
Isto porque Mendes é incomparavelmente melhor ator do que Netinho, que se mostrava pouco natural em frente as câmaras. Já o novo protagonista aprofunda o drama de Luís Felipe, um professor que chega para dar aula na comunidade e encontra uma realidade de pobreza e violência. É claro que o personagem lembra o de Sidney Poitier em Ao Mestre com Carinho, também um professor negro que precisa manter a ordem e o respeito dos alunos de uma escola pública do subúrbio de Londres. Mas mesmo sendo pouco original, Mendes consegue se destacar com o personagem, até porque o ator já tem experiência em minisséries como A Justiceira, Memorial de Maria Moura e Sex Appeal, além das novelas Corpo Dourado, Xica da Silva e A Próxima Vítima, todas produções globais, à exceção de Xica, da Manchete.
A grata surpresa entre os novos personagens, no entanto, é mesmo a atriz Fânia Espinosa. Ela interpreta a policial Marina Monteiro, que se infiltra com Diana Ramirez na gangue do traficante Jamanta, vivido por Nill Marcondes, para tentar desbaratar a quadrilha. A inclusão da personagem, na verdade, dá agilidade à trama, pois cria uma expectativa para saber até quando ela conseguirá enrolar o mulherengo Jamanta. O melhor é que Marina acaba sendo a opção para o bom ator Nill Marcondes bater bola. Isto porque ele está rodeado de atores primários em seu núcleo. Na verdade, este é um dos pontos que o seriado ainda não acertou, pois o elenco ainda está longe de ser nivelado. Com isso, principalmente os personagens secundários acabam prejudicando o desempenho dos atores bons do elenco.
Mas outro acerto desta nova temporada é a inclusão do humor através da personagem Gardênia, vivida por Paixão de Jesus. A atriz está bem no papel de uma senhora assanhada que volta para a comunidade após 10 anos trabalhando com um casal endinheirado de Miami. E as investidas da personagem em cima de Eliezer, interpretado por André Ricardo. Mais do que arejar a trama, a relação entre os dois personagens pode atrair um público de meia-idade. O mesmo acontece com a nova diretora Suzana, vivida pela bela Paula Melissa. A personagem abre a possibilidade para que novas relações amorosas aconteçam e reforça a tendência de incluir mais pessoas brancas no elenco para balancear com a maioria dos atores negros do seriado.
Um dos pontos fracos do Turma do Gueto são as cenas de ação. As perseguições, tiros, brigas e mortes ainda pecam pelo primarismo e estão longe de parecer coerentes. Nestas ocasiões, os revólveres soltam uma fumaça muito artificial quando os atores dão tiros e o impacto das balas nas pessoas também não convence. Além disso, tirando Marcondes, a maioria dos atores não mostra naturalidade em manusear armas de fogo. O seriado também começa a descambar para um lado mais didático que não existia antes. Agora, uma professora de música orienta a classe do Colégio Quilombo dos Palmares sobre os vários ritmos que existem e não só o rap e o samba, como anteriormente. Colada na realidade, a trama ainda acerta ao mostrar os reflexos de quem usa crack, uma droga barata que vicia rapidamente.
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