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Cultura & Lazer

Publicado em sexta-feira, 1 de julho de 2016 às 15:38 Histórico

Crianças mergulham de cabeça na leitura com clubes de livros

O brasileiro lê, em média, quase cinco livros por ano, segundo a quarta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil divulgada em março pelo Instituto Pró-Livro. Esta, no entanto, é uma realidade bem distante para as crianças participantes dos clubes de livros infantis. A cada trinta dias elas recebem em casa ao menos uma obra para degustar da forma como preferir.

Os planos disponíveis para assinaturas em três clubes pesquisados vão de R$ 12,90 somente com acesso digital a R$ 69,90 com direito a dois livros por mês.

Com 15 mil assinantes entre zero e dez anos, a Leiturinha atende todo o Brasil. “A curadoria é um dos nossos pontos fortes. Temos psicólogos, pedagogos, além dos sócios que são pais que ajudam na seleção das obras.

Temos mais de 100 editoras parceiras e recebemos não só o catálogo de lançamentos como também das publicações mais antigas”, conta o co-fundador Guilherme Martins.

Entre os pré-requisitos para a triagem, as publicações precisam ter temas relevantes, trazer experiências lúdicas e deixar algum tipo de mensagem para os jovens leitores.

Os títulos dos livros não são divulgados até os pequenos receberem a encomenda em casa. “É para criar um efeito surpresa. As entregas são feitas no nome da criança e funcionam como um presente mesmo, embalado e com alguns mimos”, diz Martins.

Além dos livros, a Leiturinha também tem um aplicativo com e-books e vídeos educacionais. “Não podemos excluir a tecnologia do aprendizado da criança, então montamos uma plataforma para aproveitar melhor o tempo dela no tablet ou smarphone”, explica o co-fundador do clube.

No Booxs, entre os milhões de títulos infantis e juvenis disponíveis no mercado são escolhidas duas obras para cada faixa etária, também respeitando critérios de neutralidade e não discriminação. Além dos livros em casa, os pais recebem ainda um e-mail com dicas de leitura e atividades preparadas pelos especialistas que fizeram a escolha da publicação.

Lançada em 2014, a Taba tem 270 assinantes e possui uma política um pouco diferente dos outros clubes já que divulga o nome dos livros que são selecionados e não divide as categorias por faixa etária. “Nosso trabalho é formar leitores e não faz o menor sentido, conceitualmente falando, estipular idade na escolha das obras”, afirma a fundadora Denise Guilherme Viotto.

Segundo Denise, há também a preocupação de não enviar “mais do mesmo” todo mês. “Se mandamos um livro de poema no mês passado, vamos escolher outro gênero para este.”

Assinante da Taba há dois meses para os filhos Yasmin, de 9 anos, e Kauê, de 6, a pedagoga de Santo André Karina Kalynytschenko Gonçalves afirma que a experiência de receber livros pelo correio está sendo positiva.

“Tenho um cantinho com brinquedos e espaço para livros, gibis e revistas. Então desde bem pequenos, eles são incentivados a ler. Mas agora tem aquela expectativa de quando vai chegar. E quando chega, eles vão direto sentar no sofá para começar a ler.”

Karina conta que optou pela Taba justamente por não haver diferenciação por idade. “Meu menino foi muito precoce e aos 4 anos ele já lia, o que para essa faixa etária não é normal. Fiquei com medo de assinar e receber algo que não fosse tão estimulante para ele.”

Outra descoberta da pedagoga em assinar um clube de livro foi saber que a filha gosta de poesia. “Temos costume de visitar livraria e comprar livros. Mas como é um gênero que eu não gosto muito, provavelmente não levaria. Mas no primeiro mês de assinatura veio um livro de poesia e minha filha adorou. Já o pegou de novo para ler e fez a própria poesia.”

A diretora do Colégio Xingu, de Santo André, Viviane Gonçalves Passarini, fechou assinatura no começo deste ano com a Taba. As obras ficam na biblioteca e semanalmente os estudantes têm aulas sobre os livros do espaço. “O Mapa (material que vem com as publicações e auxiliam a desbravar os títulos) aponta detalhes que uma leitura superficial não encontraria.”

De acordo com o levantamento Retratos da Leitura no Brasil, o hábito de ler é uma construção que vem da infância e, por consequência, é bastante influenciada por pais e mães. Comprando na livraria ou pegando emprestado na biblioteca, o importante é tentar mudar a realidade de 2,43 livros lidos durante todo o ano do brasileiro.



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