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Rabinos descobrem micvê em templo judaico de PE

07/02/2000 | 17:04
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Um tribunal de rabinos anunciou nesta segunda-feira a descoberta do primeiro micvê das Américas, localizado no subsolo do prédio 197 da Rua do Bom Jesus, no bairro do Recife Antigo, onde funcionou a primeira sinagoga do continente americano - de 1637 a 1654, durante a invasao holandesa. Micvê é um tradicional ritual judaico de purificaçao seguido há 3,3 mil anos pelos judeus e que consiste de um banho de águas puras e naturais a que os homens se submetem obrigatoriamente uma vez por ano e as mulheres casadas uma vez por mês. Crianças e mulheres solteiras nao fazem o ritual porque, pelo menos teoricamente, nao têm contato sexual.

Micvê também é o nome da obra física onde acontece o ritual religioso. Ele é formado ou conectado com águas naturais - um manancial ou um reservatório de água de chuvas. O micvê do Recife foi descoberto no ano passado pelo arqueólogo Marcos Albuquerque, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), responsável por escavaçoes realizadas na sinagoga com o patrocínio da Fundaçao Filantrópica Safra. O reconhecimento oficial foi feito nesta segunda-feira, numa cerimônia que incluiu leitura de salmos e oraçoes, pelo tribunal de rabinos integrado por Yossef Feigelstock, de Buenos Aires (Argentina), David Weitman e Chaim Cohen, de Sao Paulo, e Yossef Benzecry, de Recife.

Situado na parte interna da sinagoga, o micvê é formado por um poço interligado por uma canaleta à piscina onde ocorre a imersao. As medidas da obra obedecem rigorosamente aos padroes judaicos, com a piscina medindo 1,5 metro de profundidade e com capacidade para 648 litros de água.

Importância - Ao falar sobre a importância religiosa da descoberta, o rabino Yossef Feigelstock frisou que "sem micvê nao há vida judia", lembrando que uma comunidade judia pode prescindir até da Torá - a bíblia judaica - mas de forma alguma do micvê. "O micvê purifica, renova, e a pureza é fundamental para a elevaçao espiritual", complementou o rabino David Weitman.

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Feilgelstock destacou também a importância turística e econômica do templo para o Recife, afirmando que sinagogas antigas sao visitadas em todo o mundo. "Judeus e nao judeus virao de todos os lugares para conhecer o que aqui se achou", afirmou, confiante na potencialidade turística da sinagoga e seu micvê.

História - A sinagoga do Recife funcionou até 1654, quando os holandeses foram expulsos. A rendiçao, assinada pelos invasores, previa, em uma de suas cláusulas, a saída dos judeus do país. Muitos deles foram para Nova York, nos Estados Unidos, onde fundaram Nova Amsterda. Depois da saída dos holandeses a sinagoga passou a ser usada como prédio comercial até se tornar um imóvel abandonado.

Embora se soubesse, há tempos, que a primeira sinagoga das Américas havia funcionado no Recife - na Rua do Bom Jesus, ex-Rua dos Judeus - durante o Brasil colonial, a identificaçao do prédio da sinagoga ocorreu há oito anos pelo arquiteto José Luiz Mota Menezes, hoje responsável pelo projeto de restauraçao do templo.

Tombada recentemente pelo Patrimônio Histórico e entregue pela prefeitura do Recife à comunidade judaica pernambucana, a sinagoga começou a ser recuperada e pesquisada, chegando-se à descoberta do micvê. Segundo o presidente da Federaçao Israelita de Pernambuco, Bóris Berenstein, a meta é fazer uma réplica da antiga sinagoga, mantendo-se as escavaçoes do micvê. O local deverá futuramente abrigar um centro de documentaçao judaica.




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