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‘Serei candidato a deputado federal no ano que vem’, avisa Kim Kataguiri

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

16/10/2017 | 07:00


Alçado a figura pública após as manifestações a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), entre 2015 e 2016, o líder do MBL (Movimento Brasil Livre), Kim Kataguiri, anuncia que será candidato a deputado federal nas eleições do ano que vem.

Em entrevista ao Diário, o jovem, 21 anos, rejeita a tese de que o movimento do qual faz parte é simpático ao PSDB e, inclusive, faz críticas a líderes tucanos, como o senador mineiro Aécio Neves, alvo do STF (Supremo Tribunal Federal) após ser denunciado pelos crimes de corrupção passiva e obstrução de Justiça na Lava Jato.

Recentemente, Kataguiri lançou o livro Quem é Esse Moleque para Estar na Folha?, que reúne todos os seus artigos publicados no jornal Folha de S.Paulo durante um ano. Ele diz ser “pouco provável” candidatura pelo tucanato e, ao mesmo tempo em que defende que o prefeito da Capital, João Doria (PSDB), seja candidato à Presidência em 2018, ataca suas viagens pelo Brasil e diz que o tucano “tem de cuidar da cidade”.

Kataguiri também comenta a polêmica atuação do MBL contra o Queermuseu, em Porto Alegre – exposição artística que retratava a diversidade sexual e que foi cancelada pelo Banco Santander, seu patrocinador, depois de pressão de grupos religiosos e o movimento. “Foi unanimidade praticamente na imprensa tradicional de que o MBL censurou e que o MBL é nazista e fascista. Mas o fato é que a gente nunca quis que nenhuma exposição fosse fechada. A gente boicotou o uso do dinheiro público, principalmente, no caso da exposição em Porto Alegre, e o foco em crianças.” 

Leia a entrevista completa:

Há uma aproximação entre os prefeitos tucanos do Grande ABC e o MBL e, neste momento, você decidiu lançar um livro com os artigos escritos para o jornal Folha de S.Paulo. Há algum objetivo eleitoral por trás do livro?
Eu tenho objetivos eleitorais bastante claros, mas não por trás do livro. Vou concorrer a deputado federal no ano que vem, mas o livro não é projeto político. O livro é o livro. Assim como outro que vou lançar no ano que vem sobre os bastidores do MBL e o impeachment. Mas é um filho, não pode ser chamado de projeto político. Em relação à aproximação com os prefeitos, a gente já era próximo. O MBL apoiou o Orlando (Morando, prefeito de São Bernardo). Com o projeto caras novas, a gente apoiou não só candidatos do MBL, como nomes de fora do movimento, como o João Doria, como o Paulo Serra (prefeito de Santo André) e em diversas cidades pelo País. É natural que eles mantenham essa relação.

Você sai candidato a deputado pelo PSDB?
Não defini ainda, mas acho muito pouco provável que seja pelo PSDB. O partido está completamente destruído por dentro, não tem consenso. Quando você junta dois tucanos numa sala só eles saem com três divisões diferentes. E por fora também tem a imagem desgastada por causa da posição frouxa em relação ao Aécio (Neves, senador), que deveria ter sido cassado e não deveria ser mantido na presidência do partido.

Mas existe um partido que lhe atrai mais?
Eu sou muito cauteloso nisso, porque depende de quem vai sair para presidente e do cenário político.

Dos possíveis presidenciáveis, com qual você simpatiza?
Por enquanto, o João Doria. Ele é o menos pior.

Pesquisa recente Datafolha mostrou que a popularidade do Doria começou a cair. Você consegue identificar por quê?
Tem duas coisas. Tem o desgaste natural, que você inicia naturalmente com aquele sentimento de ‘agora vai’, mas ao mesmo tempo também tem falha. O fato de ele estar viajando muito tem incomodado bastante os paulistanos. Ele tem rodado o País. É claro que todo mundo sabe que ele tem a pretensão de se candidatar à Presidência, mas ainda assim ele é prefeito de São Paulo e tem de cuidar da cidade. Isso deve ser prioridade e tem sido deixado de lado. Outro ponto é a falta de contato com uma das pautas mais importantes, que é a Segurança pública. Como pré-candidato ele deveria ter alguma posição sobre o tema e até hoje ele não colocou nenhuma.

