menos seis dos 17 vereadores.

A apresentação do requerimento por Silvar indica, segundo ele, que os ‘leonistas' - como são conhecidos os apoiadores de Damo - não se furtarão de apurar quem são os responsáveis pelas fraudes. O parlamentar foi secretário de Assuntos Jurídicos da gestão passada. Mas nos bastidores corre a hipótese de o verde ter se antecipado ao inevitável pedido de abertura de CEI para presidir a comissão e, assim, barrar investigação incisiva, o que poderia ocorrer com a presidência do grupo nas mãos de um petista.

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"O fato de ter participado do governo (Damo) não significa que compactuo com certos atos (fraudes). Eu os desconhecia até o Diário publicar", afirmou. Justamente quando defendia apuração rigorosa dos fatos, Silvar ‘escorregou' duplamente ao parafrasear o ex-presidente da República, Fernando Collor de Mello. "Toda a verdade tem de vir à tona. Como se diz no latim: ‘Duela a quien duela'. Ou seja: doa a quem doer."

A expressão utilizada é, na verdade, um ‘portunhol' proferido por Collor durante entrevista à imprensa argentina em 1992. Na época, o então presidente pediu investigação e punição aos responsáveis por irregularidades no governo. Assim como Silvar, Collor achou que duela a quien duela fosse a tradução, em espanhol, de ‘doa a quem doer' - o correto é caiga quien caiga.

Repercussão - Se acatada, a CEI vigorará por 90 dias e será formada por cinco parlamentares. A determinação para a sua apresentação partiu da cúpula do PV. "Não toleraremos fatos como este, que é gravíssimo", comentou o presidente da sigla, Paulo Bio.

A maioria dos vereadores soube do pedido de inquérito pelo Diário, já na Igreja Matriz. Causou estranheza o fato de o verde ter protocolado a peça com investigação policial em andamento.

"Ele (Silvar) está aproveitando o momento", opinou Professor Betinho (PSDC), evitando o termo oportunista. "Ficamos em saia justa. Se formos a favor da apuração, vão falar em oportunismo; se formos contra, falarão em má vontade", concluiu.




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