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Prisao de Maria Helena é pedida novamente

24/02/2000 | 23:31
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O promotor Gabriel Cesar Zaccaria De Inellas, do Serviço Auxiliar e de Informaçao (SAI), pediu no início da noite desta quinta-feira nova prisao temporária para a vereadora Maria Helena Pereira Fontes (PL), seu filho, o investigador Paulo Rogério Pereira Neme, e o delegado Airton Bicudo, de Campinas, por formaçao de quadrilha e coaçao de testemunha.

O pedido foi recebido pelo juiz-corregedor Maurício Lemos Porto Alves, da Divisao de Inquérito Policiais (Dipo), e será distribuído ainda nesta quinta-feira para um dos juízes da divisao, que tem 48 horas para decretar ou nao a prisao dos três.

O pedido foi feito após o promotor Inellas ouvir o depoimento do ex-assessor de gabinete da vereadora A.C.S.. "O depoimento mostrou que ele e a família estao correndo risco de vida", disse o promotor Inellas.

A.C.S. e as ex-assessoras de gabinete da vereadora Maria Helena M.A.N. e A.C.G., que também testemunharam contra a vereadora, estao recebendo desde as primeiras horas de quarta-feira proteçao especial 24 horas por dia por policiais fortemente armados do Departamento de Homicídios e Proteçao à Pessoa (DHPP). Os ex-assessores estao escondidos em uma casa em Sao Paulo.

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Seqüestro - De acordo com o depoimento que A.C.S. prestou nesta quinta-feira à Justiça, no final de janeiro ele teria sido seqüestrado por três pessoas e teria sido obrigado a telefonar de um celular para Marcela, ex-noiva de Neme. "Ele diz que foi obrigado a negar o depoimento que deu à força-tarefa (que investiga a máfia dos fiscais)", confirmou Inellas.

Já no início de fevereiro sua casa teria sofrido duas tentativas de arrombamento. Após esse fato, A.C.S. começou a receber telefonemas e bilhetes com ameaças de morte. "Ele contou que o delegado Airton Bicudo apareceu em sua casa com duas mulheres em um automóvel particular da vereadora Maria Helena e ofereceu R$ 50 mil e documentos falsos para ele morar em outra cidade", afirmou o promotor Inellas. "Ele ainda teria que gravar um vídeo dizendo que forneceu depoimento à polícia sob coaçao."

A mae de A.C.S., 62 anos, confirmou ao Estado que no domingo seu filho recebeu uma proposta para mudar o depoimento contra a vereadora, prestado aos delegados e promotores que formam a força-tarefa que investiga a máfia dos fiscais. "Ou ele aceitava R$ 50 mil ou seria morto."

Segundo ela, o filho recusou a proposta. Na noite de segunda-feira, ele recebeu novos telefonemas ameaçadores. "Eles ligaram dizendo 'nós já recebemos R$ 3 mil da Maria Helena, que tá solta, para matar o ganso (informante da polícia)'", afirmou ela. Apavorado, A.C.S. acionou a polícia e pediu proteçao.

Inellas explicou que estao envolvidos na acusaçao um homem cuja alcunha é Bengala, Marcela, ex-noiva de Neme, e outras pessoas ainda nao identificadas, "o que configura formaçao de quadrilha."

Liberdade - A vereadora Maria Helena saiu do 89º DP quarta-feira, após o Tribunal de Justiça do Estado ter concedido a ela um habeas-corpus. Ela estava presa desde o dia 21 de dezembro.

Após a vereadora ser colocada em liberdade, as ex-assessoras de gabinete M.A.N. e A.C.G. pediram proteçao à polícia ou, disseram, nao iriam mais prestar depoimento.

A.C.S deveria prestar depoimento quarta-feira no Ministério Público Estadual, mas os promotores acreditaram que a vereadora poderia contestar o depoimento e, por isso, ele acabou depondo na Dipo. "Nao haveria contestaçao por parte da vereadora", disse o promotor José Carlos Blat.




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