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Oportunidades por meio da arte

Karina Manchini/Especial para o Diário Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Festival Musicasa reúne jovens da Fundação
Casa para se apresentarem no Sesc Santo Amaro


Karini Manchini/Especial para o Diário

15/10/2017 | 07:22


Auditório cheio, rostos jovens, sorridentes e ansiosos por toda parte. O palco do Sesc Santo Amaro, em São Paulo, que tem como costume apresentar diversos espetáculos, este mês, em especial, não tratou apenas de questões artísticas, mas também de esperança em futuro melhor. Com o objetivo de fomentar a inclusão de adolescentes que cumprem medida socioeducativa na Fundação Casa, o Musicasa (Festival de Música da Fundação Casa) reúne cerca de 81 jovens de diversas cidades do Estado de São Paulo até dia 19.

O evento, que não é aberto ao público e permite somente a entrada de familiares, acontece há oito anos e conta com a parceria do Projeto Guri – programa sociocultural mantido pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo desde 1995 e leva diversos cursos até jovens que cumprem medida socioeducativa –, Cempec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação), Cedap (Centro de Educação e Assessoria Popular), Gada (Grupo de Amparo ao Doente de Aids e Ação Educativa).

Organizado pela Fundação Casa, o festival este ano tem como tema Educação e Música – inspirado no compositor Heitor Villa Lobos – e consiste em diversas apresentações dos Centro Socioeducativos de cidades da região, como Santo André e São Bernardo, além de Franco da Rocha, Lorena, Guarulhos, Arujá, Campinas, Limeira, Mongaguá, Itaquaquecetuba e Rio Claro. Nele, os alunos dos cursos de canto coral, instrumentos de sopro, teclado, percussão e cordas dedilhadas tocam algumas músicas e mostram aprendizado adquirido em aula. “Dentro da Fundação os garotos são todos iguais, com os mesmos cortes de cabelo e roupas. Com nossas aulas eles conseguem criar identidade, porque além de vivenciar o ensino dos instrumentos, temos espaço para conversa, diálogo e reflexão”, explica a supervisora das aulas de canto coral do Projeto Guri, Claudia César, participante do programa desde 2013.

Para o coordenador de Arte e Cultura da Fundação Casa Wellington Araújo, a arte pode render boas oportunidades aos jovens. “Ferreira Gullar (escritor) disse em entrevista antes de morrer que a arte não tem poder de salvar ninguém, mas é algo que consegue mexer com emoções de alegria e de tristeza da pessoa e pode mudar a forma que ela se vê no mundo. O projeto Guri tem esse desejo.”

MODO DE EXPRESSÃO
Sentados aguardando a vez de entrar no palco, dois jovens que cumprem medida socioeducativa na unidade São Bernardo II têm expectativa e felicidade em mostrar o que aprenderam durante os cursos musicais.

Ed (o nome verdadeiro foi trocado), 17 anos, está na Fundação Casa há oito meses e durante este período já aprendeu a tocar diversos instrumentos, inclusive violão e pandeiro. Para ele, a música é meio de expressar sentimentos. Além de ser compositor, gosta de samba e rap e tem como inspiração o grupo Racionais MC’s. “Meu sonho é ser MC e virar famoso, mas tenho um filho de 1 ano e 5 meses. Querendo ou não, ter filho é bom, mas atrapalha um pouco a carreira. Mas se as portas abrirem, eu entro!”, afirma.

Já Pedro (o nome verdadeiro foi trocado), 18 anos, quer seguir outros passos. Na Fundação há um ano e seis meses, o jovem é fã de Arlindo Cruz, adora samba e pagode e acredita que a música o faz refletir e abre sua mente para coisas boas da vida. “O mundo tem muita coisa linda a oferecer e por meio da música consigo enxergar isso. Meu sonho é tão simples, quero fazer faculdade. Penso em Direito e com o tempo ser promotor”, conta ele, que mesmo querendo seguir outros caminhos, pensa em comprar instrumentos para distrair a cabeça quando sair da Fundação Casa. 



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