Por que ele é o menos pior?
Porque ele é quem junta uma articulação política. Isso é inegável. Ele fala que não é político, mas disputou com a maior coligação da história da cidade de São Paulo. E com a capacidade e os ideais de administração liberais, independência do Banco Central, privatização da Petrobras, limitação ou até extinção do BNDES, limitação dos pactos federativos, corte de cargos. Ele une esses pontos, que para nós são muito importantes.

Qual a ambição do MBL para o pleito de 2018?
A ideia é ter uma bancada formada por 15 deputados federais do MBL em 2019. Como existe bancada LGBT, evangélica e da bala, a ideia é criar uma bancada de liberais, do MBL. Aqui por São Paulo só eu concorro.

A ausência de crítica oficial a Michel Temer pode atrapalhar o MBL nessa empreitada?
Acho que não. Primeiro porque não houve ausência de crítica ao governo. Há essa crítica sempre, principalmente nessas questões envolvendo a corrupção e aumento de imposto. A crítica existe sim e é incisiva, sim. O que a gente não acredita é o ponto de que seria melhor ter Rodrigo Maia (DEM, atual presidente da Câmara) na Presidência da República. Por isso nós não defendemos a saída do Temer. A popularidade do presidente é muito baixa, mas ao mesmo tempo o ânimo para tirá-lo da Presidência também é muito pequeno. As pessoas têm essa percepção de que a eleição já é ano que vem e lá terão essa oportunidade de mudar. Acredito que estamos conseguindo chegar com esse discurso, até porque não há manifestação por parte da sociedade. As manifestações não dependem do MBL. Se não há protestos expressivos contra o governo Temer não é porque o MBL não quer. É porque a sociedade não quer. A gente não tem um botão de convocar manifestação. A gente apenas mobiliza um ânimo que existe na sociedade. E esse é um ânimo que não existe.

Houve exageros nas críticas por parte de simpatizantes do MBL a exposições pelo Brasil que levavam nudez, por exemplo?
Acho que tem muita fumaça neste debate. Foi praticamente unanimidade na imprensa tradicional de que o MBL censurou e que o MBL é nazista e fascista. Mas o fato é que a gente nunca quis que nenhuma exposição fosse fechada. A gente boicotou o uso do dinheiro público, principalmente, no caso da exposição em Porto Alegre, e o foco em crianças. Não utilizando dinheiro público e sendo para adultos, não tem problema nenhum. Existem problemas nas exposições e isso quem diz não sou eu, é a lei, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que proíbe que as crianças tenham a dignidade da pessoa humana violada. Elas não podem ser instrumento.

Por isso vocês defenderam censura às apresentações?
Na verdade não houve censura, porque não houve ação estatal. Não houve poder coercitivo público agindo, então não é correto chamar de censura. O Santander tirou a exposição porque quis. Nenhuma entidade obrigou a retirar. Ao mesmo tempo, no MAM (Museu de Arte Moderna) foi uma exposição só e não foi retirada. Ela aconteceu pontualmente. Não vai se repetir porque não está programada para isso. Então não foi censura de nenhuma maneira. Já tem psicólogos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro se manifestando que aquilo é prejudicial às crianças. E a própria Associação de Medicina Brasileira diz que o contato de crianças com pessoas nuas estranhas é prejudicial ao desenvolvimento. Não é uma questão de opinião. Para mim, pouco importa se é arte ou não é arte. O que importa é se causa dano ou não à criança e se é ou não crime. Esse possível desgaste não ecoa na sociedade civil, acho que fica limitado à bolha do projaquistão da Globo e dos artistas que se colocam como seres iluminados acima da sociedade.

O que representa Jair Bolsonaro para você?
Representa um parlamentar que faz a defesa da Segurança pública, que deve continuar fazendo como parlamentar e não deve se candidatar a presidente da República.

Você acha que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sai candidato?
Acho que ele não será candidato. Acho que, pelo o que tenho escutado, vai ser preso até o fim deste ano. Pensei que fosse só no ano que vem, mas... Acho muito difícil que ele dispute e, caso dispute, vai dar vitória fácil para quem for para o segundo turno com ele.
 



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