Abastecimento Sabesp diz ter ampliado a vazão entre Rio Grande
e Alto Tietê para 2 m³/s, mas interrupções acontecem
André Henriques/DGABC

Principal obra do governo do Estado para evitar o rodízio no abastecimento da Grande São Paulo, a interligação entre os sistemas Rio Grande, da Represa Billings, e Alto Tietê não vem realizando a transferência de água de forma contínua, como era esperado. Embora tenha aumentado o bombeamento para 2 m³/s nesta semana, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) admitiu interromper com frequência o fluxo de água.
Em reunião realizada ontem no Consórcio Intermunicipal, o assessor e representante do governo Saulo Benevides (PMDB), de Ribeirão Pires, Ailton Gomes, afirmou que no dia 2, em vistoria no trecho de Ouro Fino, foi constatado que nenhuma transferência estava sendo realizada. “Não tinha bombeamento. Não vi água.”
Questionada sobre o assunto, a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos confirmou as pausas. “Elas se devem à realização de obras no local, além do já citado processo de operação assistida.” Por telefone, a assessoria de imprensa da Pasta relatou que a ação pode ocorrer por diversos motivos, citando como exemplo dias de chuva, que ocasionam aumento do fluxo de água no rio, e também em razão da transferência estar em fase de testes – que deveria ter sido encerrada 30 dias após a entrega da obra, no fim de setembro.
A informação foi confirmada também pela Sabesp. “Com o avanço das obras do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) no Córrego Taiaçupeba-Mirim, em breve a obra atuará com sua capacidade máxima (4 m³/s). Enquanto o reparo na encosta do córrego estiver em curso, o bombeamento pode ser interrompido pontualmente para o andamento dos trabalhos, sendo retomado na sequência.”
Com recursos de R$ 130 milhões, a interligação foi projetada para transferir 4 m³/s de água entre os sistemas. A obra do Daee no Córrego Taiaçupeba-Mirim tem como objetivo adequar o sistema de dissipação de energia, diminuindo o impacto da chegada da água e, desse modo, evitando erosões e assoreamentos. A previsão é concluí-la após o dia 20.
A intervenção foi necessária porque o acúmulo de sedimentos no leito do rio causou alagamento em Ribeirão Pires no dia 7 de outubro. Ao todo, quatro casas permanecem interditadas em Ouro Fino. Desde então, o acordo entre Sabesp e Prefeitura permitia apenas a transferência de 1 m³/s.
Conforme o presidente do Consórcio Intermunicipal e prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão (PSDB), será encaminhado nos próximos dias convite para Sabesp e Daee comparecerem à entidade para prestar esclarecimentos. “Queremos que venham aqui dar informação do que está sendo feito para solucionar os problemas. Vamos aprofundar a discussão.”
CADE
Ainda envolvendo a Sabesp, hoje, às 15h, o prefeito de Santo André, Carlos Grana (PT), irá prestar esclarecimentos sobre requerimento que o município entregará ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), em Brasília, em procedimento que visa solicitar apuração de infração à ordem econômica por parte da companhia no que se refere ao preço da água no atacado. Segundo a administração, está havendo ‘abuso’ na cobrança de tarifa.
Em nota, a Sabesp disse que “não detém o monopólio da água tratada no atacado, uma vez que o Semasa poderia captar o recurso em bacias hidrográficas externas à Região Metropolitana, transportá-la por cerca de 100 quilômetros, vencendo desníveis topográficos significativos (a um custo elevadíssimo) e tratá-la. Exatamente como faz a Sabesp.”
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