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Ortodoxia e recuperação econômica

Agência Brasil  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Do Diário do Grande ABC

28/10/2017 | 07:14


Dois anos consecutivos de queda no PIB (Produto Interno Bruto), alto nível de desemprego, queda da renda, aumento da capacidade ociosa, retração dos investimentos e extrema incerteza quanto ao futuro econômico e político do Brasil. Como reverter um quadro dessa magnitude?

Economistas de diversas linhas de pensamento têm discutido sobre quais seriam as políticas econômicas ideais a serem tomadas na atual conjuntura. Alguns mais desenvolvimentistas defendem que o governo deveria usar políticas anticíclicas de cunhos monetário e fiscal.

Basicamente, a política monetária está ligada a taxa de juros (conhecida como Selic). Reduzindo a Selic, o custo do dinheiro diminui, empresas e famílias voltariam a tomar crédito no mercado. As famílias passariam a consumir, trocar aquela velha geladeira, aquele desgastado sofá ou financiar um novo veículo. As empresas retomariam investimentos, comprariam novas máquinas e aumentariam a estrutura produtiva. Dessa forma, a economia voltaria a um processo de reaquecimento.

Outra possibilidade para sairmos do ciclo de recessão, sugerida pelos economistas mais desenvolvimentistas, seria a utilização da política fiscal. Ao utilizar esse instrumento, o governo passaria a aumentar consideravelmente seus gastos, criando um deficit nas contas a fim de fomentar a demanda interna, o que estimularia a produção, reduziria a taxa de desemprego e aumentaria a renda.

Já economistas ortodoxos não concordam com os desenvolvimentistas. Para eles, tendo em vista as taxas de inflação dos últimos anos e, principalmente, o aumento da dívida pública, que está em torno de 73% do PIB, reduzir taxas de juros – aliado ao aumento ainda maior do endividamento – tornaria tais medidas contraproducentes.

Ainda segundo os economistas ortodoxos, o crescimento do deficit público incorreria na elevação do risco País (risco de moratória), o que poderia causar fuga de capitais e apreciação da taxa de câmbio, deixando nossas importações mais caras e encarecendo também muitos dos produtos que consumimos todos os dias. Tal medida poderia elevar a inflação e causar nova elevação dos juros no médio prazo, o que desestimularia os investimentos produtivos, reduziria a demanda agregada e, por conseguinte, a renda, fazendo a economia entrar em novo ciclo recessivo.

A atual equipe econômica tem adotado medidas consideradas ortodoxas, como a ancoragem das expectativas de inflação, austeridade fiscal, programas de privatizações e diversas reformas econômicas e sociais. Essas medidas têm surtido de forma lenta alguns resultados benéficos, como retomada do consumo, aumento da utilização da capacidade instalada e crescimento do PIB, previsto para 0,7% neste ano, o que indubitavelmente inaugura uma pequena recuperação econômica.

Essa postura mais ortodoxa recebe muitas críticas devido à impopularidade no curto prazo, porém, gera um ajuste na economia brasileira possibilitando crescimento sustentável no longo prazo. Cabe ao governo e à equipe econômica tomarem duras e complexas escolhas para solucionar os problemas econômicos e colocar a economia de volta nos trilhos.

No entanto, vale ressaltar que tais escolhas não deverão afetar ainda mais a população, que tanto carece dos serviços e dos recursos públicos, como, por exemplo, Educação, Saúde e aposentadorias da sociedade civil.


* Alexandre Borbely, Anderson Thiago dos Santos, Angelo Cesar Grasino Peçatti e Thiago Farias Soares, respectivamente, professor e alunos do curso de Ciências Econômicas da Universidade Metodista de São Paulo



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