Ufologia em série
Divulgação/Burn

Pesquisas e apresentações sobre ufologia, ou ovniologia, ganham destaque na internet. Apesar de algumas pessoas ainda estereotiparem os ufólogos como hippies que veem coisas, pesquisas sérias e comprovadas ajudam a mudar essa visão errônea. No Grande ABC o encontro de Ufologia de Paranapiacaba chega a sua 5ª edição, avançando cada vez mais nos estudos sobre as diferentes diretrizes e divisões internas.
Há duas grandes divisões dentro da Ufologia. A científica, na qual predomina o método empírico com comprovações de avistamento, análises de pousos etc. O outro lado é o místico ou esotérico, no qual valem as teorias da conspiração sem muito estudo, contatos com alienígenas, suposições sem fundamento e até centros espíritas que ‘aceitam’ extraterrestres.
“Se colocar o preto no branco, ufologia é o estudo dos UFO’s (Unidentified Flying Objects, Objetos Voadores Não Identificados), passou disso não é ufologia. Essa coisa de seres de luz não é pesquisa, pois não tem como contra-argumentar, é como chegar num cristão e falar que Jesus não existe, não há prova nenhuma”, explica o presidente da Rede Brasileira de Pesquisas Ufológicas, Josef Prado, de Santo André. Os pesquisadores dessa linha fazem questão de darem provas concretas ao seu público, desde testes caríssimos em prováveis fragmentos de discos voadores até documentos da Força Aérea Brasileira.

Mas a ufologia científica não é sempre preto no branco, há algumas pesquisas e pesquisadores que se consideram científicos, mas seus métodos são desacreditados por outros ufólogos, como é o caso da TCI (Transcomunicação Instrumental), por exemplo. Nesse caso usam aparelhos para captarem sons e imagens aleatórias que lembram formas humanóides ou vozes. “Transcomunicação instrumental depende de acreditar que aquela imagem ou som captado é realmente de um extraterrestre, por isso considero algo mais místico do que cientifico, mesmo usando aparelhos tecnológicos”, explica Prado.
A pesquisadora de Santo André Ângela Cristina D´Paschoal, trabalha com a TCI e discorda do presidente da Rede Brasileira de Pesquisas Ufológicas. “Na realidade eu vejo que a Mística e a Científica se misturam, mas eu sou mais do ramo científico”, afirma Ângela. Ela possui um canal no YouTube intitulado “KroonTV” e apresenta o programa Enigmas na Tv Grande ABC (canal 03 na NET).
Ao falar de ovni’s e ufologia, geralmente as pessoas ligam a alienígenas e extraterrestre, mas não é necessariamente assim no trabalho dos ufólogos científicos. Edson Boaventura, de São Bernardo, estuda esses fenômenos há mais de 36 anos e explica que nem tudo é de fora de nossa atmosfera, até que se prove o contrário. “Quando avistamos um objeto não identificado não dizemos que é necessariamente alienígena. Afirmar sem ter certeza é manchar o nome da ufologia”, pontua o pesquisador. Boaventura foi um dos sete ufólogos a viajar para Varginha, Minas Gerais, quando as notícias sobre o ET explodiram.
Boaventura afirma que algumas pessoas dizem ter visto uma criatura similar na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) mas nada foi comprovado. O ufólogo lamenta o que vem acontecendo sobre o relato original, mais de 20 anos após a expedição. “Recentemente, uma das meninas de Varginha mudou a versão, só uma das três. As outras não comentam nada. Eu particularmente, não acredito nessa 2ª versão. Uma vez que, os relatos de todas eram idênticos em 1996.”

O pesquisador acredita que, atualmente, as pessoas estão falando mais abertamente sobre esses fenômenos que, geralmente envolve Exército Brasileiro de alguma forma. “Conforme os profissionais vão saindo do exército, eles começam a contar as coisas.” Assim, muitas informações que eram guardadas dentro dos quartéis ou compartilhadas apenas com os familiares vão sendo disponibilizadas para o público. Como o Caso da “Noite Oficial dos Ovin’s”, uma perseguição da FAB (Força Aérea Brasileira) a óvnis, ocorrida no Interior de São Paulo e outras cidades do território brasileiro.
Muitas informações sobre ovnis, fragmentos e relatos ficam com o Exército Brasileiro. A FAB (Força Aérea Brasileira) tem grande participação na Ufologia nacional. No quarto Comar (Comando aéreo) foi criado o Sioani (Sistema de investigação de objetos aéreos não identificados), para nortear as investigações de óvnis no Brasil. Esse sistema investigativo iniciado em 1969 tinha como objetivo conduzir investigações e introduzir civis dispostos a colaborar dentro do sistema.

O lado esotérico da Ufologia
A ufologia mística parece ser a mais desacreditada de todas, tanto pelos profissionais que se dedicam à área quanto pelos leigos. “Existem pessoas sérias no estudo, mas existem também muitas que não. Temos que saber separar”, declara a ufóloga Cris D’Paschoal.
Para a estudiosa, esse ramo da ufologia demanda algo nada científico, a fé. Isso faz com que a ufologia esotérica seja vista por muitos como uma religião, Cris acha que dependendo das crenças isso pode se tornar um problema. “É perigoso, pode sair uma religião da ufologia. Porque no nosso País Deus virou lucro e o templo virou dinheiro e nosso trabalho pode ser confundido com mais um nicho para ganharem dinheiro.”
Já o psicanalista e ufólogo Sergio Campos vê algumas facilidades nos avanços para quem seguir no ramo místico, uma vez que não demanda um método tão restritivo como o cientifico. “Se de 100% das pessoas que dizem ter contato com extraterrestres, 1% for saudável psicologicamente e realmente pode ter tido esse contato, eu já considero um avanço”. Campos alerta que há muito preconceito contra os esotéricos e contatados. “Se alguém dizer para um ufólogo científico que fez contato com um alienígena ele será taxado de maluco.”
“Os místicos se aproximam mais de uma seita, já que é preciso acreditar”, afirma Edson Boaventura. O pesquisador e integrante do Grupo dos Sete esclarece que os esotéricos tentam controlar variáveis impossíveis de se prever ou provar. “Desafiamos ufólogos místicos várias vezes, falamos para chamarem aliens para a gente ver e toda vez nada acontecia. Esses fenômenos não são controlados, ocorrem eventualmente.”
Apesar dessas fortes opiniões sobre o que é ou não ufologia, o que é ou não fantasia, essas diferenças não parecem abalar o relacionamento entre ufólogos místicos e científicos. Uma vez que muitos são amigos e dão até palestras juntos, mesmo tendo uma visão totalmente diferente sobre esses fenômenos e métodos de pesquisa.
Algumas pesquisas não fazem o uso dos números e fatos como a cientifica, nem são dependentes da fé como nas do ramo místico. Há também as pesquisas históricas e antropológicas. Algo aos moldes de “Eram os Deuses Astronautas?”, do suíço Eric Von Däniken (foto abaixo com Cris D'Paschoal).

“A história serve como ponte entre a Ufologia mística e cientifica, ela permite ligar os relatos de tribos que diziam ter visto uma espécie de Deus vindo do céu aos fenômenos analisados atualmente”, relata o psicanalista e ufólogo Sergio Campos.
Josef Prado até concorda com essa visão do psiquiatra, mas com ressalvas. “Essa coisa de alienígenas do passado não entra na ufologia mística se for benfeito. Ainda assim não tem como provar, mas muitas evidências mostram que tribos poderiam ter tido contato com viajantes do tempo ou até mesmo extraterrestres. Mas afirmar isso é partir para o sensacionalismo.”
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