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Fumo, mas não trago. Um amigo traz.

Diz um cruel humorista norte-americano que, certa manhã, uma esfuziante Chelsea Clinton chegou à Casa Branca


Brickmann

28/12/2016 | 07:54


Diz um cruel humorista norte-americano que, certa manhã, uma esfuziante Chelsea Clinton chegou à Casa Branca e contou à mãe que tinha conhecido naquela noite um rapaz maravilhoso, simpático, bonito, bem-educado, uma paixão!, que lhe fez agradável companhia. A mãe, preocupada, perguntou: “Rolou sexo?” E a jovem, direta: “De acordo com o papai, não”.

O ex-ministro Jaques Wagner (governo Dilma) se aproximou de outra frase do ex-presidente Clinton: “Eu fumei, mas não traguei”. Wagner, acusado de receber da Odebrecht um caprichado pixuleco, um relógio Rolex de US$ 20 mil, confirmou o presentão, mas explicou: “Guardei e nunca usei, porque uso outro tipo de relógio. Mas, se o cara me deu de presente, vou fazer o quê?” Claro: talvez prefira um relógio de bolso (‘cebolão’), da Patek Phillipe, o Henry Graves Super Complication, avaliado em US$ 11 milhões. Se alguém lhe der de presente, que mal faz?

Pois é: junte as duas frases de Clinton, a verdadeira e a falsa, com a brasileira, de Jaques Wagner, e terá uma pista do caminho legislativo a seguir para livrar boa parte dos envolvidos na Lava Jato. Representantes dos três poderes montam uma tese jurídica para separar o caixa dois destinado a financiar campanhas do dinheiro usado para – oh, horror! – enriquecer políticos. O que sempre se usou e é culturalmente aceito continua legal. O que não é culturalmente aceito, quem sabe um dia se acerta isso também.

Quem apita o jogo
Nessa limpeza toda de dinheiro até agora apontado como sujo, quem separaria o ‘culturalmente aceito’ do que a nós parece pura roubalheira? A ideia é entregar essa delicada operação ao Supremo. Os ministros teriam algum tempo para estudar direitinho o caso, já que o novo entendimento começaria a vigorar, dando tudo certo, no julgamento dos casos do Petrolão. Imagine o caro leitor se o Supremo condenar um figurão. Ficaria aberto o caminho para livrar réus de menor calibre.

No nosso, não
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, nem pensa em resolver juridicamente a situação de seus companheiros de partido. Quer resolvê-la do jeito que der, sem se preocupar em articular solução com as demais legendas. Ele propõe separar antigos companheiros, como José Dirceu e Antônio Palocci, que eram chamados de ‘guerreiros do povo brasileiro’, mas foram abandonados na prisão, sem sequer receber visitas, sem merecer sequer menção nos discursos petistas, e eventualmente expulsá-los do partido. Outros guerreiros seriam defendidos pelo PT. Traduzindo, o partido abandonaria os companheiros mais difíceis de defender, defenderiam os envolvidos em casos menos escandalosos e se mobilizaria em cruzada quando chegasse sua vez no tribunal.

Cuidado essencial
Importante: é preciso tomar todos os cuidados possíveis antes de levar petistas de alta patente ao banco dos réus. O banco pode quebrar por excesso de fundos.

Operação Tetas Secas
Em 2013, condenados ao pagamento de multas, José Genoíno arrecadou R$ 700 mil em vaquinha, e Delúbio Soares, em outra, R$ 1 milhão. Em 2014, José Dirceu levantou mais de R$ 900 mil. Dilma, proibida de usar o Airbus oficial, e sentindo-se mal diante da possibilidade de voar em avião de carreira, obteve quase R$ 800 mil. A meta da vaquinha de Lula para financiar sua defesa era de R$ 500 mil. Chegou a R$ 270 mil. Faturar menos que Dilma... que demonstração de força ao contrário! E Rui Falcão quer lançar imediatamente a candidatura de Lula à Presidência.

Falou e disse
O vereador Fernando Holiday, do DEM paulistano, militante do MBL (Movimento Brasil Livre), já mostrou a que veio: diante da atitude dos vereadores paulistanos de aumentar seus salários em 20%, classificou-a de “desrespeito” e “canalhice das velhas raposas da Câmara”. Holiday é de briga. Não está na Câmara para aumentar seus salários. 



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