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Economia

Publicado em terça-feira, 18 de outubro de 2011 às 07:30 Histórico

Selic não muda vida do consumidor

Os diretores do Banco Central se reúnem hoje e amanhã para decidir como ficará a taxa básica de juros, a Selic. Mas as mudanças para os consumidores, independentemente da decisão, serão mínimas, avaliam especialistas consultados pela equipe do Diário.

Ontem, o Boletim Focus do BC apontou que o mercado financeiro espera queda de 0,5 ponto percentual da taxa, que hoje está em 12% ao ano.

Em setembro, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, a média dos juros às famílias era de 117,5% ao ano. Se o mercado financeiro estiver correto e houver repasse, o percentual cairia para 117%. "Mas demora entre 20 e 40 dias para ter reflexo no crédito", pontuou o pesquisador do Instituto Assaf Fabiano Guasti Lima.

Na ponta do lápis, uma geladeira de R$ 1.000, em 18 parcelas sem entrada, com os juros médios apontados pela Anefac de 117,5% ao ano, teria custo total de R$ 1.749,59, com parcelas de R$ 97,20. Aplicada a redução da Selic neste cálculo, com a taxa passando a 117% ao ano, a geladeira sairia por R$ 1.747,04, diferença de apenas R$ 2,56.

Mas as taxas de juros ao consumidor dependem de mais fatores para sofrerem alterações, disse o professor do Laboratório de Finanças da FIA José Roberto Savoia. "E elas dependem muito mais de uma intensificação da concorrência dos agentes privados", explicou o especialista. Portanto, redução na Selic sem a grande concorrência entre os bancos não resultaria em crédito mais barato.

Quem tem dinheiro aplicado em modalidades de investimentos atreladas à Selic seriam os primeiros a perceber uma variação na taxa, destacou Lima. "E quem tiver aplicado em um fundo DI pós-fixado, por exemplo, com taxa de administração de 2% ao ano, para resgate em um ano, vai perder da poupança (que rende cerca de 6% ao ano)."

Com retração na atratividade de alguns investimentos, a tendência é que os consumidores comprem mais produtos e serviços, estimulando alta nos preços, explicou o professor da Faculdade de Economia da Fundação Alvares Penteado Otto Nogami. "Mas o efeito das alterações na Selic, aqui no Brasil, na inflação demoram entre seis e oito meses", afirmou.

 

Atenções estão voltadas ao setor externo 

O professor do Laboratório de Finanças da FIA José Roberto Savoia disse que a previsão é de trajetória de queda para a Selic até o fim de 2012. "Para nós, existe uma tendência mais clara na visão do Banco Central de redução gradual da Selic para o patamar de 10% ao ano até o fim do ano que vem."

Para o professor de Economia Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios, o BC não olha mais para a inflação de 2011, que em 12 meses já ultrapassa o teto da meta do governo de 6,5% ao ano. "Este ano não tem mais jeito. Ficou demonstrado na última reunião (do Copom, que reduziu a Selic mesmo com os preços subindo) que eles desistiram."

Leite, porém, acredita que o pensamento do governo é de defesa contra a crise externa. "Reduzindo a Selic, eles garantem aquecimento na taxa de crescimento da atividade econômica interna."

O professor do MBA da Fipecafi Mário Amigo concorda com a expectativa apresentada no Boletim Focus, de redução de 0,5 ponto percentual na Selic. "Desta vez o BC está mais comunicativo com o mercado financeiro", afirmou. Ele também disse que há grande preocupação com o mercado externo, que provavelmente terá maior influência nos preços internos nos próximos meses. "A questão é: até que ponto altas na Selic vão gerar redução na inflação?"

 

Redução será política, diz especialista

Se o Copom reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual, como o mercado financeiro prevê, será uma decisão política e não técnica, opinou o professor da Faap Otto Nogami.

"Essa possível decisão confirmaria o que o BC vem destacando, de que o setor externo está complicado. Mas tecnicamente falando ele quebra um ciclo de muitos anos de controle da inflação com a taxa Selic", analisou Nogami.

Ele explicou que a Selic, mesmo entre as taxas básicas mais altas do mundo, sempre teve caráter balizador. Quando a inflação estava pressionada, o BC elevava a Selic para contornar a situação. E quando havia estabilidade nos preços no País, a autarquia reduzia, aos poucos, a taxa básica de juros.

"Mas desta vez é possível que tenhamos redução na taxa enquanto a inflação sobe cada vez mais. Se ocorrer, não será uma decisão técnica, mas política", esclareceu o especialista.

Nogami explicou que, normalmente, à medida em que o governo aumenta a taxa básica de juros, o consumidor tende a poupar mais dinheiro, já que as aplicações financeiras atreladas à Selic também sobem.

Poupando, os investidores gastam menos com produtos e serviços, ou seja, cai a demanda interna e os preços começam a estabilizar ou até recuar.

Nogami destacou que a tendência, com baixa na Selic, é justamente o contrário, com aumento da demanda e encarecimento dos produtos nos próximos meses.



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