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Cíntia Bortotto

Publicado em segunda-feira, 24 de abril de 2017 às 07:14 Histórico

A carreira política vale a pena?

Depois de tudo o que acompanhamos nos noticiários nas últimas semanas e nos últimos meses, é possível existir uma carreira política pautada na ética? Bem, as carreiras são formadas por pessoas, e as pessoas são pautadas por valores. Uma vez que elas consigam discernir o certo do errado, há a possibilidade de se trabalhar de uma forma diferente neste campo. Muitas vezes, as pessoas acabam se envolvendo e não pensam se está certo ou errado. Por exemplo: caixa dois em campanha. Começaram a achar isso normal, o que é assustador. Com tanta denúncia e punição, esperamos que as pessoas passem a agir em razão de valores.

O fato é que a carreira política precisa passar por toda uma reprogramação, começando pela formação programada para ela. Hoje temos no País pouco espaço para formação em gestão pública, porque, no fundo, na hora de se indicar um assessor ou se candidatar isso fica muito aberto. Não há pré-requisitos. Tudo bem que para ser representante do povo não deve haver algo que recrimine, mas para muitos dos cargos é necessário ter uma especialização que nem sempre é pedida.

Além da Educação, também é preciso reformular a seleção e a retenção destes profissionais. Uma coisa interessante que foi feita em muitos países e funcionou é tratar a política pública com o mesmo grau de profissionalismo que se trata a política privada, ou seja, a gestão é muito mais pautada em indicadores e metas do que em achismo. Temos vários exemplos com modelos mais empresariais e hoje no mundo político a carreira não está voltada para isso. As pessoas não se preocupam com as consequências dos seus atos.

No Brasil temos alguns casos que tentam seguir esta linha. Um deles é João Doria em São Paulo, que tem feito uma política muito mais com mindset de setor privado, colocando metas, olhando o orçamento, pensando em crescimento, liderando pelo exemplo. Outro caso é Paulo Serra, que tem feito muita diferença em Santo André, com ponto de vista austero da gestão de custos e pensando em como sair do problema que temos.

Olhando para outros exemplos no mundo, na Coreia do Sul houve uma revolução na Educação que afetou diretamente o campo político. No caso dos países nórdicos, também tivemos investimentos em formação e na atração de bons políticos para dentro de seus poderes Legislativo e Executivo. Outro exemplo é a prefeitura de Nova York, que fez um ciclo importante de crescimento muito pautado em fazer política assertiva do ponto de vista de gestão.

Mas como inserir novos players no mercado? Muitas pessoas que são muito boas, que querem fazer diferença, quando são convidadas para participar de um cenário político se recusam a participar. Enxergamos este espaço tão desgastado como algo tão pouco ético que quem é sério quer nem se envolver nisso.

Precisamos estimular a nova geração a ingressar na carreira política e tê-la como uma carreira de orgulho. Temos que reforçar a importância que têm os três poderes. Precisamos que isso rode muito bem e isso precisa ser reforçado na Educação Fundamental e no Ensino Médio. Isso não é colocado para as crianças. Esta carreira não precisa ser desprestigiada se ela for ética.

Espero que em breve possamos entender que não é necessário abrir mão de princípios por conta de entrar nessa carreira. E como fazer isso? O primeiro passo é limpar o que está ruim, um pouco do que estamos fazendo no Congresso Nacional. Isso deve ser feito em todas as esferas, também na estadual e na municipal.

É preciso ter coragem para fazer as mudanças. Do ponto de vista jurídico, as pessoas têm de ter segurança para denunciar sem correr risco de vida ou colocar em risco sua própria família. Tem muita gente querendo fazer a diferença no Brasil lá na frente. Siga confiante e boa sorte!
 



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