
A operaçao policial foi motivada por uma denúncia feita por membros do "Grupo 28 de Junho", de defesa dos homossexuais. De acordo com o deputado estadual Carlos Minc (PT), que oficializou a denúncia, o fato de a entidade pertencer a uma torcida organizada nao descaracteriza o crime. "Eles sao acusados de agredir os homossexuais quando saiam em grupo. Principalmente quando o time perdia", disse Minc.
Símbolo - O grupo " Nazistas da Baixada" reúne cerca de 3 mil integrantes. A sede consiste em uma pequena sala, com telefone e material para confecçao de carteirinhas dos associados.
Para o responsável pela comunidade judaica do Centro de Referência Nazareth Cerqueira Contra o Racismo e o Anti-Semitismo, Milton Nahon, o episódio é lamentável. "O que foi criado aqui é impressionante. Os responsáveis sabem muito bem o que este símbolo significa", disse.
Homossexuais - Para o secretário do "Grupo 28 de Junho", Eugênio Ibiapino, os homossexuais sao as maiores vítimas de grupos que defendem a discriminaçao racial. "Essas pessoas que agridem ou até matam gays acreditam que estao ajudando a sociedade", criticou. O delegado da Polícia Federal, César Gaspar, responsável pelas investigaçoes, explicou que só nao prendeu Plínio Nelson porque ele se apresentou espontaneamente. A sede da torcida, na Rua Doutor Luiz Guimaraes 269, sala 13, foi lacrada pela Polícia Federal.
Nota - Em nota oficial distribuída nesta quinta por sua assessoria, o presidente do Clube de Regatas do Flamengo, Edmundo Santos Silva, condenou a atitude da facçao de torcedores. "O Flamengo nao autoriza e repudia qualquer tipo de utilizaçao criminosa de sua marca. Esta loja e esta facçao nazista nao têm qualquer ligaçao com o C.R Flamengo, e o caso está sendo encaminhado ao departamento jurídico do clube, que irá estudar as medidas cabíveis."
"Nao sabia que estava cometendo crime" - Plínio Nelson Pereira de Azevedo Júnior sabe qual é o significado da suástica. "Resolvi utilizar o símbolo, porque o acho bonito. Sou o líder da torcida e responsável pela sede. Quando usei essas imagens, nao sabia que estava cometendo um crime", disse.
"Como posso ter alguma coisa contra os negros, se minha mae é negra e 80% dos torcedores do Flamengo também sao negros. Também nao temos nada contra os gays e os judeus. Isso é loucura. Só queremos torcer pelo Flamengo", afirmou ele, ainda com a voz rouca por causa do jogo da última quarta-feira, no Maracana, quando o Flamengo venceu o Grêmio por 3 a 0.
A Torcida Organizada "Nazistas da Baixada", segundo Plínio Nelson, nunca se envolveu em brigas. "Nao somos favoráveis à violência. Apenas vamos aos jogos do Flamengo em qualquer lugar do Brasil. As pessoas estao exagerando. É impossível existir um flamenguista racista."
O comerciante Carlos Manoel de Souza, de 54 anos, possui uma loja de equipamentos para informática ao lado da sede da torcida "Nazistas da Baixada". Segundo ele, o local é freqüentado por jovens de todas as idades e nunca viu nada de errado.
"Eles estao aqui há pouco mais de um mês. Quando começaram a pintar os vidros, ainda perguntei se ele sabia o que significava a suástica. Ele disse que sim e que nao havia problema algum", lembrou Carlos.
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