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Infâmias, impropérios e demais vulgaridades


Rodolfo de Souza

16/03/2017 | 07:00


Um grupo de adolescentes conversava, outro dia, sobre assunto que normalmente é alvo de seu interesse, coisa um tanto comum entre pessoas dessa idade, deste e de qualquer tempo. Discutiam mesmo os pormenores de como fulano faria para ‘catar’ fulana. De quais argumentos se armaria para provar que era digno de uma chancezinha que fosse de ‘catá-la’. E este, meio sem jeito, ensaiava um discurso para tentar convencer a plateia, porque outros aguardavam ansiosos, de que era perfeitamente capaz de realizar a proeza. Sentira, inclusive, uma pontinha de segurança nas suas palavras, tendo em vista o fato de a garota em questão fazer parte da roda de conversa e nem por isso deixar de se mostrar faceira, esbanjando charme. Próximo dali, uma colega ria debochada. Estava, sem dúvida, tão fogosa quanto aquela. Sorriso que pude observar também em outros semblantes femininos à volta.

Eu, personagem que a formação e a experiência muito distancia daquela forma de encarar a vida, fui involuntariamente envolvido no assunto e não pude deixar de tecer comentário, tendo observado a discussão sob um ângulo diferente, todo ele construído a partir de décadas de convívio com o ser humano e com os livros. Foi difícil, pois, permanecer alheio à contenda, uma vez que os interlocutores faziam suas explanações sentados a distância considerável uns dos outros. Discrição, como se sabe, é produto escasso na prateleira dessa gente que adora falar alto e rir às gargalhadas de qualquer bobagem.

O teor da conversa é de longa data de meu conhecimento, já que eu, da mesma forma, vivi um dia a adolescência que ora testemunho. Muita inquietação me trouxe, no entanto, a forma como esta rapaziada tratava ali um relacionamento íntimo entre duas pessoas. É como se não soubessem exatamente do que falavam. Também não convém citar aqui palavra por palavra que envolveram a discussão. Até porque a mulher, neste meio, é vista como simples objeto. Mais descartável do que um tubo de creme dental.

Perturbação, inclusive, que não poderia dar o ar de sua graça sem que algo eu acrescentasse em defesa dela que a atual bajulação feminista muito tem se esforçado para colocar na posição que lhe é devida. Mas, a despeito disso, salta aos olhos a postura dos jovens, que tende a fomentar ainda mais o machismo que dominou soberano o passado deste mundo.

Questionei-os, então. Levei-os a pensar sobre a forma como colocavam a situação. E, diante disso, defendeu-se prontamente um rapaz, dizendo que estamos no século 21, tempos modernos com formas modernas de se ver as coisas.

Contestei-o novamente, alegando que eu também faço parte desta modernidade e que, ainda assim, considero de extremo mau gosto privilegiar-se a estupidez que reina soberana neste século, com a finalidade de justificar a vulgaridade, a inteligência nada refinada e o desrespeito. “Quer dizer que avançamos nas décadas e andamos de marcha ré na estrada do entendimento?”

E assim, passamos boas horas buscando entender toda essa realidade que nos cerca e que o jeito de lidar com ela pode tornar a vida um pouco melhor. Ou não.

Mesmo assim, ao final, fiquei até satisfeito com as opiniões que pude colher ali. Algumas demonstraram claramente que o solo é fértil e que se a mão for boa para o plantio, a colheita por certo renderá bons frutos.

 


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