Tempos de crise
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Quem precisa se alimentar fora de casa todos os dias sabe o quanto é caro comer bem. Os preços dos restaurantes variam de acordo com a região, porém quase sempre são mais altos do valores praticados pelos fast foods – nem um pouco saudáveis, diga-se de passagem. Por isso, em tempos de crise, a marmita figura como opção interessante para aqueles que querem economizar sem abrir mão da dieta balanceada.
A estudante Cibele de Oliveira, 20 anos, trabalha há três meses em uma agência na Vila Olímpia, na Capital. A empresa oferece espaço para armazenar comida trazida de casa e fazer a refeição o que, segundo ela, incentiva a prática. “É uma forma mais saudável de alimentação, porque quando você sai para comer encontra muitas opções no cardápio e acaba escolhendo uma coisa diferente”, diz a são-bernardense, que cita ainda as vantagens financeiras. “Eu economizo paticamente todo o meu ticket refeição. Costumo comer fora às sextas-feiras e quando tenho vontade, mas chego a poupar de R$ 550 a R$ 600 por mês, em média.”
Para compor uma boa marmita, especialistas dizem que é necessário inserir variedade de alimentos a fim de atingir o maior número de nutrientes possível. “O ideal seria que contivesse carboidratos (arroz, macarrão, batata, mandioca), leguminosa (feijão, ervilha, grão de bico), proteína (carne, peixe, frango ou ovo) e legumes ou verduras cruas e cozidas. Uma dica para saber se ficou bom é ter cinco cores diferentes”, explica a nutricionista Nathália Rocha, da Policlínica da Universidade Metodista de São Paulo.
A conservação também é um ponto a ser observado, uma vez que muitos alimentos podem estragar ao ficarem fora de refrigeração. “Podemos exemplificar pelos fermentativos, como feijão, brócolis, couve, couve-flor, ou que contenha algum tipo de leite ou creme de leite na preparação, caso do strogonoff e do escondidinho, ou ainda os que tem maionese ou ovo. O ideal, independentemente do alimento e da preparação, é que essa marmita fique em refrigeração de no máximo 6ºC, minimizando assim a proliferação bacteriana ou aparecimento de fungos”, orienta a responsável técnica pela Policlínica, Karina Stefani.
As especialistas ressaltam ainda que existem algumas restrições quanto ao congelamento. A principal delas é a batata, devido ao alto teor de amido. Ao descongelá-la, o alimento não volta a ficar como in natura, tendo sua palatabilidade alterada. Frutas que possuem alta quantidade de água, como morango, melancia e melão, também não devem ir para o freezer, assim como verduras que serão consumidas em salada.
Após montada, a marmita, deve ser armazenada sempre em geladeira até seu reaquecimento e consumo. “É importante lembrar que o período de transporte também pode ser crítico, principalmente nas épocas do ano mais quentes. Assim, se possível colocá-la dentro de uma bolsa térmica durante o deslocamento para manter minimamente a temperatura de conservação. Em geladeira, procurar colocar a marmita na parte superior, que possui a menor temperatura”, diz a professora de Nutrição e responsável pela Clínica de Nutrição da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), Elaine Guaraldo.
Ainda de acordo com a docente, há muitos materiais que podem ser usado para o armazenamento da refeição, como plástico, vidro e metal. “Plásticos e vidros podem ser colocados em microondas. Normalmente usa-se o plástico pelo seu custo, peso e praticidade na hora de reaquecer, mas é importante frisar que ele pode impregnar o odor de outros alimentos.”
Praticidade – Para quem não quer ter o trabalho de preparar a própria comida, o mercado disponibiliza hoje marmitas prontas para serem consumidas. Existem opções para todos os gostos. A Kulinara, com filial em Santo André, por exemplo, oferece refeições veganas. “Nossos pratos são balanceados e por isso sempre possuem um cereal, uma hortaliça e uma leguminosa. Quando fazemos um prato novo buscamos utilizar as hortaliças da época, pois são sempre mais saborosas e nutritivas”, afirma a fundadora da empresa, Fernanda Tonobohn.
Os pratos custam R$ 20 no menor kit, que é de cinco refeições, e chegam a custar R$ 18,40 no maior kit, que é o mensal de 56 pratos. Os kits mensais também são isentos de valor de frete, com entregas semanais.
No ramo desde 2012, Fernanda observa que o interesse pelas marmitas tem aumentado ao logo do tempo. “Desde 2015, com a popularização das marmitas fit, os clientes têm procurado muito pela congelada. No ano passado, atendemos mais do que o dobro de clientes comparando a 2015. Pessoas com dietas restritivas, por conta de alergias e intolerâncias, também nos procuraram bastante.”
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