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Brasileiro do Cachorrão sofre com injúria na Eslováquia

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Emprestado ao ViOn, Mateus Silva acusa rival de chamá-lo de ‘preto maldito’ e ameaçá-lo de morte


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

06/12/2017 | 07:00


Um brasileiro voltou ao noticiário no Leste europeu por ter sido vítima de injúria racial. O volante Mateus Silva, 23 anos, que está emprestado pelo EC São Bernardo ao ViOn Zlate Moravce, da Eslováquia, foi ofendido por atleta do MFK Zemplín Michalovce durante o duelo entre as equipes, semana passada, pelo campeonato nacional. No país desde o ano passado, o jogador conseguiu compreender a fala do rival, o confrontou na saída de campo e a confusão se estendeu até os túneis que levavam aos vestiários, situação que pode render punição não apenas ao agressor, como a ele também.

"Teve um contato entre nosso goleiro e um adversário, juiz marcou a falta e esse jogador, Miroslav Bozok, não aceitou e começou a discutir com um colega da minha equipe. Me dirigi até eles para apartar, para que a discussão tivesse fim, e ele se descontrolou. A partir daí começaram as discussões e os ataques dele. Até então não falou nada racista, só disse não saber quem eu era e esse tipo de coisa. Mas durante todo o jogo ficou com isso e uma hora a gente se aproximou e ele começou: Vou te matar, seu preto’, ‘preto maldito’ e esse tipo de coisa”, conta Mateus.

De acordo com o volante, apesar da injúria sofrida, ele não buscou as autoridades, mas tentou fazer a história repercutir o máximo na mídia. “Não fui à polícia fazer boletim nem pensei nisso após o jogo. Estava com a cabeça bagunçada. É complicado. A filmagem da televisão aqui não é tão boa e não tem como provar. Só algum jogador ou outro que estava por perto conseguiu ouvir e é a única prova que tenho. Às vezes, fazer um boletim de ocorrência não dá em nada. É complicado, essa é a vida: passa por situação dessa, às vezes acaba punido e um cara desses sai ileso. É esperar o julgamento para ver o que vai acontecer”, disse. “Deu repercussão boa. Não estou atrás de status ou créditos. Procurei falar nos jornais daqui. É impossível acreditar que, em pleno 2017, isso possa acontecer. Espero que seja alerta ao país”, emendou.

Natural de São Paulo, Mateus jogou no Olé Brasil e no Grêmio, nas categorias de base. Depois, foi vice-campeão da Copa Paulista de 2014 no Botafogo de Ribeirão Preto, teve passagem pelo Inter de Lages e ganhou oportunidade no EC São Bernardo, com quem tem contrato até o fim de 2018 e o cedeu ao futebol eslovaco. “Ainda estou emprestado, mas esperando. Aguardar o fim da temporada para ver o que vai acontecer quanto a transferência”, disse ele, que tem vínculo com o ViOn até julho do ano que vem.

Segundo o jogador, ele nunca havia sofrido algum tipo de ameaça por causa da cor de sua pele. “Na minha vida é a primeira vez que passo, já tinha visto casos na internet”, declarou o volante, que citou a situação vivida pelo ex-atacante do Santo André Adauto, que passou por caso similar na República Tcheca – onde foi o primeiro negro a jogar futebol – e virou personagem de campanha contra o racismo.

As ofensas e ameaças, segundo Mateus, são uma forma de os adversários tentarem desestabilizar os brasileiros. “É uma coisa que a gente não deseja para ninguém. Não é a primeira e, infelizmente, não vai ser a última vez que acontece. (Os adversários) Tentam de alguma outra forma abalar nosso futebol, porque, às vezes, somos notícias, então tentam nos derrubar”, concluiu.

ADAUTO
Citado por Mateus Silva, o ex-atacante do Ramalhão se posicionou sobre o caso e acredita que possa ter havido um equívoco na interpretação sobre a fala do jogador eslovaco. “Houve, sim, o ato de injúria. Chamou ele de ‘negro’. Mas a força de expressão ‘eu vou te matar’ tem dupla interpretação na Eslováquia, na República Tcheca. Não foi no sentido literário. Eles usam (o termo) diariamente em treinamentos, brincadeiras, no jogo. É como ‘vou te pegar’, ‘vou te acertar’. Então vai muito da interpretação”, declarou Adauto, que concorda com o volante. “Essas provocações são para desestabilizar. E o Mateus perdeu o controle e era o que o adversário queria. Ele tem sido destaque, tem clubes grandes interessados nele. E aquele que é alvo vai ser apedrejado. Foi a forma como o jogador encontrou para desestabilizá-lo mentalmente.” 



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