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Terapia com animais e música ajuda crianças

Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Tratamento com práticas alternativas auxilia no processo de aprendizado


Matheus Angioleto
Especial para o Diário

19/03/2017 | 07:27


Tartaruga, coelho, coruja, cachorro e muitos outros animais. Quem passa em frente ao espaço pensa se tratar de zoológico de pequenas proporções. Mas, na verdade, a casa localizada na Rua Paulo Di Favari, 716, Vila Caminho do Mar, em São Bernardo, abriga diferentes bichos que auxiliam no tratamento de crianças e adolescentes com distúrbios mentais. O objetivo é ajudar na alfabetização, na socialização e incentivar o respeito, além de mostrar a beleza da natureza.

O grupo voluntário da Arte Psico, organização sem fins lucrativos, reúne equipe de três psicólogos, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, violonista e assistente para atender diferentes crianças uma vez por semana. O time de profissionais mantém viva a esperança de mães que desejam ver seus filhos evoluir e se tornar boas pessoas por meio do tratamento que envolve práticas distintas.

Ao chegar ao local, a equipe do Diário ouviu a música do violonista Samir Alves, 19, algo que a organização trouxe como novidade para o tratamento. “A música estimula a questão da atenção, da percepção auditiva e trabalha a questão emocional. Quando toco, pergunto se eles lembram de algo. A partir daí temos a interação.”

As 76 crianças guardiãs da natureza atendidas pela instituição recebem diferentes estímulos por meio da pet terapia e da música. Em uma atividade a respeito do alfabeto, por exemplo, as crianças podem ficar com os animais por perto, para que se sintam tranquilas e prestem atenção no que está sendo passado. Com apoio de profissional especializada, a instituição mantém as documentações emitidas pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em dia, além de exames que são feitos de forma regular.
Do total de crianças atendidas, 19 não pagam nada para receber os tratamentos. A instituição atende famílias carentes, as quais pagam valores reduzidos para ajudar a manter o local funcionando.

As consultas particulares feitas pela psicopedagoga, pet terapeuta e criadora do projeto Thainara Morales, 26, ajudam a pagar os profissionais e manter a ração dos animais em dia. Ela conta com satisfação que as crianças se envolvem tanto no tratamento que começam a comer frutas após verem os animais ingerindo o alimento.

“Se uma criança precisa de interação social, podemos utilizar o cachorro. Fazemos o trabalho tradicional e tiramos dez minutos à interação com a natureza. O vínculo com os animais é muito grande”, diz, citando que o ensino de Biologia é outro fator que ajuda a estimular o cérebro.

Alexandra dos Santos Pereira, 35, afirma que o filho Luan Della Negra, 13, portador de deficiência mental, adora música de todos jeitos. “Cantando, ele consegue se expressar melhor. Gosta do diferente, encara cobras, a coruja, os sapos e as lagartixas”, conta, ressaltando que o filho não tem músculos no corpo.

Marcia Ferreira Gonçalves, 28, afirma que o filho Vinícius Gonçalves Calazans, 6, tem deficit de atenção e dificuldade para aprender, além de hiperatividade. O garoto toma remédio para conseguir se concentrar e focar nas atividades propostas. “Ele tem o mundo imaginário dele. No começo presta atenção, mas não consegue ter controle”, relata.

Para o caso de Vinícius, Thainara explica que a música e os bichos – no caso, uma cobra – são utilizadas para fazer com que ele se concentre. “A gente oferece o estímulo auditivo e o tátil para ajudá-lo. É treino de atenção e respiração”, conta, além de ressaltar o controle de ansiedade e a motivação que o tratamento proporciona.

“O desenvolvimento dele melhorou 90%. Aliás, ele está melhor em muitas coisas”, comenta a mãe de Vinícius, que também valoriza a evolução na fala do filho.
 



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